Pedro Dias, o dirigente da Federação Portuguesa de Futebol responsável pela dinamização das áreas do futsal e do futebol de praia, esteve em Beja representando o organismo que tutela o futebol em Portugal. Veio ao que chamou, e bem, de país real e partilhou com os presentes na Gala dos Campeões da Associação de Futebol de Beja um facto que ele entende que deve suscitar o nosso orgulho: a constatação de que ultrapassámos a percentagem de dois por cento de praticantes com atividade nas modalidades de futebol, futsal e futebol de praia, relativamente à população da área de influência da Associação de Futebol de Beja.
O dirigente revelou que este “é um indicador de referência utilizado a nível internacional pela UEFA, para aquilatar a performance de uma organização desportiva e que relaciona o número de praticantes com a população da área de influência dessa organização”. E disse mais. “A Associação de Futebol de Beja é uma das poucas organizações no nosso País, na esfera da Federação Portuguesa de Futebol, que ultrapassou esse indicador de referência”.
E eu que, provavelmente, deveria exultar de orgulho com as estatísticas da UEFA, limito-me a um exercício de ceticismo que me assola sempre que me falam de estatística, porque manipulável por excelência, é ciência em que devemos confiar, desconfiando. E questiono: ultrapassámos esse indicador de referência pelo crescimento do número de praticantes ou por variação negativa do índice demográfico? Vou mais por aqui e fico apreensivo. Porquê? Porque o Instituto Nacional de Estatística (e lá vem ela outra vez) revela que entre 2001 e 2011 o Alentejo perdeu sete habitantes por dia e o distrito de Beja teve um decréscimo populacional de 8 505 habitantes.
O total de praticantes na esfera da Associação de Futebol de Beja cresceu de 2014 para 2015 de 2 760 para 2 833 (e estão contados 160 juniores que não tiveram atividade), o número de clubes filiados desceu de 49 para 46 nos últimos três anos; na última época perderam-se 59 seniores e, na época finda, realizaram-se 1 347 jogos, contra 1 436 da anterior e 1 398 da antepenúltima. O crescimento é efetivo apenas ao nível dos escalões de petizes e de traquinas.
Então os nossos índices desportivos estão a crescer e devo estar orgulhoso ou o despovoamento humano do nosso território torna falaciosa a estatística da UEFA e eu devo estar apreensivo?
Fonte: http://da.ambaal.pt
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