sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O mérito partilhado


Três décadas depois de ter sido lavrada a escritura da sua fundação oficial, a Associação de Atletismo de Beja elegeu a vila de Cuba para ali homenagear os seus campeões e assinalar os 30 anos de existência.

Texto e fotos Firmino Paixão

Uma verdadeira festa no Centro Cultural de Cuba. Um desfile de jovens campeões muito aplaudidos por outras figuras de cabelo mais grisalho, que outrora, e entre si, foram passando o testemunho, para que esta modalidade sobrevivesse até aos dias de hoje. A Associação de Atletismo de Beja quis juntar todos os antigos presidentes e louve-se-lhe a intenção. O passado é um alicerce do presente e uma via para se projetar o futuro, com os atletas, matéria-prima fundamental, mas também com a generosidade dos dirigentes, dos técnicos, dos média e do poder local. Todos ali unidos para alimentarem e reforçarem essa chama que crepita desde maio de 1986.
Carlos Gradiz, primeiro presidente do organismo, lembrou que “temos que prestar homenagem a todos os que fundaram o que, na época, foi o Departamento de Atletismo, antes de ser transformado numa associação. Os manos André, o António Carlos, e mais uns quantos ao nível de Beja, sem esquecer o professor Merlim Nobre, que também esteve à frente do departamento, e eu acho que fui o sucessor dele”. E prosseguiu: “Mas isso foi também uma exigência da federação que, nessa altura, quis que todas as estruturas regionais, sob a designação de departamentos, passassem a designar-se como associações e eu, nessa altura, tratei de todas as formas legais para o conseguir”.
Trinta anos depois o sentimento não podia ser diferente: “Estou orgulhoso, porque acho que a instituição consegue sobreviver por si, portanto, isso significa que os presidentes que têm estado nessas funções e que roubaram muito tempo à sua família e ao seu descanso, com generosidade e sacrifício, todos eles contribuíram para que a associação se mantivesse com um nível, não muito alto”. E justificou: “Acho que isto é também um jogo de concorrência com outras associações muito mais poderosas, de qualquer maneira, de vez em quando, fazemos alguns brilharetes, mais a nível individual do que coletivo. Em termos coletivos, o departamento e a associação conseguiram alguns bons resultados a nível nacional, na altura em que Luís Barroso e o Damásio existiram, depois quando surgiu o grupo da Ana Bento e da minha Estafeta 4x100, que fez um brilharete a nível nacional”. E lamentou ainda: “A modalidade não tem evoluído satisfatoriamente, é tudo uma questão cultural, o futebol domina as modalidades, os miúdos preferem o futebol e o atletismo é uma atividade residual, basta olharmos para os campos de futebol em Beja, para vermos ao paizinhos a levarem os miúdos aos treinos e no atletismo não se vê ninguém a fazer o mesmo”.
“As pessoas que formaram esta associação, há 30 anos, dedicaram-se muito ao atletismo e é graças a todos eles que a modalidade ainda se mantém viva”, afirmou o professor José Silveira, distinguido com o prémio Mérito Desportivo (a par de Francisco Pereira, do NARM, a título póstumo), agradecendo o prémio, mas partilhando esse mérito com todos os que contribuíram para criação da associação. E vai continuar este percurso. “Até quando, não sei, enquanto me deixarem continuar, pelo menos, enquanto não me disserem, um dia, olhe já não precisamos de si, nessa altura, arrumo as botas e vou--me embora, mas tenho aqui um bichinho …”, confessou, lamentando que os atletas só se mantenham até ao escalão de juniores e depois, por motivos vários, abandonem a modalidade.
O atual presidente da Associação de Atletismo de Beja, professor António Machado, congratulou-se com a boa adesão ao evento e incentivou atletas, dirigentes e técnicos a que numa próxima época a modalidade possa ter ainda mais campeões. O dirigente ouviu, também, o autarca anfitrião, João Português, sublinhar o desejo de que aquele fosse “um momento de afirmação do atletismo do distrito de Beja”, e acentuar que para o seu município “foi uma honra e um prazer receber esta celebração dos 30 anos da associação, e esperamos que ela continue com dinamismo”, assegurando que “certamente os municípios que queiram ter um papel importante no desporto estarão cá para vos ajudar”.
Os municípios de Alvito, castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira e Serpa foram galardoados com o prémio Mérito Autárquico e o editor de desporto do “Diário do Alentejo” com o prémio Mérito Jornalístico.

Fonte: http://da.ambaal.pt

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