sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Treinador de juvenis do Desportivo de Beja fez estágio no FC Porto: Aprender a formar e partilhar



O Clube Desportivo de Beja pretende recuperar o prestígio de outrora, recolocando as suas equipas de formação em patamares competitivos nacionais.

Texto e foto Firmino Paixão
O treinador Paulo Paixão, 32 anos, licenciado em educação física com mestrado em treino desportivo, atual técnico da equipa de juvenis do Clube Desportivo de Beja, já prepara a época desportiva com objetivos bem definidos. O jovem bejense cumpriu recentemente um estágio técnico no Futebol Clube do Porto, de onde trouxe novas competências que, aliadas à sua inquestionável ambição, serão partilhadas no clube onde se formou como jogador e iniciou a carreira de treinador. O técnico acentuou que o Desportivo, apesar de todas as contrariedades, está a recuperar a sua dignidade e o seu património em recursos de formação, e este ano já conseguimos trabalhar em todos os escalões.

Quais os objetivos para esta temporada, depois do 3.º lugar do ano passado?Realmente podemos considerar que o nosso campeonato do ano passado foi muito positivo atendendo às condicionantes que são conhecidas. Conseguimos um excelente segundo lugar, com uma equipa maioritariamente de juvenis de primeiro ano. Tendo em conta que representamos o Clube Desportivo de Beja, e com o grupo que temos, os objetivos esta época apontam para melhores resultados na Taça Armando Nascimento e no campeonato distrital.

O plantel foi reforçado?Os grandes reforços são os nossos iniciados que subiram e se juntaram a alguns juvenis que permaneceram do ano passado. Entraram alguns miúdos do Bairro da Conceição, clube que não fez equipa e nós aproveitámos três ou quatro atletas. Veio um atleta de Cuba, onde também não fizeram equipa, e perdemos dois jogadores, um porque foi com os pais para a Alemanha, outro porque o Despertar conseguiu convencê-lo.

O escalão de juvenis tem apenas oito clubes. É curto?É um número manifestamente escasso. A competitividade que se gera entre os clubes é que faz evoluir os atletas. Nós temos qualidade na base, mas é preciso que eles tenham uma competitividade forte para evoluírem, porque havendo excessiva facilidade de algumas equipas e excessiva dificuldade de outras isso conduz à desmotivação e os atletas não se valorizam. Compreendemos esta recessão motivada pelas condições económicas dos clubes, o futebol distrital vive em grandes dificuldades, mas é preciso darmos oportunidade aos jovens para praticarem desporto.

Motivação é o que não falta ao técnico, que acabou de cumprir um estágio no Futebol Clube do Porto…Foi uma experiência extraordinária, muito enriquecedora no plano da aprendizagem e a todos os níveis. É outro mundo, ali não falta nada, têm todas as condições e mais algumas, mas depois regressamos a outro planeta onde as dificuldades são muitas, mas é preciso trabalhar. Foi uma experiência muito positiva porque me permitiram uma inserção plena na estrutura técnica e uma aprendizagem muito rica.

Que novas competências trouxe como treinador de futebol?Convivi com uma equipa de scouting muito experiente, de antigos jogadores e treinadores que agora se dedicam à prospeção de talentos. Bebi muito da sua experiência numa saudável convivência. E o próprio Vítor Pereira disse-me, informalmente, que o convívio com eles era como um curso de treinadores, ele próprio o sentiu quando os conheceu. Depois a partilha no terreno com os técnicos Vítor Frade, um académico licenciado pela Faculdade do Porto, e com antigos jogadores como o Folha, Frasco, Capucho e outras antigos atletas que têm o saber empírico. Nota-se uma boa conjugação desses aspetos que resulta naquela mística de jogar à Porto.

Não foi a sua primeira experiência nesta área? Já tinha estagiado com o Oceano Cruz na Seleção de sub-21?Tive oportunidade de estagiar com o Oceano Cruz nos sub-21, sempre que for possível continuarei a fazê-lo, pretendo sempre evoluir mais, infelizmente para isso temos que sair um pouco daqui. Com o Oceano a experiência foi diferente porque num contexto de seleção o trabalho é um pouco diferente, são jogadores que vêm dos clubes com períodos limitados de trabalho.

Essas experiências são mais-valias postas ao serviço do Desportivo de Beja?As minhas perspetivas são muito abertas, gosto de receber informação de todos os lados e aplicá-la naquilo que são as minhas intervenções no treino, neste caso no Desportivo de Beja, e em todas as áreas: na gestão do grupo, aos níveis técnico e tático e em situações de jogo. Tudo o que vamos aprendendo, vamos partilhando com o grupo. Depois e em função do meu trabalho de descoberta de talentos no âmbito na colaboração que tenho com o Porto, é sempre possível levar lá miúdos que revelem alguma qualidade, como recentemente sucedeu com o Rafael Graça, jogador do Desportivo que tem, de facto, uma grande qualidade.



Paulo Paixão
32 anos
Licenciado em Educação Física Mestrado em Treino Desportivo
Percurso como jogador

Desportivo de Beja (formação até sénior)
Baleizão, Desportivo das Neves, Piense

Percurso como treinador Desportivo de Beja (Adjunto de Francisco Graça nos Nacionais de juniores e seniores)
Seleções distritais sub-14 da AF Beja (Adjunto)
Formador nos Cursos de Treinadores da AF Beja
Treinador da Seleção sub-15 Sul da FPF
Coordenador de scouting do FC Porto (Beja). 

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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