Na última jornada da 1ª volta do Campeonato Nacional da 3ª divisão, o Farense apresentava-se na Costa da Caparica como líder isolado da série F, sem derrotas e com uma vantagem de 5 pontos sobre o 2º classificado. Mas este jogo apresentava algumas dificuldades, pois os Pescadores contavam por vitórias os jogos disputados na sua casa, e o piso do terreno de jogo é conhecido por trazer dificuldades acrescidas a quem não está habituado a jogar em cima de alcatrão coberto com uma fina alcatifa verde, a que continuam a chamar de "relvado sintético". Aliando a estes condicionantes o facto do Farense continuar com algumas das suas peças mais influentes ausentes por lesão, nomeadamente Atabu, Igor e Pituca.
Sabendo das dificuldades, os adeptos Farenses compareceram em força, tentando dar o máximo apoio aos seus atletas com o objectivo de ajudar a ultrapassar mais um adversário e a manter a invencibilidade. E foi assim que se iniciou o jogo, com o Farense a tentar mostrar porque era líder, controlando o jogo desde o 1º minuto e obrigando o adversário a concentrar-se no seu meio campo com o objectivo de proteger a sua baliza e tentando de vez em quando lançar rápidos contra ataques. E podemos dizer que esta estratégia adormeceu o jogo durante mais de meia hora em que se jogou sempre longe das balizas, sem nenhuma situação de perigo, sendo apenas de referir um remate de Chiquinho por cima da barra e uma boa defesa de Serrão opondo-se ao remate de um jogador adversário que apareceu isolado, após falha dos centrais do Farense (enganados pelo piso), havendo ainda a referir uma excelente defesa do guardião da casa, opondo-se com êxito a um livre superiormente executado por Fábio Teixeira. Mas nos últimos minutos do 1º tempo tudo se modificou de uma forma estonteante, primeiro foram os Pescadores a marcar (após 2º erro da defesa Farense), e de seguida a resposta dos forasteiros foi mortal, com 2 golos de Chiquinho, o primeiro com um remate cruzado para a esquerda da baliza da casa, após excelente passe de Eugénio, e o 2º num cabeceamento ao 2º poste após canto marcado do lado direito do ataque Farense que sobrevoou todos os defesas e atacantes, acabando por descer junto ao avançado Farense que conseguiu introduzir a bola na baliza entre um defensor e o poste.
Na 2ª parte, os Pescadores avançaram as suas linhas na procura do golo da igualdade, e então o Farense começou a jogar em contra ataque, criando inúmeras ocasiões de golo, especialmente através da velocidade de Chiquinho que apareceu várias vezes isolado mas o guarda redes da casa conseguiu sempre opor-se com êxito aos remates do adversário. Ficou na retina uma perdida escandalosa de Fábio Teixeira que sem oposição, perto da marca de pénalti, rematou sobre a barra, quando toda a gente se preparava para festejar o golo da tranquilidade. Com tantos falhanços, começou a pairar sobre os adeptos do Farense o fantasma do empate, pois os Pescadores lançaram para dentro do terreno jogadores altos que numa bola parada poderiam causar problemas, mas tal não se veio a verificar e no último minuto dos descontos Justo marcou o golo da tranquilidade correspondendo da melhor maneira a cruzamento de Chiquinho. Foi o fechar em beleza para os adeptos Farenses que poderam regressar a casa felizes com a sua equipa.
Crónica de Eduardo Roque

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