Uma final competitiva, entre duas equipas que se entregaram ao jogo com muita nobreza, ao nível da dedicação que Manuel de Melo Garrido, patrono da competição, sempre demonstrou pelo desporto alentejano.
Texto e fotos Firmino Paixão
Uma final que merece duas notas prévias. A qualidade das equipas que estiveram em campo e que assinaram uma boa jornada competitiva; depois, a presença dos herdeiros do saudoso jornalista e antigo diretor do “Diário do Alentejo” (a filha Catarina e o neto Pedro), na cerimónia protocolar da entrega do troféu. Quanto ao jogo, um primeiro golo para o Odemirense pôs o Moura a correr atrás do prejuízo. O empate não tardou e na parte final do jogo o Odemirense desperdiçou uma grande penalidade que sentenciava a partida que, ironicamente, se decidiu através da marcação de grandes penalidades, com saldo favorável ao Moura.
No rescaldo da final, o técnico vencedor, José António Oliveira, pronunciou-se pela justiça do resultado (1-1, 4-2 gp) dizendo que “o triunfo assenta muito bem na minha equipa”, e justificando que “fomos a melhor equipa, praticámos bom futebol e tivemos sempre o ascendente sobre o jogo, embora numa final tudo possa acontecer”. Assumiu, contudo, que “os miúdos estiveram um bocado nervosos, mas penso que, acima de tudo, foi uma boa jornada de divulgação do bom futebol de formação que se faz neste distrito e, nessa linha, as equipas do Moura e do Odemirense estão ambas de parabéns”.
Filipe Duarte, treinador do Odemirense, concordou que a lotaria dos penaltis é sempre ingrata e lembrou que “podíamos ter acabado com o jogo com o penalti que falhámos e nos dava a vitória por 2-1; depois, por ironia, foi nos penaltis que perdemos o trofeu, mas é o destino”. O treinador do Odemirense comentou ainda que, “apesar de não termos jogado hoje um futebol tão bonito, tivemos as melhores oportunidades para vencer a partida, a equipa jogou com muita entrega, os jogadores tiveram um comportamento exemplar e eu cada vez estou mais orgulhoso desta equipa”. E reconheceu: “Não conhecíamos a equipa do Moura mas tive a curiosidade de pesquisar algo sobre o plantel, constatando que em 20 atletas têm 15 iniciados de 2.º ano, e isso quer dizer alguma coisa. São atletas no último ano de iniciados, têm mais conjunto, acredito que sim, tiveram mais posse de bola, acredito que sim, mas as melhores oportunidades de golo, se calhar, foram nossas”.
Estas duas equipas voltarão a encontrar--se na fase final do Distrital de Iniciados, o Odemirense com a ideia de “lutar pela vitória jogo a jogo, é isso que quero incutir nos meus jogadores, se conseguirmos o título será excelente, se não conseguirmos também não vem mal nenhum ao mundo”, como assumiu Filipe Duarte. O Moura, pela voz de José António Oliveira, com a consciência de que “será um campeonato competitivo, mas o importante é que eles se divirtam, é mais um mês e meio de competição e, no final, que ganhe o melhor”.
O “DA” ouviu também Catarina Melo Garrido confessar que “foi com muita saudade e grande orgulho que estivemos aqui”, explicando que “o meu filho Pedro soube que esta competição se realizava, estou muito emocionada por estar aqui e felicíssima, também”. A filha do antigo diretor do nosso jornal reconheceu que “foi um momento muito gratificante e acho que o meu pai merece muito isto, porque ele deu a vida toda em prol do desporto, por isso, acho que é muito merecida esta homenagem e já soube que todos os anos se realiza esta competição”. Numa última alusão à figura de Melo Garrido, patrono desta competição no escalão de iniciados, revelou que recorda “muito bem todo o seu percurso, acompanhei-o muito quando trabalhava em casa e quando ia fazer reportagens desportivas, depois quando fiquei mais crescida ia com ele assistir aos jogos. O meu pai dirigiu o ‘Diário do Alentejo’, foi correspondente de outros jornais nacionais, nomeadamente de ‘A Bola’, muitas vezes ele telefonava para o jornal para dar as notícias, os tempos eram outros”, concluiu.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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