Partilhamos com os nossos sócios, adeptos e simpatizantes uma mensagem da autoria do Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Geral do Moura Atlético Clube, Francisco Cravo, publicado no jornal A Planície, edição de 1 a 15 de Agosto.
Queremos aproveitar para manifestar um sentido agradecimento aos responsáveis e a todos os profissionais e colaboradores do Jornal e Rádio Planície, pelo imensurável apoio que prestam ao Atlético, pois têm desenvolvido um trabalho notável no acompanhamento das nossas equipas e são, sem dúvida, graças à preciosa ajuda na divulgação da nossa actividade, responsáveis pelo sentimento de proximidade e empatia que o Moura Atlético Clube tem com toda a comunidade mourense local e com os demais que se encontram espalhados pelo mundo fora.
"O Amarelo Gema de Ovo"
Tornou-se um hábito, na qualidade de Presidente da Assembleia Geral do M.A.C., mesmo com reconhecida escassez de tempo e sem pretensões jornalísticas, deixar cair, na abertura da nova época desportiva, uma palavra de conciso comentário sobre os factos que mais feriram o momento do clube.
Chegado a Moura, no recuado ano de 1973, ninguém diria, nem imaginaria sequer, que viria a desempenhar, depois de ter servido o Clube como seu atleta, o cargo que honrosamente ocupo e tenho defendido.
Tão pouco acreditava na transformação profunda que se operou e a que temos assistido.
Sempre supus, que na trincheira, agora como sócio, apesar da militância nos veteranos, continuaria até me passar com a legião crescente dos reformados, para as bancadas do Estádio e sossego do sofá que são também o poiso da saudade.
Da transitoriedade do cargo que ocupo, constatei que o ano desportivo que findou, trouxe à visibilidade maior do desporto no Alentejo, a subida do M.A.C. à 2ª Divisão.
É feito notável, em zona periférica do país, vivendo desoladoramente o espectro de uma vida sem chama e sem esperança.
Na qualidade em que estou ainda investido, cabe-me celebrar o feito de tal qualificação que rompe com um passado mediano e inscreve na memória do desporto no Alentejo, o Moura Atlético Clube.
A história dos últimos 40 anos do Clube, reflecte um trabalho notável na valorização da formação, progresso de sucessivas gerações de dedicados dirigentes, qualidade de atletas na firme instituição e inata habilidade a par do apoio incondicional de sócios, adeptos e simpatizantes a que o município de Moura sempre reconheceu e tem honrado com a sua comparticipação.
Mas, o ano de vitória do M.A.C., foi conseguido à custa de humildade e sacrifício.
Perdeu muito cedo o seu presidente eleito Dr. Simões, houve necessidade de provocar eleições e reajustar o elenco directivo, sofrer inevitáveis convulsões de tesouraria, a par de inesperados processos de correcção fiscal, e terminou em sofrimento com a felicidade da vitória.
Não há contradição de pensamento entre afirmar o nosso valor e reivindicar o seu lugar no tablado da 2ª Divisão, e a humildade.
Se alguma prática humana convida a esta virtude é o desporto. É acessível a todos, e no entanto, ninguém lhe segura o segredo ou sequer obtém o exclusivo do encanto e da sedução.
A humildade está aqui, que ninguém se envaideça com o primeiro êxito, e que ninguém se extravie da coragem e tenacidade.
No último encontro, no Estádio repleto de sócios, adeptos e simpatizantes mourenses afinal, a equipa jogou com a humildade dos seus técnicos, a confiança dos jogadores, a harmonia dos dirigentes, e o afecto, carinho, incentivo e aplauso de todos irmanados no sofrimento até ao fim.
Quando se cumpre o dever, singelamente só o dever, sem calculismos estranhos, sem interesses duvidosos, sem temores, não é fácil tirar-nos do caminho traçado desde 17 de Janeiro de 1942, e cujas raízes se mantêm intactas.
Depois, e isto é relevante, a humildade confunde-se com a verdade.
Em comunhão de esforços com o reavivar a memória de muitos, e o apelo à presença constante no acompanhamento do Clube, quer no Estádio quer fora dele, fortalecer-se-ão cada vez mais o moderno e excelente meio de lazer desta comunidade que o Clube serve na formação.
Foi vencida a medianidade do berço, com o crescimento das estruturas desportivas que integram o seu património, e a manutenção viva e crescente do alfobre de jogadores jovens dá-nos uma força quase irresistível para a harmonia universal entre sócios, simpatizantes e adeptos do Clube.
Esta força prova que não morrem facilmente, mesmo nas poeiradas das violências e no torvelinho da pobreza os ideais do desporto e sentido da sua beleza moral.
Eis-nos, pois, chegados a mais uma época e eis uma boa comemoração para o nosso Clube: a saudação amiga e fraterna a todos os que o têm servido, atletas, dirigentes, sócios, autarquia e mourenses.
Em todos nós mora a criança, que não acabou de crescer e a esperança, que não pára de resistir aos tempos, que correm
Para os muitos, que no rectângulo do jogo, na moldura das bancadas, na azafama dos bastidores e ainda, para os que, mesmo de testemunho longínquo sofrem e vibram com o M.A.C., a palavra de gratidão, que se impõe.
E se um voto especial cabe nesta saudação que seja a favor do apoio crescente ao Clube, que há-de representar o Alentejo na 2ª Divisão, condignamente, como prenda dos 70 anos, que se aproximam e já se pressentem como página histórica das camisolas do amarelo gema de ovo.
Autor : Dr.Francisco Cravo
(Presidente da Assembleia Geral do Moura Atlético Clube)
25.07.2011
Fonte: Facebook do Moura Atletixco Clube
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