terça-feira, 14 de março de 2017

Pierluigi Collina: a prova que os acasos podem despertar vocações

Football Talks
Gostava mais de basquete, mas tornou-se numa lenda do futebol mundial. Eis Pierluigi Collina, Presidente do Comité de Árbitros da FIFA e da UEFA, um dos oradores confirmados no Football Talks-2017.
Pierluigi Collina nasceu em Bolonha (Itália), a 13 de fevereiro de 1960.
Ao contrário de muitos jovens da sua idade, Collina nunca sonhou com uma carreira de futebolista - o seu desporto favorito era o basquete e a equipa pela qual vibrava era a Fortitudo Bologna 103, que milita atualmente na segunda divisão italiana após os problemas financeiros que ditaram a sua extinção, em 2012.
Apesar dos 377 kms que separam Bolonha da capital italiana, a sua equipa favorita no "Calcio" era a Lazio de Roma, cujos percursos acompanhava com frequência pela televisão. Entrou no futebol pela porta do Don Orione, que pertencia à Igreja local, mas a titularidade foi-lhe concedida em escassas ocasiões. Mais tarde, a partir dos 15 anos, fez duas temporadas como líbero do Allievi da Pallavicini, onde ganhou a titularidade que era frequentemente interrompida por castigos relacionados com expulsões. Na segunda época contraiu uma lesão grave no tornozelo e o tempo de paragem acabou por ser decisivo para o seu futuro no futebol: passou a apitar os treinos dos colegas e descobriu a sua vocação para a arbitragem, com 17 anos. Foi o início de um percurso que o tornaria numa lenda do futebol mundial.
Começou por dirigir alguns jogos amigáveis em Bolonha enquanto fazia o curso de arbitragem da Federação Italiana de Futebol e os responsáveis daquele organismo nunca mais o quiseram perder de vista. Teve uma ascenção fulgurante (chegou ao campeonato principal em apenas três anos) e quando já estava a apitar jogos da Promozione, nível mais alto do futebol regional italiano foi-lhe diagnosticada uma doença - alopécia - que o faria perder todos os pelos do corpo e o ajudaria a criar a imagem de árbitro rigoroso pela qual os adeptos do futebol o conhecem.
O ano de 1991 assume contornos decisivos: estreou-se na série A, num Verona 1-0 Ascoli realizado a 15 de novembro. Até ao fim dessa época faria ainda mais sete partidas na divisão principal, tornando-se recordista de jogos (8) na primeira época ao mais alto nível na arbitragem italiana.
Bastaram quatro anos para dar o próximo passo: tornar-se árbitro internacional. Ganhou as insígnias FIFA em 1995 e a partir daí a sua notoriedade "explodiu": as suas imagens de marca eram a rapidez na decisão e o rigor na interpretação rigorosa das Leis do Jogo, características que lhe conferiam grande segurança em momentos de maior tensão. O facto de não ter necessidade de parar constantemente o jogo para exercer autoridade valeu-lhe a confiança dos principais responsáveis do futebol mundial, tendo sido designado para jogos de grande responsabilidade que ficaram na memória dos adeptos por muito anos, não só pelo espetáculo que as equipas proporcionaram mas também pela forma exemplar como foram dirigidos por Collina.
A final dos Jogos Olímpicos Atlanta-96, em que a Nigéria de Okocha, West e Babayaro e Kanu venceu a Argentina de Crespo, Claudio Lopez Ortega e Zanetti por 3-2 após prolongamento, foi o seu primeiro grande momento internacional. Em 1998 marcou presença num Mundial pela primeira vez (França) e no ano seguinte dirigiu a inesquecível final da Liga dos Campeões Europeus de 1999, em pleno Camp Nou (Barcelona), quando o Manchester United conseguiu uma reviravolta histórica frente ao Bayern Munique nos últimos minutos e venceu por 2-1. Foi a primeira "Champions" conseguida por sir Alex Ferguson ao serviço dos "Red Devils".
Em 2000 fez parte do quadro de árbitros UEFA no Campeonato da Europa Holanda/Bélgica e em 2002 atingiu o ponto mais alto da carreira, com a nomeação para a final do Campeonato do Mundo Coreia do Sul/Japão, onde o Brasil de Luiz Felipe Scolari (que viria depois a assumir o comando da Seleção Nacional portuguesa) venceu a Alemanha por 2-0. Para além de nova prova de resistência à pressão, o juiz italiano deu ainda uma demonstração genuína do seu lado mais descontraído, quando não conteve as gargalhadas ao ver a atrapalhação do defesa-central brasileiro Edmilson quando teve de trocar de camisola depois de rasgar a que usava naquele momento.
A longa carreira de Collina terminou em 2005, no limite de idade imposto pela FIFA (45 anos), quando já contava 204 jogos na série A, 109 em competições internacionais, 79 na série B e 42 na Taça de Itália.
Foi eleito seis vezes pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol) como árbitro do mundo e sete vezes como melhor árbitro italiano pela Associação Italiana de Jogadores (AIC). Em janeiro de 2010, a IFFHS voltou a distingui-lo, desta vez como o melhor árbitro de futebol de sempre.
O currículo impressionante de Pierluigi Collina levou-o até aos mais altos cargos executivos da arbitragem europeia e mundial, numa carreira onde tem comprovado a sua personalidade forte e a capacidade para tomar decisões difíceis sem hesitar: “O futebol não é um desporto perfeito. Não percebo porque querem que os árbitros sejam”, referiu, a propósito da contestação que o setor tem vivido nos últimos anos.
A sua presença no Football Talks-2017 impunha-se pela pertinência que as questões de arbitragem ocupam nos debates da opinião pública e publicada, e a sua visão sobre os problemas fraturantes do setor (tecnologia da linha de golo, vídeo-árbitro, novas leis de jogo, etc) será certamente partilhada no congresso internacional de futebol que a Federação Portuguesa de Futebol vai organizar no Centro de Congressos do Estoril entre os dias 22 e 24 de março de 2017.
A intervenção de Pierluigi Collina está marcada para a manhã do dia 24 de março.
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Fonte: FpF.PT

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