O
significado desportivo da final do Mundial'30 e as implicações que o
aceso duelo uruguaio-argentino acabaria por ter nos anos seguintes
motivou mais expetativa para a edição seguinte, quatro anos mais tarde,
em Itália. E de tal forma a organização foi impecável que o certame
constituiria um êxito financeiro: nada menos que 68 mil contos nas 17
partidas realizadas. Deduzidas as despesas, constatou-se que o torneio
teve um lucro aproximado de 20 mil contos. Para além da vultuosa
receita, esta final permitiu também o arrecadar de importantes
dividendos a nível político, numa altura em que já era evidente um certo
mal estar por toda a Europa, face ao agigantamento nazi e à preocupante
escalada no poder de Hitler, que tinha em Mussolini um dos seus mais
fiéis aliados.
A Áustria e a Checoslováquia reuniam favoritismo, ao lado da Espanha de Zamora e Lángara, mas o factor casa ditaria, pela segunda vez seguida, as regras do jogo. Depois de despachar os EUA, a squadra azzurra precisou de 210 minutos para eliminar a Espanha, nos quartos-de-final, num encontro muito viril. Nas "meias", os italianos desembaraçaram-se do "wunderteam", como era conhecida a Áustria, grande potência de então com Sindelar, o "homem de papel", a comandar as tropas. No jogo decisivo, com a Checoslováquia, outra seleção com futebol cativante, os nervos imperaram até final, já que foram os checoslovacos os primeiros a marcar, igualando a Itália a 10 minutos do fim. A vitória seria alcançada no prolongamento, com um golo de Schiavio que fez estremecer o Estádio Nacional de Roma. Pela vitória, cada jogador italiano arrecadou 370 contos, importância que dava para comprar um bom apartamento no bairro mais nobre de Milão.
Curiosidades
• Mussolini fez de tudo para confirmar a superioridade do regime e da Itália. Designou árbitros e "nacionalizou" quatro jogadores argentinos e um brasileiro.
• O avançado suíço Leopold Kielholz, autor de três golos na fase final, era conhecido pela excelente visão de jogo. E nunca essa virtude foi tão bem exemplificada, pois o jogador em questão usava óculos! Um Davids muito à frente no tempo.
• Os jogadores da canarinha passavam o tempo agarrados a uma mesa. As cartadas eram tão animadas que os dirigentes da federação brasileira emitiram um comunicado oficial a limitar o jogo por hora e meia... para não cansar os futebolistas.
• O alemão Edmund Conen marcou 3 golos à Bélgica e foi o mais jovem de sempre a balançar as redes com 19 anos e 198 dias - até surgir Pelé, na edição'58 -, mas um problema cardíaco em 36 afastou-o do futebol.
• René Mercet, o suíço que apitou o jogo de desempate entre Itália e Espanha (1-0), nos quartos-de-final, ajudou tanto a squadra azzurra que, depois do Mundial, foi suspenso pela própria FIFA e simbolizou a má jornada dos árbitros.
• Na meia-final entre Itália e Áustria, com muita chuva, o árbitro sueco Ivan Eklind, escolhido por Mussolini, estava tão pressionado que chegou a interceptar com a cabeça um contra-ataque dos austríacos que deixaria Sindelar isolado.
• Benito Mussolini não perdeu um único jogo. Daí a imprensa enfatizar a eventual utilização de sósias do ditador italiano como justificação para as aparições do líder fascista durante jogos quase simultâneos em cidades distantes.
• Anfilógino Guarisi foi o primeiro brasileiro campeão mundial. Depois de representar Portuguesa e Corinthians, o "Filó" foi para Roma, onde nascera a mãe. Jogou na Lazio, naturalizou-se italiano e fez um jogo na campanha, frente aos EUA.
• Como Guarisi, também os argentinos Monti, Orsi e Guaita foram "azzurri". Passada a euforia do título, as autoridades italianas recrutaram o quarteto para a II Grande Guerra, o que motivou o regresso dos jogadores às origens.
• Giampero Combi foi o primeiro guarda-redes a capitanear uma seleção campeã mundial. Só 48 anos depois (1982) é que Dino Zoff, curiosamente outro italiano, recebeu a Taça primeiro que todos os outros. Ambos representavam a Juventus.
