Pedro Mestre e João Roque são dois jovens bejenses (da Associação Pagaia Sul), que no final deste mês estarão em França com a seleção que representará Portugal no 11.º Campeonato do Mundo de kayak polo.
Texto e fotos Firmino Paixão
Thury-Harcourt é uma cidade francesa na comuna da Baixa Normandia, nos arredores de Caen, com pouco mais de dois mil habitantes e banhada pelo Rio L’Orne. O local onde nos próximos dias, 22 a 28, vai decorrer o 11.º Campeonato do Mundo de kayak polo, um evento que reunirá cerca de 600 desportistas de vários cantos do planeta. Vão estar presentes 24 equipas de cinco continentes e entre elas a seleção holandesa, campeã do mundo em título, mas também a Espanha (3.º lugar no Europeu de 2013), a Suíça, (9.ª no Mundial de 2012), o Japão e o Brasil, 16.º e 22.º classificado no Mundial de 2012, respetivamente. E será com estas equipas que a seleção de Portugal vai competir, enquadrada no Grupo A, que reúne três das melhores equipas mundiais na especialidade. Não se sabe, será pouco provável, que a bandeira portuguesa venha a subir a algum dos mastros do pódio, mas a bandeira da cidade de Beja e o orgulho alentejano estará certamente presente no coração dos dois atletas bejenses que integra a representação da Federação Portuguesa de Canoagem.
Pedro Mestre, 19 anos, João Roque, 23, dois jogadores da equipa de kayak polo da Associação Pagaia Sul, de Beja, estão entre os oitos eleitos pelo selecionador nacional, João Ribeiro, para este mundial. Estão, quer isso dizer, entre os oito melhores atletas da especialidade.
O João Roque tem mais experiência internacional. É o segundo Mundial onde irá competir, mas já tem dois campeonatos da Europa e vários torneios com a camisola nacional nos seis anos que tem de internacional. Por isso confessa: “O kayak polo é uma paixão, é só mesmo para quem gosta, porque não é uma modalidade fácil, aprende-se bem e desenvolve algumas capacidades, mas tem muita exigência física e apela à concentração”. Pedro Mestre abraçou a modalidade há seis anos, falhou a primeira convocatória para um Mundial, participou também em dois Europeus e vários torneios e assume: “O kayak polo fez-me crescer como atleta, temos um espírito de grupo muito forte e uma grande amizade, somos uma família”. Tanto um como o outro chegaram à modalidade através da Associação Juvenil “Arruaça”, que promove atividades de tempos livres na cidade de Beja durante a época estival, e acabaram por ficar agarrados às pagaias e ao projeto que mais tarde nasceu com o nome de Pagaia Sul, clube que atualmente representam e pelo qual disputam os campeonatos nacionais. O retorno da sua visibilidade como atletas internacionais pagam-no em voluntariado no polo de restauração que a Pagaia Sul tem no Parque da Cidade, em Beja, mas a Associação também ajuda, revelou Pedro Mestre: “Os tempos não estão fáceis e a associação tem algumas dificuldades, mas sempre que pode apoiam-nos em deslocações e no contributo que temos que dar à federação”. João Roque entende: “A nossa presença na seleção é muito importante para o prestígio e visibilidade da Pagaia Sul, mas temos que agradecer todo o investimento que têm feito em nós e o apoio que nos têm dado, quer na logística, quer em deslocações”.
Os dois jogadores têm integrado todos os estágios promovidos pela Federação Portuguesa de Canoagem e foi com naturalidade que viram os seus nomes entre os oito eleitos, pelo selecionador João Ribeiro, para este Mundial. João Roque comentou: “É um projeto que o selecionador iniciou há dois anos e não quer perder nenhum destes jogadores, a equipa está unida há algum tempo, está forte e coesa, e pessoalmente sinto muito orgulho por este meu percurso, os meus colegas de equipa também ficam felizes por estarmos os dois a competir a este nível”. João Roque reconhece: “Qualquer atleta quer chegar até aqui, vestir a camisola nacional é o topo da carreira, é um orgulho enorme, só nos falta mesmo uma grande conquista para Portugal”. O sentimento de Pedro Mestre não difere muito. “Sinto-me muito orgulhoso por defender o meu país numa competição tão importante. É mais uma etapa da minha vida desportiva. É o meu primeiro campeonato do mundo, vestir a camisola nacional e conhecer novos mundos, novos atletas, é o sonho de qualquer jovem desportista”.
Portugal competirá num grupo muito forte e João Roque sabe que “será uma campanha muito difícil, mas nada é impossível”. “O objetivo passa por ficarmos nos dez primeiros”, desejo partilhado por Pedro Mestre: “Estamos motivados para fazermos um bom campeonato, estamos num grupo muito forte, mas a nossa equipa também está muito coesa, muito ambiciosa”. Sendo assim, que a sorte seja proporcional ao vosso orgulho, à vossa ambição.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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