sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ganhar ou perder, importa pouco...


Fundada no ano de 2003, a Grandolafoot – Escola de Futebol em Grândola surgiu na Vila Morena para colmatar o que, na altura, os seus promotores reclamavam da necessidade de intervir junto dos mais jovens.

Texto e foto Firmino Paixão


E como fazê-lo? Estimulando a prática desportiva e promovendo outras ações pedagógicas educacionais, em interação com outros agentes da comunidade. Onze anos depois, e muitas horas de dedicação após a criação desta estrutura associativa do concelho, o saldo é francamente positivo. No plano desportivo e social mas, sobretudo, no historial de bem-estar, de alegria e saudável convivência que proporcionaram a centenas de jovens. Henrique Verdades, o atual presidente da Grandolafoot, sublinha essas páginas de felicidade e enumera os melhores e piores momentos deste percurso da Escola de Futebol de Grândola.


O Grandolafoot prossegue a bem sucedida missão de proporcionar aos miúdos da terra hábitos de vida saudáveis e de boa prática desportiva?Já lá vão 11 anos desde que iniciámos este trabalho e já temos dois profissionais no futebol português que começaram na Grandolafoot. Um está no Estoril Praia e o outro no Vitória de Setúbal. A nossa vocação não é muito essa mas, seja como for, não podemos negar que foi fruto do nosso trabalho.


Mas existem outras vertentes na vossa filosofia de formação?Sim, por exemplo, este ano conseguimos fazer com que os 42 alunos da nossa escola tivessem um aproveitamento escolar muito bom. Em termos competitivos vamos mantendo estes miúdos, a quem proporcionamos a presença em alguns convívios. O nosso trabalho é essencialmente esse, construir equipas e proporcionar-‑lhes, no final de cada ano, alguns convívios importantíssimos.


Com as fronteiras para além da região alentejana?Já fizemos seis “Mundialitos”, quatro “Copas”, fomos duas vezes a França e, este ano, estaremos em Marbella na “Ibercup”, naturalmente com a ajuda de todos os pais e como corolário de todo o trabalho que temos feito, e estamos a falar de milhares de euros que conseguimos arranjar para proporcionarmos estes convívios aos miúdos. Ganhar ou perder importa pouco, o que queremos é mostrar as nossas equipas, divulgar o nosso trabalho e permitir que os miúdos se divirtam.


Os pais dos atletas são um dos pilares onde assenta esta vossa atividade?Há 10 anos era, efetivamente, assim, mas agora podia ser melhor. Nos últimos tempos a vida tem dado muitas voltas, acompanhamos o percurso dos pais e cada vez notamos um afastamento maior. Quando os miúdos são traquinas vêm 20 pais, quando passam a benjamins vêm 10 e quando chegam a infantis só aparecem cinco, e quando estão no futebol de 11 deixam de aparecer, ou se aparecem é só para dizerem mal. Não é fácil mudar essas mentalidades, mas seja como for, nós vamos continuar a lutar contra tudo isso e certamente que fazendo isto que fazemos promoveremos a união entre os pais.


Portanto, reclama mais e melhor apoio dos pais, é isso?Sim, a vida está difícil, existem muitos constrangimentos financeiros, que muitas vezes não servem de desculpa, mas que também serão uma desculpa, e nós temos a capacidade de perceber os pais, porque conhecemo-los, todos eles podem ter os filhos connosco, mas a crise tem explicado muitas coisas e tem servido de escudo para outras.


Quarenta e dois miúdos enquadrados em equipas de petizes, de traquinas, benjamins e infantis…Sim e ficamos por aí porque não queremos futebol de 11. Não está no nosso horizonte, é muito difícil trabalhar com os miúdos a esse nível. Se olharmos para trás, os pais, os treinadores e os professores eram as referências, e hoje em dia o pai é um “cota”, o professor não serve e o árbitro é um filho da mãe e há sempre situações muito complicadas. Sabemos que há valores que se vão perdendo e os jovens hoje fazem coisas que nós não fazíamos no nosso tempo e têm sempre desculpas para tudo.




Mas tem valido a pena este percurso da Grandolafoot?Continuará a valer a pena porque nos batemos por estes valores que defendemos, temos mais oito miúdos que vão entrar para a Grandolafoot no próximo ano, mas também já tivemos casos de miúdos que não querem cá estar porque não gostam de regras, não gostam de ser chamados à atenção, mas quando saem nós ficamos com a consciência de termos tentado fazer alguma coisa pela sua formação desportiva.


Os vossos apoios são suficientes?O município de Grândola continua a ser o suporte que sempre foi. Não aumentou muito em termos de verbas, porque as coisas estão difíceis, mas em termos materiais temos conseguido melhores apoios. O dinheiro nem sempre é o mais importante. Temos o suporte do transporte escolar que fazemos com as nossas quatro carrinhas, licenciadas para trabalhar nessa área, e temos condições de segurança para transporte os nossos atletas. Mas o apoio dos pais também é relevante.

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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