terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Atletismo do Bairro da Nossa Senhora da Conceição é bem sucedido: Uma aposta na oferta formativa

 
 


Fundada há cerca de sete anos, a secção de atletismo do Centro de Cultura e Desporto do Bairro de Nossa Senhora da Conceição já forma campeões nacionais.

Texto e foto Firmino Paixão
A modalidade chegou ao Bairro de Nossa Senhora da Conceição pela mão de Hugo Sioga, após uma cisão na Zona Azul. Iniciaram a atividade na época desportiva 2005/006, com um reduzido número de atletas que acompanharam o técnico e, nas últimas temporadas, tem registado um crescimento notório e consolidado. Atualmente conta com cerca de 25 atletas federados, outros ainda em processo de filiação, e, neste momento, com um terço da época concluída, atravessam uma fase bastante ativa com presenças constantes em competições nacionais. Hugo Sioga partilha com o Diário do Alentejo as vivências de um projeto jovem, mas de suprema qualidade.

A evolução tem sido positiva?Sim, principalmente na questão qualitativa. A nossa preocupação é consolidarmos o grupo que temos, muitos dos atletas iniciaram-se como infantis, o seu processo formativo veio desde essa altura e, neste momento, já são juniores e seniores e estão à vista os resultados que têm obtido. Apostamos na continuidade daquilo que tem sido a oferta formativa e em termos competitivos isso reflete-se favoravelmente na prestação de alguns dos atletas.

Preferem as disciplinas técnicas ao meio fundo e fundo?Isso tem um pouco a ver com a motivação dos atletas. Apercebemo- -nos que as disciplinas técnicas oferecem uma mais-valia em termos de aprendizagem motora e a motivação deles vai um pouco para aí, saltar, lançar e correr é a essência do atletismo. A formação que os atletas fazem é multidisciplinar, e como temos vindo a crescer temos tido a preocupação de os formar em função daquilo que são as várias áreas da modalidade, não descurando a participação em provas de corta-mato e de estrada. Mas achamos que a aprendizagem deve assentar mais no modelo de disciplinas técnicas, porque são inerentes a gestos específicos da modalidade, que têm repercussão ao nível dos escalões.

Participam em muitas provas fora do distrito?A oferta competitiva no distrito é muito reduzida e muitas vezes vamos a provas de outros distritos porque a oferta é muito superior e com uma modalidade individual sente- -se necessidade de competir com adversários da mesma valia técnica ou superior que nos permitam evoluir. Mas cumprimos também o calendário de provas da Associação de Beja e orientamos os nossos objetivos nesse sentido, exceto provas como o Campeonato Nacional de Clubes ou provas do calendário nacional que coincidam com provas regionais.

O investimento tem que ser mais significativo...O apoio que temos são as pessoas do clube. A direção apoiou-nos sempre em tudo o que tem sido a nossa atividade, mas também as outras pessoas que fazem parte da família da secção, como os pais dos atletas. A atividade é suportada pelos subsídios institucionais e pelo contributo que os pais dos atletas dão. Não passamos ao lado das dificuldades que o País atravessa, mas toda a atividade da época está equacionada em termos orçamentais.

É possível destacar alguns atletas com grande potencial?O Henrique Água Doce, que iniciou a formação connosco como infantil, passou por todos os outros escalões, é júnior e foi campeão nacional de provas combinadas na época passada e vice-campeão nacional dos 100 metros. O Filipe Silva começou há dois anos, é um infantil bastante promissor, que se tem destacado em todas as provas do ranking da categoria que lidera, mas o importante é que se afirme no processo formativo e técnico em termos de carreira e não com os resultados como o objetivo final.

Numa escala virtual que lugar ocupa o BNSC no atletismo regional?Sou um pouco suspeito para falar nisso, mas sempre direi que desde há dois ou três anos a esta parte temos conseguido os nossos objetivos de revalidar os títulos nos escalões de formação, temos tido alguma mais--valia com a presença em provas nacionais que nos permitem perceber em termos nacionais onde é que podemos estar, e sinónimo disso foi a nossa primeira participação, no último fim de semana, embora a título de experiência, no Campeonato Nacional de Clubes, onde estiveram cerca de 100 equipas.

Pedia-lhe que deitasse um olhar sobre o atletismo regional...Qualitativamente ainda nos vamos batendo de igual para igual e com alguns níveis acima da média, comparando com as condições que temos. Mas com as restrições que atualmente existem e os problemas associados ao investimento, não é fácil dizermos que o futuro será muito risonho nos próximos anos. Mas estou convicto de que quem trabalha no terreno tem vontade para desenvolver o trabalho. Pela nossa parte queremos fazê-lo e estamos cá com vontade para mais. 

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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