Portugal na qualificação
Espanha-Portugal, 9-0
Espanha-Portugal, 1-2
RESULTADOS
Oitavos-de-final
Itália-EUA 7-1
Checoslováquia-Roménia 2-1
Alemanha-Bélgica 5-2
Áustria-França 3-2
Espanha-Brasil 3-1
Suíça-Holanda 3-2
Suécia-Argentina 3-2
Hungria-Egito 4-2
Quartos-de-final
Alemanha-Suécia 2-1
Áustria-Hungria 2-1
Itália-Espanha 1-1 (1-0)*
Checoslováquia-Suíça 3-2
* Desempate
Meia-finais
Itália-Áustria 1-0
Checoslováquia-Alemanha 3-1
3.º lugar
Alemanha-Áustria 3-2
Final
Itália-Checoslováquia 2-1
Melhor marcador
Nejedly (Checoslováquia) 5 golos
Fonte: http://www.record.xl.pt/
A Áustria e a Checoslováquia reuniam favoritismo, ao lado da Espanha de Zamora e Lángara, mas o factor casa ditaria, pela segunda vez seguida, as regras do jogo. Depois de despachar os EUA, a squadra azzurra precisou de 210 minutos para eliminar a Espanha, nos quartos-de-final, num encontro muito viril. Nas "meias", os italianos desembaraçaram-se do "wunderteam", como era conhecida a Áustria, grande potência de então com Sindelar, o "homem de papel", a comandar as tropas. No jogo decisivo, com a Checoslováquia, outra seleção com futebol cativante, os nervos imperaram até final, já que foram os checoslovacos os primeiros a marcar, igualando a Itália a 10 minutos do fim. A vitória seria alcançada no prolongamento, com um golo de Schiavio que fez estremecer o Estádio Nacional de Roma. Pela vitória, cada jogador italiano arrecadou 370 contos, importância que dava para comprar um bom apartamento no bairro mais nobre de Milão.
Curiosidades
• Mussolini fez de tudo para confirmar a superioridade do regime e da Itália. Designou árbitros e "nacionalizou" quatro jogadores argentinos e um brasileiro.
• O avançado suíço Leopold Kielholz, autor de três golos na fase final, era conhecido pela excelente visão de jogo. E nunca essa virtude foi tão bem exemplificada, pois o jogador em questão usava óculos! Um Davids muito à frente no tempo.
• Os jogadores da canarinha passavam o tempo agarrados a uma mesa. As cartadas eram tão animadas que os dirigentes da federação brasileira emitiram um comunicado oficial a limitar o jogo por hora e meia... para não cansar os futebolistas.
• O alemão Edmund Conen marcou 3 golos à Bélgica e foi o mais jovem de sempre a balançar as redes com 19 anos e 198 dias - até surgir Pelé, na edição'58 -, mas um problema cardíaco em 36 afastou-o do futebol.
• René Mercet, o suíço que apitou o jogo de desempate entre Itália e Espanha (1-0), nos quartos-de-final, ajudou tanto a squadra azzurra que, depois do Mundial, foi suspenso pela própria FIFA e simbolizou a má jornada dos árbitros.
• Na meia-final entre Itália e Áustria, com muita chuva, o árbitro sueco Ivan Eklind, escolhido por Mussolini, estava tão pressionado que chegou a interceptar com a cabeça um contra-ataque dos austríacos que deixaria Sindelar isolado.
• Benito Mussolini não perdeu um único jogo. Daí a imprensa enfatizar a eventual utilização de sósias do ditador italiano como justificação para as aparições do líder fascista durante jogos quase simultâneos em cidades distantes.
• Anfilógino Guarisi foi o primeiro brasileiro campeão mundial. Depois de representar Portuguesa e Corinthians, o "Filó" foi para Roma, onde nascera a mãe. Jogou na Lazio, naturalizou-se italiano e fez um jogo na campanha, frente aos EUA.
• Como Guarisi, também os argentinos Monti, Orsi e Guaita foram "azzurri". Passada a euforia do título, as autoridades italianas recrutaram o quarteto para a II Grande Guerra, o que motivou o regresso dos jogadores às origens.
• Giampero Combi foi o primeiro guarda-redes a capitanear uma seleção campeã mundial. Só 48 anos depois (1982) é que Dino Zoff, curiosamente outro italiano, recebeu a Taça primeiro que todos os outros. Ambos representavam a Juventus.
Portugal na qualificação
Espanha-Portugal, 9-0
Espanha-Portugal, 1-2
| Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas | Golos | |
| Espanha | 2 | 2 | 0 | 0 | 11-1 |
| Portugal | 2 | 0 | 0 | 2 | 1-11 |
Oitavos-de-final
Itália-EUA 7-1
Checoslováquia-Roménia 2-1
Alemanha-Bélgica 5-2
Áustria-França 3-2
Espanha-Brasil 3-1
Suíça-Holanda 3-2
Suécia-Argentina 3-2
Hungria-Egito 4-2
Quartos-de-final
Alemanha-Suécia 2-1
Áustria-Hungria 2-1
Itália-Espanha 1-1 (1-0)*
Checoslováquia-Suíça 3-2
* Desempate
Meia-finais
Itália-Áustria 1-0
Checoslováquia-Alemanha 3-1
3.º lugar
Alemanha-Áustria 3-2
Final
Itália-Checoslováquia 2-1
Melhor marcador
Nejedly (Checoslováquia) 5 golos
Fonte: http://www.record.xl.pt/
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