quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Itália 1934 A vitória para o fascismo

O significado desportivo da final do Mundial'30 e as implicações que o aceso duelo uruguaio-argentino acabaria por ter nos anos seguintes motivou mais expetativa para a edição seguinte, quatro anos mais tarde, em Itália. E de tal forma a organização foi impecável que o certame constituiria um êxito financeiro: nada menos que 68 mil contos nas 17 partidas realizadas. Deduzidas as despesas, constatou-se que o torneio teve um lucro aproximado de 20 mil contos. Para além da vultuosa receita, esta final permitiu também o arrecadar de importantes dividendos a nível político, numa altura em que já era evidente um certo mal estar por toda a Europa, face ao agigantamento nazi e à preocupante escalada no poder de Hitler, que tinha em Mussolini um dos seus mais fiéis aliados.
A Áustria e a Checoslováquia reuniam favoritismo, ao lado da Espanha de Zamora e Lángara, mas o factor casa ditaria, pela segunda vez seguida, as regras do jogo. Depois de despachar os EUA, a squadra azzurra precisou de 210 minutos para eliminar a Espanha, nos quartos-de-final, num encontro muito viril. Nas "meias", os italianos desembaraçaram-se do "wunderteam", como era conhecida a Áustria, grande potência de então com Sindelar, o "homem de papel", a comandar as tropas. No jogo decisivo, com a Checoslováquia, outra seleção com futebol cativante, os nervos imperaram até final, já que foram os checoslovacos os primeiros a marcar, igualando a Itália a 10 minutos do fim. A vitória seria alcançada no prolongamento, com um golo de Schiavio que fez estremecer o Estádio Nacional de Roma. Pela vitória, cada jogador italiano arrecadou 370 contos, importância que dava para comprar um bom apartamento no bairro mais nobre de Milão.
Curiosidades


• Mussolini fez de tudo para confirmar a superioridade do regime e da Itália. Designou árbitros e "nacionalizou" quatro jogadores argentinos e um brasileiro.

• O avançado suíço Leopold Kielholz, autor de três golos na fase final, era conhecido pela excelente visão de jogo. E nunca essa virtude foi tão bem exemplificada, pois o jogador em questão usava óculos! Um Davids muito à frente no tempo.

• Os jogadores da canarinha passavam o tempo agarrados a uma mesa. As cartadas eram tão animadas que os dirigentes da federação brasileira emitiram um comunicado oficial a limitar o jogo por hora e meia... para não cansar os futebolistas.

• O alemão Edmund Conen marcou 3 golos à Bélgica e foi o mais jovem de sempre a balançar as redes com 19 anos e 198 dias - até surgir Pelé, na edição'58 -, mas um problema cardíaco em 36 afastou-o do futebol.

• René Mercet, o suíço que apitou o jogo de desempate entre Itália e Espanha (1-0), nos quartos-de-final, ajudou tanto a squadra azzurra que, depois do Mundial, foi suspenso pela própria FIFA e simbolizou a má jornada dos árbitros.

• Na meia-final entre Itália e Áustria, com muita chuva, o árbitro sueco Ivan Eklind, escolhido por Mussolini, estava tão pressionado que chegou a interceptar com a cabeça um contra-ataque dos austríacos que deixaria Sindelar isolado.

• Benito Mussolini não perdeu um único jogo. Daí a imprensa enfatizar a eventual utilização de sósias do ditador italiano como justificação para as aparições do líder fascista durante jogos quase simultâneos em cidades distantes.

• Anfilógino Guarisi foi o primeiro brasileiro campeão mundial. Depois de representar Portuguesa e Corinthians, o "Filó" foi para Roma, onde nascera a mãe. Jogou na Lazio, naturalizou-se italiano e fez um jogo na campanha, frente aos EUA.

• Como Guarisi, também os argentinos Monti, Orsi e Guaita foram "azzurri". Passada a euforia do título, as autoridades italianas recrutaram o quarteto para a II Grande Guerra, o que motivou o regresso dos jogadores às origens.

• Giampero Combi foi o primeiro guarda-redes a capitanear uma seleção campeã mundial. Só 48 anos depois (1982) é que Dino Zoff, curiosamente outro italiano, recebeu a Taça primeiro que todos os outros. Ambos representavam a Juventus.


Portugal na qualificação

Espanha-Portugal, 9-0
Espanha-Portugal, 1-2

 JogosVitóriasEmpatesDerrotasGolos
Espanha220011-1
Portugal20021-11
RESULTADOS


Oitavos-de-final

Itália-EUA 7-1

Checoslováquia-Roménia 2-1

Alemanha-Bélgica 5-2

Áustria-França 3-2

Espanha-Brasil 3-1

Suíça-Holanda 3-2

Suécia-Argentina 3-2

Hungria-Egito 4-2

Quartos-de-final

Alemanha-Suécia 2-1

Áustria-Hungria 2-1

Itália-Espanha 1-1 (1-0)*

Checoslováquia-Suíça 3-2
* Desempate

Meia-finais

Itália-Áustria 1-0
Checoslováquia-Alemanha 3-1

3.º lugar

Alemanha-Áustria 3-2

Final

Itália-Checoslováquia 2-1

Melhor marcador
Nejedly (Checoslováquia) 5 golos

Fonte:  http://www.record.xl.pt/

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