Algarve Cup
O discurso de apresentação do evento esteve a cargo do vice-presidente da FPF, Carlos Coutada, que enalteceu o interesse do público e da comunicação social numa competição que tem vindo a crescer de ano para ano. Carlos Coutada lembrou, ainda, os principais objetivos do III Seminário Internacional de futebol feminino: "Esta é uma oportunidade única para trocarmos experiências, refletirmos e aprendermos uns com os outros. O resultado só será bom para o futebol feminino."
França: um caso de sucesso
A Seleção Nacional francesa de futebol conseguiu uma boa participação no último Campeonato do Mundo (Alemanha, em 2011) e a partir daí tornou-se num sério "case study" de sucesso, já que a repercussão da modalidade em terras gaulesas não era grande. Brigitte Henriques (Secretária-Geral da FFF) e Frédérique Jossinet (Coordenadora do Plano de Desenvolvimento do futebol feminino na FFF) explicaram a forma como a atual 3.ª classificada do ranking FIFA conseguiu o prestígio que tem e frisaram a importância do investimento que a atual direção da federação francesa está a levar a cabo na modalidade. A criação de equipas femininas em dois dos principais emblemas gauleses (Paris Saint-Germain e Lyon) e a constituição da Academia de Clairefontaine como "quartel-general" das seleções femininas foram também aspetos considerados fundamentais para que a França desse o "salto" definitivo em termos de desenvolvimento do futebol feminino.
Reflexões importantes
Marco António, jornalista que conduziu a apresentação do evento, chamou depois alguns dos principais protagonistas da Algarve Cup e do futebol feminino mundial para uma conversa informal onde foram abordadas algumas das questões centrais no futebol feminino e as perspetivas para o Campeonato do Mundo de 2015, que vai decorrer no Canadá entre 6 de junho e 5 de julho.
Pia Sundhage (selecionadora da Suécia): "O mais importante é prepararmos o Campeonato do Mundo. Vamos tentar fazer o nosso melhor aqui na Algarve Cup e no Mundial do Canadá. É óbvio que defrontar algumas das minhas antigas jogadoras é especial, mas apenas até ao apito final. Durante o jogo, é tudo muito normal e prático. Penso que toda a gente prefere relvados naturais, mas penso que esse fator [relvados artificiais] não será o mais importante durante a competição. O meu maior segredo como treinadora? Ouvir aquilo que as jogadoras gostam de fazer."
Norio Sasaki (selecionadoro do Japão): "Quem é o maior favorito ao Campeonato do Mundo? O Japão! [risos] Penso que o mais importante é continuarmos a trabalhar muito e bem para não facilitarmos a vida aos adversários. Penso que estamos no bom caminho e queremos chegar ao mais alto nível ao Campeonato do Mundo. Para além da competência, é importante que um treinador seja mesmo muito bem parecido para conseguir bons resultados [risos]."
Jill Ellis (selecionadora norte-americana): "É óbvio que sonhamos em conquistar o troféu, mas primeiro queremos muito atingir o nível que tínhamos há alguns anos. Esta é uma nova geração de jogadoras e no Mundial queremos fazer boa figura. Sabemos que, quanto mais aproximarmos do início da prova, mais pressão da imprensa teremos, mas temos de saber contornar essa questão e fazer o nosso papel. Trouxemos até à Algarve Cup algumas jogadoras novas que queremos observar e penso que temos uma mescla entre juventude e experiência que pode funcionar.
Vadão (selecionador do Brasil): "É um prazer enorme estar pela primeira vez na Algarve Cup e tivemos todo o prazer em aceitar o convite endereçado pela Federação Portuguesa de Futebol. Tivemos um bom estágio antes desta competição e pensamos que apenas vai beneficiar a nossa participação no Campeonato do Mundo. Estamos muito satisfetos por contarmos com as nossas jogadoras em regime de exclusividade até aos Jogos Olímpicos, embora elas possam disputar o campeonato brasileiro quando não estivermos em competição. Houve alguma resistência ao nível dos clubes, mas depois tudo se resolveu. O futebol feminino brasileiro ainda está muito longe do desenvolvimento de alguns dos que estão aqui representados, mas as nossas meninas são especiais. Tentaremos não depender das individualidades e apostar no jogo coletivo."
Martina Voss-Tecklenburg (selecionadora da Suiça) : "O importante é ganhar jogos e não dar entrevistas! Este ano vamos participar pela primeira vez no Mundial e queremos provar que, depois de uma boa qualificação, podemos incomodar as equipas mais fortes. A Suiça não é favorita, mas vamos tentar a melhor participação possível, sendo que na Algarve Cup vamos testar algumas das jogadoras em que vamos apostar no Campeonato do Mundo."
Ulrike Ballweg (treinadora-adjunta da Alemanha): "É verdade que nos custou perder a final do último Campeonato do Mundo, mas agora tivemos de levantar a cabeça e continuar a trabalhar. Temos uma nova oportunidade para tentar fazer uma boa competição e esperamos que defrontar todas estas equipas de grande valor nos deixe bem preparadas."
Lene Mykjaaland (jogadora da Noruega): "Acho que as jogadoras de futebol feminino têm de lutar pelos seus direitos. É óbvio que toda a gente preferia jogar em relvados naturais no Mundial, mas não podemos pensar mais nisso agora. Estamos unidas e concentradas em prol de um objetivo comum, somos uma equipa guerreira e competitiva. Não nos consideramos favoritas, mas podemos discutir o jogo frente a qualquer equipa. Vamos aproveitar os jogos da Algarve Cup para afinar a nossa estratégia, é uma ótima competição para darmos sequência à nossa preparação."
