As eleições para os órgãos sociais da Associação de Futebol de Beja realizam-se na terça-feira, o dia em que José Luís Ramalho deixará a presidência da direção, para assumir a liderança da assembleia-geral.
Texto e foto Firmino Paixão
Como em tudo na vida, “na hora da despedida” o futebol, também, tem mais encanto, mas José Luís Ramalho assegura que não se despedirá dele, mas sim do dirigismo desportivo. Apesar do seu proeminente passado académico, confessa que para si o futebol sempre foi uma paixão e que continuará a sê--lo, reconhecendo que o associativismo lhe proporcionou imensas alegrias e, por isso, esta hora tem realmente mais encanto. Ramalho acredita que o futuro do futebol distrital só pode ser melhor do que o presente e que surgirão alterações a nível político e organizativo, visando o desenvolvimento do desporto nacional.
Um tempo feito, seguramente, de boas e más recordações?
Levo, efetivamente, boas e menos boas recordações. As boas recordações são do conhecimento de todos e algumas delas foram vividas e festejadas por toda a família do futebol regional, como sejam os casos da aquisição da sede, do aumento do número de clubes associados, da realização de cursos de formação dirigidos a árbitros e a treinadores de futebol e de futsal. Más recordações também levo, como é normal, mas essas são, na sua maioria, muito pessoais, não sou uma pessoa de rancores, pelo que espero esquecer-me delas rapidamente.
No último mandato o número de atletas inscritos cresceu em cerca de 470 unidades, esse é já um balanço positivo?
As dificuldades económicas e sociais atingiram todo o País e o futebol amador não foi exceção. Houve que contrariar a vontade de abandonar a prática desportiva face à falta de apoio político e financeiro com que os dirigentes dos nossos clubes se confrontaram. Criámos programas de apoio às variantes do futebol e do futsal, principalmente no âmbito da formação, pelo que nos regozijamos pelo aumento contínuo do número de atletas inscritos na AF Beja. Mas o grande mérito deste crescimento deve-se ao esforço dos clubes e à dedicação dos pais dos nossos atletas. Seria injusto não referir todo o apoio da FPF e das instituições públicas e privadas que contribuíram para o desenvolvimento do futebol de formação.
Sai desencantado ou magoado com o futebol ou com as pessoas do futebol?
No seio da família do futebol encontramos seres humanos fantásticos, verdadeiros exemplos de dedicação e de abnegação, muitos até colocam a família e os interesses profissionais e pessoais em segundo lugar, mantendo assim o futebol bem vivo. Infelizmente, como em tudo na vida, também há o reverso da medalha e que, neste caso, se traduz na existência de uma minoria, que se considera salvadora dos clubes, detentora de toda a verdade e que, sob a capa do apoio ao associativismo desportivo, apenas se quer servir das instituições e delas retirar para si o máximo benefício.
Falou-se em “estranhas coincidências”, ou seja, de manifestar interesse num novo mandato e repentinamente ter recuado.
Realmente, na vida há muitas coincidências e a minha “não recandidatura” é um desses casos. Nunca escondi, dos meus colegas de direção, dos clubes e da comunicação social, que hesitei muito na minha recandidatura. Sempre defendi o princípio de que o exercício dos cargos deve ser limitado no tempo, por outro lado, também considerei que esta minha atividade poderia prejudicar o meu apoio à família. Inicialmente o apoio familiar e o incentivo de muitos amigos levou-me a avançar para a candidatura a um novo mandato, tendo dado conhecimento desta decisão à direcção da AF Beja e chegado mesmo a dirigir dois convites a pessoas a quem reconheço grandes competências profissionais como dirigentes desportivos. Porém, nessa altura, alguns acontecimentos menos agradáveis, pautados pela arrogância, prepotência e egocentrismo com que algumas pessoas estão no futebol, contribuíram para a inflexão da minha decisão.
A sua excelente relação com o presidente da FPF é uma “ferramenta” que se perde para o próximo futuro?
A minha relação com o dr. Fernando Gomes é, acima de tudo, uma relação de amizade, cimentada por anos de contato, em que a lealdade, seriedade e cumplicidade na defesa dos interesses do futebol se foi aprofundando. Para nós, e sobretudo para o dr. Fernando Gomes, a preocupação principal sempre foi defender o futebol em geral, e o futebol amador em particular. O movimento associativo tem beneficiado da visão, do caráter e, sobretudo, da estratégia que o dr. Fernando Gomes tem implementado junto das associações. Orgulho-me de ter apostado na sua pessoa para dirigir o futebol português e conto com a sua competência para, no futuro, ainda proporcionar maiores incentivos ao futebol associativo. A AF Beja e os seus clubes, no que de mim depender, poderão sempre continuar a contar com toda a colaboração do atual presidente da FPF.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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