sábado, 8 de setembro de 2012

Seleção nacional de canoagem da Rússia pondera estagiar em Mértola: Canoagem mundial prepara olimpíadas no Alentejo



O selecionador nacional de canoagem da Rússia esteve em Mértola a avaliar as condições oferecidas pelo Rio Guadiana para a equipa daquele país ali preparar o próximo ciclo olímpico.

Texto e foto Firmino Paixão
Vladimir Parfenovich, detentor de três medalhas de ouro olímpicas, responsável pela canoagem no seu país, dedicou as suas primeiras palavras, de uma entrevista exclusiva ao Diário do Alentejo, para mostrar apreço pela nossa região: O Alentejo é muito bonito, tem muita água, durante os dois dias que aqui passámos fomos muito bem recebidos e as pessoas foram muito simpáticas.

Parfenovich revelou que a Rússia é um grande país, mas no inverno é muito frio, por isso, estamos em Portugal à procura de um lugar onde a nossa equipa consiga fazer uma boa preparação durante o próximo ciclo olímpico. A temperatura aqui é muito boa, tem bons planos de água, também gostámos muito da qualidade da alimentação e dos alojamentos que visitámos. O facto de a região ter um clima ameno e muitas horas de sol, levou o técnico a dizer que isso é muito importante para os atletas, claro que o clima que encontramos aqui no Alentejo, mesmo em fevereiro ou março, não se encontra nem sequer no norte de Portugal, muito menos noutros países da Europa.

Acompanhado pelo presidente do Clube Náutico de Mértola, Carlos Viegas, e pelo treinador polaco Zdzislaw Szubski (atual selecionador do Chile), pormenorizou a avalização das infraestruturas que visitou: Fomos à Mina de São Domingos e gostámos muito da qualidade dos alojamentos, no entanto, o plano de água é pequeno para as nossas necessidades. Para colocarmos simultaneamente 30 atletas na água a fazerem 25 a 35 km por dia é difícil, mas o Rio Guadiana, esse sim, tem belíssimas condições, oferece tranquilidade, a água é limpa e tem pouca corrente.

Quanto ao Centro de Estágio do Náutico de Mértola, Parfenovich comentou da seguinte forma: Gostámos, são instalações muito boas, com bons equipamentos, um bom ginásio, salas de musculação, temos condições para preparação de atletas de alto nível. A conclusão final, confessou o técnico russo, é que Mértola cumpre com aquilo que são as necessidades para preparação da nossa equipa, contudo ainda temos algum trabalho pela frente, precisamos falar de outros detalhes, acertar condições financeiras, há pormenores que ainda temos que conversar com o Carlos Viegas.

A decisão final será tomada ainda durante este mês. Não deve ser um processo demorado porque precisamos de tempo para que os nossos planos sejam superiormente aprovados, e para que a preparação possa ser feita durante os meses de fevereiro, março e abril. Parfenovich aproveitou a nossa presença para deixar um grande abraço para todos os atletas portugueses e desejo de felicidades, porque na canoagem somos todos uma grande família. Perspetivando os Jogos Olímpicos de 2016, referiu que a minha mensagem tem sido a de que precisamos de ganhar sete medalhas de ouro, em Munique/72 ganhámos seis, porque não podemos agora lutar por esse objetivo, eu próprio, sozinho, ganhei três, ironizou.

Carlos Viegas, líder do Náutico de Mértola, mostrou-se entusiasmado com a ideia de conseguir fixar ali a equipa nacional da Rússia, dizendo: Mostrámos todas as condições que dispomos no concelho, quer em São Domingos, quer em Mértola. Adiantou depois que o projeto da Pista de Velocidade na Mina ainda não é uma realidade, o tipo de preparação requer outras condições que a Mina dificilmente conseguirá responder em termos de plano de água, em contrapartida, Mértola acaba por ter esses requisitos, apesar das condições de alojamento serem menores, na perspetiva de quantidade.

Viegas especificou ainda que estamos a falar de um grupo de 50 a 60 pessoas, requer um conjunto de detalhes que são fundamentais, nomeadamente a existência de plataformas para os atletas entrarem na água, precisamos de alguns barcos a motor, vamos ainda reunir e listar quais as necessidades fundamentais e se nós conseguirmos responder positivamente dentro de uma ou duas semanas, cumpriremos aquilo que é a nossa parte.

Concordando que estando a começar um novo ciclo olímpico se abrem novas janelas de oportunidade para o Clube Náutico ali receber equipas estrangeiras, Viegas considerou que esta é a primeira, mas podem surgir outras e há um facto importante, a canoagem em Portugal ganhou uma dinâmica muito importante com a medalha olímpica que conseguiu em Londres, a única ganha pelos atletas portugueses.

O dirigente entende que ficámos numa situação diferente de há quatro anos atrás, estamos já em condições de exigir dos poderes alguma atenção para esta modalidade e estamos a fazer o nosso papel que é trazer algumas mais-valias. Concluiu, lembrando que muitas das medalhas olímpicas que a canoagem mundial ganhou em Londres foram para atletas que treinaram em Portugal, são mais-valias financeiras que a modalidade traz para o País, potenciando o turismo e a economia local. Portugal é o país da canoagem, toda a gente quer vir para cá, temos que aproveitar. 

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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