A pista de canoagem e remo da Mina de São Domingos é uma realidade. A qualidade do plano de água e a estratégia de logística dinamizada pelo Clube Náutico de Mértola potenciarão a sua utilização.
Texto e fotos Firmino Paixão
A Tapada Grande da Mina de São Domingos é a maior de duas albufeiras de água construídas pela empresa mineira britânica Mason & Barry durante o século XIX para abastecer de água a unidade de processamento de minerais e é ali, paredes meias com a já muito frequentada praia fluvial, que está a nascer, em pleno século XXI, a pista de canoagem e remo do Clube Náutico de Mértola. Um investimento que rondou os 30 milhões de euros e que passa a ser a segunda infraestrutura do género em Portugal, a seguir à pista do Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho.
Carlos Viegas, presidente do Clube Náutico de Mértola, revelou ao “Diário do Alentejo” que, não tendo sido ainda, oficialmente, inaugurada, a pista “já acolheu o Campeonato Regional Sul e o Campeonato Regional da Bacia do Tejo, portanto, já ali fizemos duas provas com mais de mil atletas, que resultaram bastante bem”, admitindo, contudo, que “há ainda algumas falhas, muitas coisas que ainda não temos, nomeadamente ‘sistemas de largada’, ‘torre de chegada’ e essas duas peças são fundamentais”. Ainda assim, continuou o dirigente: “Estamos a preparar um conjunto de candidaturas ao próximo quadro comunitário que nos permitirá suprir as falhas que, efectivamente, a pista ainda tem, porque uma pista de canoagem é um equipamento desportivo que é praticamente impossível de concluir de uma vez só. Tem várias componentes, a principal era a ‘balizagem na água’ e está pronta, está em condições de receber qualquer prova nacional ou internacional”.
Relativamente às outras componentes, Viegas considerou: “São equipamentos que podem ser amovíveis, podem ser resolvidos com soluções temporárias e alternativas, no entanto, o desejável é que a pista se consolide cada vez mais e consiga dar resposta não só à nossa necessidade de treino e à nossa vontade de consolidar, definitivamente, Mértola e o seu concelho como um destino de estágios de equipas internacionais, mas também para ser uma alternativa à pista de Montemor”. Quantificando o investimento, o histórico dirigente do Náutico revelou: “Estamos a falar de uma pista que custou à volta de 30 milhões de euros, enquanto a pista da Mina de São Domingos custou 300 mil. São realidades completamente diferentes, no entanto, aquilo que é essencial, a ‘balizagem no plano de água’, não é de todo pior do que a de Montemor, em termos de plano de água, na minha opinião, é melhor do que a de Montemor, mas não é só na minha opinião, não tem vento e tem um conjunto de características bem melhor. Com o tempo e com alguns investimentos que se prevêem possíveis, certamente que será uma das grandes pistas internacionais”, acentuou.
Quanto à importância desta infraestrutura na potenciação e valorização dos atletas do Náutico de Mértola, Viegas considera: “É uma peça importante, mas não é determinante, o plano de água sempre lá existiu, não tinha balizagem, agora já tem essa característica, quer dizer que estamos mais qualificados, o objectivo fundamental de uma determinada modalidade é a pista, é evidente que é óptimo treinar se tivermos pista, mas também treinámos até agora sem ela”. E recordou: “Os bons resultados dos nossos atletas não se devem à existência da pista, já existiam antes, mas sabemos que quando se aferem tempos ou se aferem técnicas é completamente diferente fazê-lo numa pista do que fora dela, tal como acontece, por exemplo, no atletismo. Tal como a utilização de barcos muito sofisticados não é determinante, o fundamental nós temos, são os atletas, é a dedicação com que eles trabalham, é a equipa técnica e a organização do clube, esses é que são os factores fundamentais do nosso sucesso”.
O líder do Náutico de Mértola anunciou também que o clube “está numa fase muito interessante em termos de crescimento”: “Está numa fase de consolidação, tem a sua autonomia financeira e, a curto prazo, teremos até algumas novidades, mas, na realidade, o clube tem apostado muito na sua autonomia, na sua capacidade de gerar meios financeiros para se tornar sustentável e isso é fundamental”. E adiantou: “O clube foi obrigado, digamos assim, até pela força da própria lei, a criar uma empresa de animação, e neste momento é dono de uma empresa que gera alguns meios financeiros e está neste momento a negociar a utilização da pista de canoagem e remo da Mina de São Domingos, de que á proprietário, e que já no próximo inverno, de certeza absoluta, vai trazer grandes surpresas em termos de local de estágio internacional”, concluiu Carlos Viegas.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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