José Saúde
Conheço a família Agatão já lá vão mais de
50 anos. Gentes simples e honestas que jamais renegaram as suas
proveniências. O Terreirinho das Peças, em Beja, apresentou-se outrora
como o palco de um clã de jogadores que espalhou magia no futebol, sendo
o pimpolho mais novo aquele que singrou no palanque profissional: o
Chico. A esquadra de atletas que D. Rosalina trouxe ao mundo, começou
com o Carlos (Palico), seguindo-se o Zé Mário, o Delfim e, por último, o
Chico. Asseguro que todos deixaram os seus nomes gravados na história
do futebol alentejano. Todos disseminaram o dom do jogo da bola, ficando
as suas histórias idolatradas nos anais biográficos de gerações que
honraram uma modalidade que os colocou no zénite. Não vou, por razões
óbvias, alargar-me no contexto generalizado de uma tribo que soube
honrar a simplicidade de um homem chamado Aniceto Agatão, o fidedigno
progenitor que gerou uma estirpe de craques. A minha narrativa incide,
meramente, sobre o rapaz que selou a fábrica da explícita marca Agatão. O
Chico, rapaz que curtiu sempre uma fidelidade extrema, percorreu os
estreitos corredores do cosmos futebolístico, sendo o seu percurso
imaculado. Em Beja defendeu as cores da Zona Azul, do Despertar e do
Desportivo, transitando depois, como profissional, para o Elvas,
Boavista, Estrela da Amadora e Estoril, seguindo-se uma experiência como
treinador. Primeiro como adjunto de Carlos Manuel, depois como técnico
principal. Agora, numa fase de um pressuposto apaziguamento e de cabais
reflexões, assumiu o comando técnico do Mineiro Aljustrelense, equipa
que milita no campeonato nacional de seniores. A proposta, quiçá ousada,
deu-‑lhe ânimo e eis o Chico Agatão de regresso a um mundo onde foi
ilustre protagonista e sobretudo merecedor de uma simpatia que
arriscaria designar como inigualável. Força Chico, fortuna para o
Mineiro e que o final seja literalmente feliz!
Fonte: http://da.ambaal.pt
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