O nome de António Teresa Guerreiro Sabino, pouco dirá a quem observa o futebol com maior proximidade, então, falemos do Tonico, o jogador nascido em Santa Luzia, quatro meses depois da Revolução dos Cravos.
Texto e foto Firmino Paixão
Assim, todos identificarão o atleta dedicado e voluntarioso que iniciou a carreira nos iniciados do Ourique Desportos Clube, emblema que representou em 12 temporadas. Dali saiu para Aljustrel, onde diz ter vivido os melhores momentos da carreira nas oito épocas que vestiu a camisola tricolor. O Panóias, na época 2011/12, foi a sua ponte para o Odemirense, que representou nas últimas duas temporadas. Amanhã, no Municipal de Aljustrel, despede-se do futebol, no seio de amigos, antigos colegas e treinadores, que renderão a melhor homenagem a este operário do futebol que sempre foi um construtor de alicerces para a amizade.
Chegou a hora de dizer adeus ao futebol após 25 anos de carreira?Tenho imensa pena, mas fui obrigado a abandonar o futebol. Reconheço que vivi grandes momentos e tenho recordações que guardarei para sempre na minha memória. Mas a máquina (o coração) não está bem, houve um problema de saúde que me obrigou a fazer uns exames e os médicos aconselharam-me a não fazer muitos esforços, para não me expor a algum dissabor mais grave.
Quatro clubes, muitos jogadores, muitos treinadores…Uns marcaram-me mais do que outros, mas todos me ajudaram muito a construir e a consolidar a minha carreira de jogador, que nunca esperei ter esta dimensão. Olho para trás e sinto muito orgulho neste percurso. Tenho igual respeito, carinho e admiração por todos os clubes que representei, mas que me perdoem os outros, o Mineiro Aljustrelense foi aquele que me marcou mais, porque foi com aquela camisola que vivi os melhores momentos.
Mas sai do futebol com a camisola do Odemirense?Sim, também ficarei muito grato ao Odemirense, porque me acolheu já na parte final do meu percurso de jogador e será como jogador deste clube que fica concluído o meu percurso. Em Odemira também encontrei um bom grupo, gente muito séria, conhecia o míster e isso ajudou-me muito na decisão de representar o clube
O futebol deixa-lhe muitas recordações?Muitas e muito boas. É um desporto extremamente aliciante e muito gratificante, através do futebol conhecemos muitas pessoas e fazemos grandes amizades. É com muita mágoa que fecho este ciclo e abandono o futebol.
Como avalia a sua carreira de futebolista?Fui sempre um jogador dedicado aos clubes que representei, fi-lo sempre na base do respeito por todos. Prefiro que sejam as outras pessoas a avaliar o que eu dei ao futebol, mas acho que fui sempre um jogador disponível para ajudar a equipa, trabalhando todos os dias para estar cada vez melhor.
Qual o melhor momento que viveu no futebol?Foi o título da 3.ª Divisão, e a consequente subida à 2.ª Divisão Nacional, conquistado com a camisola do Mineiro. Foram emoções que jamais esquecerei. Os seus adeptos são diferentes de todos os outros. Nunca tinha visto uma massa associativa com tanto amor e dedicação ao seu clube. Mas em todos os clubes por onde passei privilegiei a amizade com toda a gente. Guardo boas recordações de todas as pessoas que conheci no futebol, e espero que, em relação a mim, o sentimento seja o mesmo.
E os momentos menos bons da carreira?Não os valorizo, foram tantos os momentos de alegria e, às vezes, de glória que desses nem me lembro, mas sinto muita tristeza pela forma e pelas razões porque agora abandono o futebol. Mas, em face dos conselhos médicos, não terei outro remédio.
A par do futebol tem uma vida de trabalho duro, não tem conselho médico que o impeça?Precisamente. Trabalho na construção civil, tenho uma vida dura, que começa, diariamente, às seis e meia da manhã. Quando andava a treinar chegava a casa sempre depois das dez da noite. É uma vida dura, muito complicada para conciliar com a família, no entanto, a força de vontade que eu sempre tive e a força que os amigos me deram ao longo da carreira ajudaram a superar as dificuldades.
Um dia o cansaço era tanto, mas a vontade de ajudar a equipa era ainda maior, que acabou por adormecer no banco de suplentes do Mineiro …É verdade. Foi numa altura de trabalho muito duro e muito intenso, levantar cedo e deitar tarde, trabalhar naquilo que é o sustento principal, estar no futebol por prazer e usufruir da companhia e do carinho da família, às vezes, não cabiam num só dia. Quando me sentava só tinha vontade de fechar os olhinhos, aconteceu um dia no banco do Mineiro, o mister Arlindo Morais teve que me acordar. Houve sempre uma compreensão muito grande de todos eles, colegas, dirigentes e técnicos. Estou muito grato a todos.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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