Depois do triunfo na Taça Armando Nascimento, o Clube Desportivo de Beja conquistou também o Campeonato Distrital de Juvenis. Um título conseguido numa altura em que o clube atravessa um momento delicado.
Texto e foto Firmino Paixão
O trabalho realizado com os escalões mais jovens do Desportivo de Beja vai, pontualmente, dando sinais de sucesso, depois de alguns erros cometidos no passado, que provocaram a delapidação dos verdadeiros recursos do clube, os escalões de formação. Esta temporada foi a equipa de Juvenis que esteve na ribalta, com a conquista do campeonato e da Taça Armando Nascimento. Uma época difícil, referiu o treinador Paulo Paixão, 33 anos, jovem técnico que comanda estes miúdos há dois anos e que, esta época, só conheceu o caminho do sucesso, oferecendo ao clube onde iniciou o seu percurso formativo dois títulos que podem ser um excelente tónico para aliviar as adversidades com que o histórico Desportivo de Beja se debate.
Um título difícil, mas justo e incomensuravelmente merecido?Foi merecido, mas conseguido com muito trabalho, muita dedicação e muito esforço, abdicando de muita coisa para fazermos estes miúdos evoluir. Não foi de caras. No início do campeonato muita gente dizia que não conseguiríamos, mas nós sempre assumimos esses objetivos, mesmo sabendo que seria difícil; tínhamos adversários com muito valor e difíceis de ultrapassar. Assumimos que desejávamos conquistar a Taça e que queríamos ser campeões e conseguimos alcançar as duas metas. Na verdade não foi fácil, mas é por isso que ainda tem mais sabor.
A dupla conquista do campeonato e da Taça Armando Nascimento (a dobradinha), tem sempre um elevado significado …Sim, não sei quando é que num campeonato de Juvenis essa dobradinha aconteceu, não consigo recordar-me, mas seria interessante sabermos, sobretudo neste contexto de dificuldades que o clube atravessa. Conseguimos fazer evoluir estes miúdos, fizemo-los acreditar, demos-lhes ambição e qualidade de jogo para conquistarem este campeonato, contra tudo e contra todos, sobretudo aqueles que não acreditavam em nós e afinal acabámos por ser bem-sucedidos.
Apenas três derrotas na época. Uma na taça, em Almodôvar, duas no campeonato, em castro Verde e Moura. Uma época positiva?Os poucos resultados negativos aconteceram em momentos em que não conseguimos dispor do grupo todo. A equipa sentiu, principalmente, a ausência de algumas pedras mais fundamentais no conjunto e surgiram esses percalços. Mas, num campeonato onde sabemos que estão outras equipas de grande valor, não podemos exigir que nos corra tudo sempre de feição, é normal que existam momentos em que as coisas correm menos bem. Felizmente foram poucos.
O campeonato teve algum momento competitivo mais marcante, que queira evidenciar?Destaco, por exemplo, o jogo que disputámos em Aljustrel, uma equipa que estava a discutir o título connosco, numa partida em que estivemos em desvantagem por duas bolas a zero e conseguimos dar a volta a um jogo que estava muito complicado para nós, porque tínhamos menos dois jogadores em campo e acabámos por vencer por 7/3. Esse foi o momento marcante do campeonato. Foi um jogo épico, de garra, de sacrifício e de entrega de uma equipa tão jovem que acreditou no seu valor.
O sucesso desta equipa contrasta com a despromoção dos Iniciados, a provável despromoção dos Seniores e as incertezas que se vivem no seio do clube … Por isso este trabalho foi tão importante. Mas também foi mais difícil, face a todas essas conjunturas e pelos constrangimentos que o clube vive fora das quatro linhas. Mas nós fizemos sempre tudo para que houvesse estabilidade, porque não tendo o cenário ideal para sermos bem sucedidos teremos sempre que dar mais de nós. Foi isso que aconteceu. Já na época passada tínhamos conseguido um espetacular segundo lugar e, quando o campeonato acabou, mantivemo-nos a trabalhar mais um mês, criando condições para que, este ano, ganhássemos tudo o que havia para ganhar. Somos uma pequena gota no oceano do Desportivo, mas marcámos a diferença com muito mérito.
O sucesso deu visibilidade à equipa e, provavelmente, também será um impulso para que o treinador se aventure noutros desafios?Estou com vontade disso. Assinalo este ano 10 anos de carreira como treinador, mas sou um jovem treinador e isto, de alguma forma, foi uma prenda: conseguir uma dobradinha num clube que representei e onde cresci desportivamente. Talvez esteja na altura de pensar noutros projetos, mas ainda não decidi nada, tive uma entrega total e um desgaste enorme durante a temporada, agora vou descansar e depois avaliarei essas hipóteses.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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