sexta-feira, 22 de maio de 2015

Os “azuis” voltaram a Beja


Os jogadores da equipa de juniores da ACR Zona Azul que, na época 1977/78, disputaram o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de Juniores, reencontraram-se em Beja num evento de confraternização e saudade.

Texto e foto Firmino Paixão


A saudade é um sentimento tão português que dificilmente tem correspondência ou significado em outras línguas. É, por exemplo, uma das palavras mais presentes na poesia, exprimindo sentimentos de ausência ou de distância, mas também no quotidiano de qualquer ser humano. Sentimentos legítimos para estes futebolistas que, há 38 anos atrás, vestiram as camisolas da Zona Azul e que, por razões diferentes, nunca mais se tinham reencontrado em simultâneo.
A história é simples, quase todos eles tinham sido campeões na formação do Desportivo de Beja, sendo aliciados para ingressar na Zona Azul num projeto formativo concebido por Joaquim Santos “Quinito” e José Manuel. Quinito mostrou-lhes um equipamento azul celeste, por estrear, quais trajes de gala comparados com as camisolas vermelhas que o roupeiro “Vítor Matur” lhes dava para vestir no anterior clube. A debandada foi quase geral, o Nói Alves saiu uma época mais tarde, porque o pai era treinador nos bejenses. E assim nasceu a equipa de juniores da Zona Azul que, em 1976/77, foi campeã distrital e subiu à 1.ª Divisão Nacional de Juniores, campeonato onde se bateu, e bem, com os grandes clubes, vencendo por exemplo no Restelo, onde as manchetes na imprensa do dia seguinte sublinharam “Os azuis vieram de Beja”.
Reuniram-se um destes dias para matarem a saudade e homenagearem José Manuel e Quinito, treinador e dirigente da equipa (surpreendidos com o reencontro). O convívio foi emotivo e testemunhámos algumas dificuldades de reconhecimento entre eles. Depois houve abraços, beijos, lágrimas e um caudal de recordações e de histórias recontadas, num daqueles momentos particularmente gratificantes que o futebol também nos proporciona. Quinito, emocionado, revelou: “Foi uma surpresa enorme, há muito que desejava este momento, vivia constantemente lembrando os tempos passados na Zona Azul, não só como dirigente, também à frente da equipa que tão bem nos representou naquela altura. Tivemos uma hipótese de fazer aqui uma formação que não foi correspondida pelas entidades, nem pelos clubes da terra, não se quiseram aliar a nós”. O antigo jogador e dirigente recordou também “com tanta saudade aquelas alegrias que eles nos proporcionaram em jogos realizados contra grandes equipas. Chegámos ao ponto de jogar em Belém e o dr. David Sequerra, homem muito dedicado ao futebol juvenil, confundir a Zona Azul com o Belenenses e, no fim do jogo, julgava que quem tinha ganho era o Belenenses. Na crónica que escreveu, teve que dizer que os azuis tinham ido de Beja”. Quinito não esperava este reencontro: “Emocionei-me porque não estava à espera, foi uma surpresa, pensava que este momento nunca pudesse um dia acontecer. Às vezes encontro alguns, abraçam-me, beijam-me, é uma amizade profunda, proporcionaram-me momentos muito bons da minha vida, apesar dos grandes sacríficos que tive que fazer na minha vida profissional, porque os tempos eram exigentes. Tanto eu como o Zé Manuel éramos muito amigos deles, éramos uma grande família”, concluiu.

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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