sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Seleção de Futebol de Rua afinou o Mundial do México em Beja: Uma comitiva com sotaque alentejano



O 10.º Campeonato do Mundo de Futebol de Rua começa amanhã, no México, com equipas de 68 países, entre elas a portuguesa, que ontem deixou a cidade de Beja, onde cumpriu os últimos aprumos antes de atravessar o Atlântico.

Texto e foto Firmino Paixão
Carregados de esperança na conquista do título mundial, os oito jogadores da seleção nacional estiveram no Alentejo a aperfeiçoar competências desportivas e sociais que potenciem a afirmação deste projeto de inclusão patrocinado pela Associação CAIS.

Na comitiva viajou Francisco Seita, um técnico bejense com experiência adquirida durante dois anos (2010/2011) à frente do projeto Inclusão pela Arte na equipa do Centro Social do Bairro da Esperança, e chamado pela Associação Cais para integrar a dupla de selecionadores que preparou a presença portuguesa no Mundial de Futebol de Rua. Francisco Seita, 25 anos, comentou que a observação dos atletas ocorreu durante a final nacional realizada em julho, na cidade de Beja. Foram as primeiras escolhas, tínhamos um leque mais vasto, mas estes foram os eleitos. Os critérios assentam no relatório psicossocial de cada um, em avaliações como a atitude dentro do campo e o companheirismo, e devem corresponder ao perfil social exigido pelo projeto; não chega serem bons jogadores, têm que ser bons companheiros, revelou o técnico alentejano.

O treinador explicou que o programa de trabalho durante os dias em que estiveram na cidade de Beja incluiu dois treinos desportivos diários e treinos sociais, pormenorizando que na vertente desportiva o essencial é que assimilem as nossas ideias de jogo, aquilo que queremos que eles pratiquem dentro do campo, e depois temos os treinos sociais que são estratégias de união e coesão do grupo que visam fortalecer a sua formação enquanto homens, sobretudo a autoestima, o sentimento de união, dar tudo pelo parceiro. E acrescentou: nem sempre o mais importante é vencer, às vezes é preciso saber perder.

Seita sabe que o desporto é uma ferramenta de inclusão muito eficaz e sublinhou que principalmente na vida destes jovens e num País onde o futebol é o desporto rei, pensamos que sendo esta uma experiência única para eles, se calhar até mudará a vida de alguns. Esperamos que seja assim porque será importante se formos campeões, mas é mais importante valorizar o perfil de vida de um destes jogadores, ou de todos, do que trazermos a taça. O conjunto nacional foi apresentado esta semana no salão nobre da Câmara Municipal de Beja, na presença de Miguel Góis, vereador do pelouro do Desporto do município de Beja, Carlos Coutada, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, João Araújo, diretor regional do Instituto Português do Desporto e da Juventude, e Gonçalo Santos, coordenador da Associação Cais, além de outros patrocinadores institucionais e empresarias do projeto.

O autarca Miguel Góis sublinhou que Beja está orgulhosa por vos ter recebido a todos, desde o primeiro momento, que foi a final nacional aqui realizada em julho, como agora, durante o estágio da seleção nacional, temos também aprendido muito convosco, aprendido que os melhores projetos nem sempre são aqueles que têm mais notoriedade e mais investimento depositado. E acentuou que o projeto do qual vocês são a cara é muito importante, é um projeto que nos orgulha e que nos ensina muitas coisas. Aquilo que desejamos é que tenham toda a sorte do mundo. E finalizou saudando o representante da cidade de Beja nesta missão: Que o Francisco Seita leve também a nossa cidade até ao México e que em conjunto com todos os atletas do País inteiro possamos efetivamente ter uma excelente participação. João Araújo, em representação do Instituto Português do Desporto e da Juventude sublinhou que uma representação que é portadora de tantos valores só pode ser bem sucedida, congratulando--se com o que disse ser o novo paradigma que está a despertar em muitas instituições e que é a realidade de o desporto ser um importante fator de inclusão.

Uma participação digna, responsável e que orgulhe Portugal, pediu o coordenador do projeto Futebol de Rua, da Associação Cais, aos jogadores que integram a equipa nacional, referindo que mais importante é o dia seguinte. Eles vão ter bons e maus momentos, alegrias e tristezas, vão aprender com cada vitória e com cada derrota, por isso, no dia seguinte, ficarão vazios por a experiência ter acabado mas, ao mesmo tempo, cheios e felizes por tudo o que fizeram. 

Fonte:  http://da.ambaal.pt

Sem comentários:

Enviar um comentário