sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Columbofilia

José Saúde


Num aperfeiçoar constante onde procuro trazer a público histórias do cosmos desportivo, centralizo esta opinião em eventos que outrora marcaram existências numa sociedade que coabitava com um fenómeno que airosamente se expandia no meio: a columbofilia. Revejo ciclos áureos protagonizados por gentes que se lançavam em aventuras em prol de uma modalidade que lhe preenchia a alma de gozo. Recordo a secção columbófila no Desportivo de Beja. O local da entrega dos pombos, nos seus primórdios, era precisamente nas caves da sua sede na rua do Sembrano e com a entrada a verificar-se por uma pequena viela que se situava ao lado da Esplanada Vista Alegre na rua Capitão João Francisco de Sousa. Veio, depois, o casão defronte à casa mãe, sendo o espaço de um lavrador de Santa Vitória de nome Palma. Hoje, o casarão deu lugar ao Núcleo Museológico e os sobejos dessa antiga azáfama dissiparam-se conscienciosamente com o evoluir das épocas. Naqueles tempos os columbófilos carregavam os cestos à mão e a algazarra, em dias de encestamento, alastrava-se por toda a cidade. Vinham das diversas zonas da urbe e o rolar dos alados ao longo do percurso acicatava sonhos. Com o controlo dos atletas concluído, seguia-se mais uma viagem, a pé, pela Rua D. Frei Manuel Cenáculo abaixo com a moçada a entregar os cestos na estação de caminho-de-ferro, visto que a viagem das aves era feita por comboio. Beja, por essa altura, juntava cerca de 100 columbófilos e o despique em cada concurso era renhido. Todavia, a columbofilia bejense foi paulatinamente perdendo concorrentes e os pombais, outrora em abundância, quase desapareceram. Deixou-se de ouvir os estridentes sons dos apitos na hora de amestrar a colónia. Perderam-se os laços de uma pura afinidade. Num olhar sobre uma circunstância que gerou emoções, constata-se que o número de concorrentes entre o Asas de Beja e a Zona Azul não chegam aos 40 aventureiros. Ouvimos opiniões, algumas apreensões e concluímos que o futuro da columbófila em Beja não se apresenta risonha.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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