AUTOR
José Bragança |
Aviso:
a crónica que estão prestes a ler relata um jogo desinteressante e onde
dificilmente se pode concluir algo significativo do que se viu na Arena
Corinthians. A intensidade do jogo oscilou entre o mediano e o
medíocre. O jogo foi resolvido apenas nas grandes penalidades onde o
argentino Sergio Romero esticou as mãos para colocar o seu país na final
do Maracanã.
Enzo a pautar o jogo argentinoQuando Martinho da Vila cantou o "devagar, devagarinho" pela primeira vez, música de Eraldo Divagar, estava o cantor carioca longe de imaginar que a música iria descrever na perfeição o jogo da meia final do Campeonato do Mundo entre Holanda e Argentina, este ano, em São Paulo.As fintas hipnotizantes de Agüero, os dribles com a bola feito íman no pé de Leo Messi, o "perfume" espalhado por Robben, a classe infinita de Van Persie ou defesas miraculosas de Jasper Cillessen e Sergio Romero. O «cardápio» era perfeito para o dia de futebol no Estádio Itaquerão. Era, pois era... Mas não foi. Nível altíssimo, futebol luminoso, estilo Renascentista. Nada mais justo do que um jogo como este para os adeptos da bola. Duas seleções com prazer pelo futebol de ambição e conquista. Prometeu muito, é verdade. Ficou apenas pela promessa. Com um passado comum em jogos decisivos de Campeonatos do Mundo, argentinos e holandeses entraram em campo, esta terça-feira, em jogo da meia final do Mundial, em busca de escrever mais uma página de história nesta competição já toda ela recheada de momentos para mais tarde recordar. Havia uma presença na final para garantir e, por isso, ambos os conjuntos tentaram resolver o jogo de hoje desde cedo mas em ritmo baixo. Aqui e ali os argentinos conseguiam espaço para explanar o seu futebol, com a presença de Messi, embora a primeira situação de perigo das pampas fosse protagonizada por Enzo Pérez. A Argentina andava aos soluços em campo mas, nem por isso, os holandeses desmontavam o seu sistema tático bem alicerçado na coesão defensiva e na transição rápida (quase sempre mortífera em outros jogos) de Robben, Van Persie e companhia que, todavia, não se viram hoje. Em São Paulo, Alejandro Sabella, sem o lesionado Ángel Di María, colocou Enzo Pérez no onze titular, tal como Marcos Rojo, do Sporting. O defesa regressou ao onze após castigo e o médio rendeu o lesionado Di María. No ataque, Messi teve a companhia de Higuaín e Lavezzi. Mais atrás, Garay, ex-Benfica, conservou a titularidade. Mas foi o médio encarnado que se mostrou em bom plano participando em todas as fases do processo ofensivo da equipa sul-americana. Dinâmico, incisivo, objetivo, Enzo pautou o jogo da Argentina. No entanto, o técnico da albiceleste sabia bem que nem sempre todo o talento do ataque basta. Era, no entanto, pelo sonho da volta olímpica com a taça no Estádio Maracanã, no próximo domingo, que os argentinos lutavam. Nas bancadas, os adeptos das pampas entoavam os seus longos, dinâmicos e melodiosos cânticos na tentativa de empurrar a sua equipa para junto da baliza holandesa. O jogo desenrolava-se de forma muito tática, muito jogado no meio-campo e com marcações muito cerradas. A Holanda era por esta altura uma caricatura da candidata ao título. Tinha bola, é certo que sim, mas todas as (poucas) intenções ofensivas morriam prematuramente. Sem capacidade de explorar as alas, por exemplo, a equipa de Loius van Gaal tentava entrar em combinações pelo centro que não chegavam à zona de finalização. Até ao descanso a pressão inteligente dos argentinos continuou por manter os holandeses longe das redes de Romero. O nulo "chato" ao intervalo era, ainda assim, um resultado justo perante o que se tinha visto. Um jogo muito amarrado e sem ocasiões reais de golo. Nada de novo até aos penáltisO mesmo cenário manteve-se no regresso dos balneários com a Holanda a circular a bola e a Argentina a tentar sair com perigo para o ataque, mas sempre a «estancar» o (novo) ADN holandês na relva. O futebol era pobre e com pouco interesse no Itaqueirão, em São Paulo. Existia, sobretudo, medo de parte a parte em arriscar e o prolongamento era um cenário a ganhar cada vez mais força.No tempo extra o jogo ganhou alguma emoção e ritmo mas, ainda assim, pouco. Os jogadores, sempre atentos às marcações e ao rigor tático, iam circulando a bola com maior intensidade. Robben, que andou desaparecido durante o tempo regulamentar, deu espetáculo, aos 96 minutos, tirando três adversários do caminho na lateral da área e só a chegada de Mascherano permitiu resolver uma jogada de registo do holandês. Mas, o prolongamento também não trouxe nada de novo. A partida tinha, por isso, que ser resolvida através da marca de grande penalidade. No final, um "cavalo de batalha" assumido: a defesa da coqueluche. Sergio Romero, a nova pérola argentina. Frio mas ao mesmo tempo o toque de explosão dos argentinos. Vertigem e felicidade. Era a euforia dos adeptos condensada num só homem. O guarda-redes travou duas grandes penalidades e colocou os hermanos na final do Campeonato do Mundo.
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