sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Estatutos da AF Beja não eram adaptados à realidade"

TEXTO: Carlos Pinto
Na semana em que inaugurou a nova sede da instituição, o presidente da Associação de Futebol de Beja aborda no "CA" a realidade da modalidade na região e diz acreditar que em 2013-2014 voltará a haver campeonato distrital da 2ª divisão.
"Estatutos da AF Beja não eram adaptados à realidade"
José Luís Ildefonso Ramalho, presidente da Associação de Futebol de Beja, 61 anos, natural de Vidigueira
Depois de muitos anos de espera, a Associação de Futebol de Beja (AFB) tem finalmente uma nova sede. Que representa este momento? É o culminar de um sonho, desta e das anteriores direcções. Era um velho sonho de todos, não só para ter uma sede mas, fundamentalmente, para ter condições dignas e que oferecessem um mínimo de condições de trabalho aos nossos funcionários e aos nossos dirigentes. No fundo, instalações que ajudassem a que o futebol possa crescer na nossa região.
  
   Qual foi o investimento da AFB na nova sede? É difícil dizer… [risos] Mas posso dizer que fizemos tudo isto exclusivamente com as verbas que tinham sido angariadas pelas anteriores direcções, junto com a venda da antiga sede [na rua das Portas de Mértola]. O restante foi conseguido pela actual direcção, com o apoio de várias instituições, nomeadamente a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
  
   A nova sede surge na época mais "espremida" dos últimos anos, apenas com um campeonato sénior. Ficou frustrado por não ter sido possível organizar o campeonato da 2ª divisão em 2012-2013? Não me causa nenhuma frustração o que aconteceu e penso que temos de tirar ilações e aprender com as situações menos boas. Essa foi uma situação menos boa que nos veio provar que os nossos estatutos não estavam adaptados à realidade.
  
   Como assim? A nova realidade diz-nos que os clubes têm dificuldades financeiras, que nem todos podem continuar a participar [nos campeonatos] como participavam há alguns anos, pagando a jogadores e a treinadores. Sabemos que o distrito tem características muito específicas, porque são distâncias muito grandes, o que implica custos elevados. E se a tudo isto acrescentarmos a crise no comércio e, fundamentalmente, a situação difícil pela qual passam as autarquias, percebemos porque muitos clubes pura e simplesmente desistiram.
  
   Mas além da crise, a questão da formação também pesou e levou a algumas desistências, "impedindo" a realização da 2ª divisão? Já alterámos essas regras em Assembleia Geral e neste momento a 2ª divisão já se pode realizar com um mínimo de seis clubes. E também alterámos o número mínimo de clubes para a 1ª divisão, pois os estatutos diziam que tinha de ser 14. Ou seja, estávamos sujeitos a que de um momento para outro só aparecessem 13 clubes e nem tínhamos 1ª divisão, porque os regulamentos eram taxativos! Tivemos de nos adaptar à nova realidade e retirámos a obrigação de que todos os clubes para participarem na 1ª divisão tinham de ter uma equipa de formação. Isso foi retirado, pois se as nossas aldeias e vilas estão a ficar com menos jovens, se as escolas e os centros de saúde estão a fechar, naturalmente que as pessoas se vão aproximando dos grandes centros e das vilas. De maneira que não fazia sentido manter uma norma destas, porque qualquer dia não tínhamos clubes… Neste momento, um clube pode ter apenas equipa de seniores e aceder à 1ª divisão ou até mesmo à 2ª divisão nacional. Nada o impede!
  
   Disse recentemente que existe uma "concorrência desleal" por parte do campeonato do Inatel. Em que medida? É uma concorrência desleal porque as associações é que fazem a formação, que é totalmente gratuita. E o Inatel, que devia ter outras finalidades, está a fazer apenas campeonatos de seniores, não faz formação de jovens.
  
   Um campeonato e apenas 14 equipas – é esta a realidade do futebol distrital? Sou um optimista por natureza e acho que para o ano iremos ter muito mais clubes [nos campeonatos seniores]. E estou convencido que para o ano vamos ter 1ª e 2ª divisão distrital. Mas também tenho os pés bem assentes na terra e tenho consciência do que é a nossa realidade. Sempre fomos uma região com dificuldades económicas, dificuldades essas que neste momento são generalizadas em todo o país e ainda mais em todo o interior, não apenas em Beja. Todas as associações do interior, no futebol como em outras actividades, estão a passar momentos difíceis.
  
   Nos escalões de formação também existem poucas equipas. Isso não o preocupa quanto ao futuro? O futebol de formação é algo que nos tem preocupado bastante, assim como à estrutura federativa e aos responsáveis internacionais pelo futebol. Estamos todos um pouco preocupados porque se criou nos nossos jovens aquela ideia da ‘campionite’, ou seja, ganhar a todo o custo. Mas saíram normas este ano da FPF, nomeadamente no que diz respeito a petizes, traquinas, benjamins e infantis de primeiro ano, no sentido de não terem taças e campeonatos a pontos, apenas jogos para se poderem divertir.
  
  
  
  
   segurança causa polémica
  
  
   As novas regras criadas pelo Estado para a segurança dos recintos desportivos já criaram o primeiro "embaraço" à Associação de Futebol de Beja (AFB). Tudo porque a 9 de Dezembro, o árbitro Luís Martins se recusou a dirigir o Bairro da Conceição-FC Serpa por sentir que não estavam reunidas condições de segurança. O jogo acabou mesmo por se realizar… dirigido por responsáveis dos dois clubes. Uma situação que leva o presidente da AFB a admitir que de "devia ter havido mais tempo para preparar" a implementação da nova legislação. "Lamento que tenha acontecido este incidente, mas é bom as pessoas consciencializarem-se que ninguém está acima da lei. E a lei é clara: diz que acabou o policiamento, que tem de haver é segurança. E a segurança pode ser garantida por seguranças do próprio clube, por seguranças contratados pelo clube ou por polícias contratados pelo clube", remata José Luís Ramalho.
Fonte:  http://www.correioalentejo.com

Sem comentários:

Enviar um comentário