sexta-feira, 10 de julho de 2015

O mérito pela diferença


É uma história que se vai repetindo. Mais uma vez, e pela terceira época consecutiva, a Associação Cultural e Recreativa Zona Azul, de Beja, viu a sua equipa de seniores de andebol ficar à beira da subida de divisão.

Texto e foto Firmino Paixão


“Uma mágoa”, sublinhou Vasco Cordeiro, presidente da Zona Azul. E não é propriamente em relação ao clube, à direção ou ele próprio individualmente: “É mais um sentimento de frustração em termos do grupo de trabalho, porque é um grupo jovem, muito ambicioso, um grupo que dá tudo o que tem pelo clube e nada recebe em troca, a não ser o prazer de jogar andebol pela Zona Azul. Por eles, lamentamos que tenha faltado aquele pedacinho de sorte para a equipa ter subido à 2.ª divisão nacional”. O clube mais eclético da cidade, mas que tem no andebol a modalidade de maior projeção, caminha para o seu 40.º aniversário, de uma forma sustentada, valorizando o património e honrando os mentores da sua fundação.

O clube tem uma maturidade própria das quase quatro décadas de existência?
Sim, pensamos que, ao longo destes 40 anos, o clube tem cumprido a sua missão em prol da juventude, e não só, aqui da nossa cidade. É um clube que começou por ser uma coletividade de bairro e que hoje tem uma dimensão e projeção nacional, portanto, parece-nos que o que foi feito por todos nós ao longo destas quase quatro décadas é significativo e penso que será, ou deveria ser, reconhecido pela cidade.

Um dos desígnios que orientaram a criação deste clube foi o direito à diferença, estimular o ecletismo, isso mantém-se presente?
Sim, começámos exatamente com modalidades que não eram praticadas na região, começámos com o andebol, também praticámos o basquetebol, tivemos o BTT e o badmínton, o atletismo (que teve um boom em determinado momento), o ténis, depois vieram a natação e a ginástica, sem esquecer a columbofilia, que é uma tradição no clube praticamente desde a sua fundação e à qual devemos o nome. O futebol nunca foi descurado, lembramo- -nos todos da célebre equipa de juniores, posteriormente reativamos a secção com uma equipa que andou duas épocas no Inatel e ainda fez mais uma na 2.ª divisão distrital e, por motivos vários, não conseguiu manter-se em atividade. Sendo assim, continuamos a ser um clube diferente, mantendo o ideal do projeto da nossa fundação.

A Zona Azul é hoje um clube melhor, com mais sócios, mais modalidades, mais praticantes e melhor património?
Sim, desde a sua fundação podemos afirmar isso. Começámos por ser um clube de bairro e hoje temos uma inegável projeção. O número de sócios é maior, mais significativo e transversal a toda a sociedade. Temos mais atletas, maior património, porque, ao longo destes anos, fomos adquirindo a sede, foram construídos os campos de ténis e o parque automóvel também foi substancialmente aumentado. Somos um clube totalmente autónomo em termos de transportes e tudo isso foram evoluções ao longo destes quase 40 anos.

O treinador Carlos Guerreiro manter-se-á como líder da equipa de andebol, com os olhos postos na 2.ª Divisão, sem descurar a formação?
Claro. Ainda não falámos muito bem sobre isso, mas antes da época se iniciar teremos tudo delineado em relação ao treinador dos seniores e aos treinadores dos restantes escalões. A Zona Azul tem por princípio, e sobretudo, mais ainda nestes últimos anos, ganhar jogo a jogo e chegar onde pode, mas se der para subirmos assumi-lo-emos. Apesar da concorrência das outras modalidades e da área de recrutamento ser comum a todos, temos trabalhado bem na captação e penso que temos um significativo número de atletas nos diversos escalões de formação.

Os apoios, sobretudo os institucionais, são compatíveis com as despesas e chegam a horas?
Não podemos dizer que os apoios institucionais sejam os suficientes ou que sejam os merecidos. Mas 85 por cento das verbas movimentadas são geradas no próprio clube, portanto só 15 por cento têm suporte em apoios institucionais. Somos um clube sustentável, que não vive apenas do subsídio. Mas o subsídio tem de ser pensado de maneira a que apoie realmente a atividade regular, que chegue a tempo e horas, e há muito tempo que já não funciona assim.

Que passo falta à Zona Azul dar para ser um clube ainda melhor?
Se calhar, que os apoios institucionais fossem verbas para investimento e não só para apoio à atividade. Repare que estamos numa zona carenciada, despovoada, num concelho com diversos clubes de futebol na mesma divisão, diversos com atletismo no mesmo patamar, e isto repete-se em outras modalidades. Mas se houvesse uma aposta das entidades numa determinada modalidade, não interessa qual, sendo que é mais difícil e oneroso no futebol, mas que se apostasse em dar nome à cidade, teríamos uma equipa a disputar uma 1.ª divisão numa dessas modalidades, fosse o hóquei, o andebol ou basquetebol.

Fonte: http://da.ambaal.pt/

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