terça-feira, 27 de janeiro de 2015

José Varela joga futebol no Naverredondense aos 54 anos

O avançado cabo-verdiano José Varela é o jogador federado mais velho a actuar em Portugal, continuando a marcar golos pelo Naverredondense apesar de ter 54 anos.
José Almeida Varela nasceu em Santa Catarina (Cabo Verde) a 15 de Dezembro de 1960 e nos campos da Série B da 2ª divisão distrital defronta algumas equipas orientadas por treinadores mais novos que ele e na maior parte das vezes mede forças com defesas com idade para serem seus filhos. Nada que lhe cause transtorno.
“Sinto-me bem fisicamente e por isso tenho esta garra, esta força de vontade e este querer! Jogo ao sábado e no domingo estou bem, ainda não sinto dores”, revela ao “SW” este pai de oito filhos (seis raparigas e dois rapazes, um dos quais – André – foi seu colega de equipa na Nave Redonda) e avô de cinco netos, que vive em São Bartolomeu de Messines (Algarve) e trabalha na construção civil.
José Varela regressou esta temporada ao Naverredondense, depois de aí ter jogador entre 2006 e 2008, mudando-se depois para Luzianes-Gare.
Mas a sua carreira começou há mais de três décadas, ainda corria o ano de 1978.
O primeiro clube que representou foi o Damaiense, na zona de Lisboa, dado viver na Damaia desde os 13 anos, quando chegou de Cabo Verde. Depois rumou a Sul, onde representou nos campeonatos nacionais da 2ª e 3ª divisões emblemas como o Messinense, Quarteirense, Salir ou Lagoa.
Pelo meio ainda teve a oportunidade de integrar o plantel do Portimonense, então na 1ª divisão e a disputar provas europeias, mas aí não foi feliz.
“Faltou algo em mim para me afirmar, mas não tive essa oportunidade. Então voltei ao distrital, fui para o Quarteirense e aí ganhei grandes amizades. Aliás, andei sempre no futebol por amor à camisola, nunca por amor ao dinheiro”, revela.
Aos 54 anos José Varela continua a ser um avançado temível. Talvez por isso poucos se lembrem que começou a jogar como guarda-redes e que só colocou as luvas de parte na época 1985-1986, quando jogava no Messinense.
“Faltava um ponta-de-lança e eu pedi ao treinador para jogar à frente. Marquei quatro golos, apanhei-lhe o gosto e continuei a jogar à frente. E em 1990-1991 passei a central, quando o Quarteirense subiu à 2ª divisão. Aí joguei também a defesa-esquerdo, médio-esquerdo… era todo-o-terreno”, lembra.
Os anos passaram e hoje José Varela joga quase sempre ao ataque. E está para durar!
“Enquanto puder vou continuar. Todos os anos os presidentes das equipas ‘chateiam-me’ a cabeça e eu vou continuando no activo. É um bichinho que me morde [risos]”, diz, assumindo que ser treinador não está nos seus planos. Para já. “Não estou a pensar nisso, mas nunca se sabe…”
Fonte:  http://www.jornalsudoeste.com

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