Coaching e Liderança
No arranque do segundo bloco de intervenções do 3.º Seminário Internacional de Futebol Feminino, Rui Lança abordou as questões relacionadas com o coaching e a liderança no futebol feminino, frisando que a autonomia, com responsabilidade, é uma das chaves para o sucesso. Para o orador, autonomia e controlo – apesar de aparentemente antagónicos – podem coexistir na gestão de uma equipa, sendo que quanto mais autonomia existir no seio de um grupo, maior será a capacidade individual e coletiva para improvisar e responder a situações inesperadas.
Apesar da escassez dos estudos específicos no que diz respeito ao futebol feminino, Rui Lança sempre foi avançando que existem por parte das atletas, uma maior propensão para apreender o feed-back negativo que é transmitido por um treinador.
Prevenção de lesões
A última parte do primeiro dia de seminário incidiu sobre a problemática da prevenção de lesões, cada vez mais importante numa altura de pleno desenvolvimento do futebol feminino em todo o mundo. Rita Tomás e João Brito, especialistas que integram a Unidade de Saúde e Performance da FPF, usaram da palavra e fizeram apresentações ricas em pormenores técnicas, mas perfeitamente acessíveis ao público em geral.
Rita Tomás começou por chamar a atenção para o facto de estar comprovado que as equipas que têm um número maior de jogadores lesionados apresentarem menor desempenho desportivo e acarretam mais despesas para as instituições que representam, para além do custo social para os atletas, que deixam de poder fazer uma vida quotidiana normal. Rita Tomás dissertou também sobre as leões mais frequentes e graves das atletas (sobretudo entorses no tornozelo e roturas do ligamento cruzado anterior dos joelhos) e sobre os principais fatores de risco para as jogadoras, frisando que o desgaste natural das futebolistas nos últimos dez minutos dos jogos faz com que existam mais lesões nesse período de tempo.
João Brito lembrou que a FIFA tutela um programa de prevenção de lesões, intitulado "11+", que demora apenas vinte minutos a executar e pode diminuir para metade o número de lesões graves nos futebolistas de alta competição. O fisiologista da FPF lembrou ainda que é provável que o número de praticantes de futebol feminino traga mais lesões, mas diminua a sua incidência a médio prazo. João Brito disse ainda que o objetivo de todos os treinadores passa por dar atenção aos exercícios de prevenção de lesões: "Temos de nos preocupar em criar atletas robustos e estáveis em todas as ações do jogo." A comunicação interdepartamental também pode ser absolutamente fundamental para que a prevenção de lesões numa equipa seja feita de uma forma consequente e eficaz: "Voltamos sempre à questão da comunicação. Se a informação entre as pessoas do departamento médico for partilhada podemos aconselhar uma ou outra jogadora a não fazer exercícios que coloquem em causa a sua saúde em determinado contexto."
Fonte: FpF.PT
No arranque do segundo bloco de intervenções do 3.º Seminário Internacional de Futebol Feminino, Rui Lança abordou as questões relacionadas com o coaching e a liderança no futebol feminino, frisando que a autonomia, com responsabilidade, é uma das chaves para o sucesso. Para o orador, autonomia e controlo – apesar de aparentemente antagónicos – podem coexistir na gestão de uma equipa, sendo que quanto mais autonomia existir no seio de um grupo, maior será a capacidade individual e coletiva para improvisar e responder a situações inesperadas.
Apesar da escassez dos estudos específicos no que diz respeito ao futebol feminino, Rui Lança sempre foi avançando que existem por parte das atletas, uma maior propensão para apreender o feed-back negativo que é transmitido por um treinador.
Prevenção de lesões
A última parte do primeiro dia de seminário incidiu sobre a problemática da prevenção de lesões, cada vez mais importante numa altura de pleno desenvolvimento do futebol feminino em todo o mundo. Rita Tomás e João Brito, especialistas que integram a Unidade de Saúde e Performance da FPF, usaram da palavra e fizeram apresentações ricas em pormenores técnicas, mas perfeitamente acessíveis ao público em geral.
Rita Tomás começou por chamar a atenção para o facto de estar comprovado que as equipas que têm um número maior de jogadores lesionados apresentarem menor desempenho desportivo e acarretam mais despesas para as instituições que representam, para além do custo social para os atletas, que deixam de poder fazer uma vida quotidiana normal. Rita Tomás dissertou também sobre as leões mais frequentes e graves das atletas (sobretudo entorses no tornozelo e roturas do ligamento cruzado anterior dos joelhos) e sobre os principais fatores de risco para as jogadoras, frisando que o desgaste natural das futebolistas nos últimos dez minutos dos jogos faz com que existam mais lesões nesse período de tempo.
João Brito lembrou que a FIFA tutela um programa de prevenção de lesões, intitulado "11+", que demora apenas vinte minutos a executar e pode diminuir para metade o número de lesões graves nos futebolistas de alta competição. O fisiologista da FPF lembrou ainda que é provável que o número de praticantes de futebol feminino traga mais lesões, mas diminua a sua incidência a médio prazo. João Brito disse ainda que o objetivo de todos os treinadores passa por dar atenção aos exercícios de prevenção de lesões: "Temos de nos preocupar em criar atletas robustos e estáveis em todas as ações do jogo." A comunicação interdepartamental também pode ser absolutamente fundamental para que a prevenção de lesões numa equipa seja feita de uma forma consequente e eficaz: "Voltamos sempre à questão da comunicação. Se a informação entre as pessoas do departamento médico for partilhada podemos aconselhar uma ou outra jogadora a não fazer exercícios que coloquem em causa a sua saúde em determinado contexto."
Fonte: FpF.PT
Sem comentários:
Enviar um comentário