Firmino Paixão
O Carlos Venâncio, que todos conhecemos melhor por Ildo, foi durante a sua carreira desportiva uma das mais genuínas figuras que atuaram nos clubes da nossa região, onde representou o Despertar, o Desportivo de Beja e o Aljustrelense. Teve sempre uma visão muito própria do futebol, nem sempre seria a mais convencional, mas era o seu modo de viver a modalidade por quem desde garoto se apaixonou desde os tempos das equipas do “Automobilista” e do “Pax Julia”. Teve uma personalidade enquanto jogador, tecnicista, viril, às vezes travessa, outras tão diferente quanto surpreendente, enquanto treinador, estratega, exigente e disciplinador.
Nos últimos anos foi um pilar determinante na sobrevivência do Desportivo de Beja, afinal, estava também em causa a sua própria subsistência. Teve um percurso de vida atribulado, usava de uma invulgar astúcia para contornar a adversidade. Naturalmente, não se lhe reconhecem apenas virtudes, terá cometido muitos erros ao longo da vida.
Um deles, senão o pior e último, terá sido essa teimosa, agora falaciosa, astúcia que o levou a querer contornar o que deveriam ter sido as boas práticas de preservação da saúde, após um primeiro sinal que não valorizou na exata medida em que se aconselhava.
O Carlos Venâncio está agora com 71 anos e internado no Hospital de Serpa, numa luta desigual contra a doença, tentando driblar o destino, mas sem a técnica ou a autonomia de outros tempos, nem a qualidade de vida com que sempre terá sonhado terminar os seus dias. Merece que o recordemos ainda em vida, pelo valor que acrescentou ao futebol regional, pelos exemplos, os bons e os maus, que nos legou, porque com todos aprendemos. Obrigado Ildo, enquanto ainda nos podes ler e ouvir, crê que estamos reconhecidos pelo que deste ao desporto da nossa terra.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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