sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ENTREVISTA. António Gonçalves "Mineiro Aljustrelense esteve à beira do abismo"

texto: Carlos Pinto
ENTREVISTA. António Gonçalves
"Mineiro Aljustrelense esteve à beira do abismo"

António Manuel Godinho Gonçalves, presidente da Comissão Administrativa do Sporto Clube Aljustrelense, 35 anos, natural de Aljustrel
O passivo do Aljustrelense ronda actualmente os 20 mil euros, depois de em Junho estar nos 56 mil euros. Em entrevista ao "CA", o presidente da comissão administrativa, António Gonçalves, garante que o clube está no caminho "da estabilidade".
Há quem diga que quando esta comissão administrativa entrou em funções, em Junho, o Mineiro Aljustrelense estava à beira do abismo. É verdade? É verdade…
  
Porquê? Os valores [do passivo] de que tínhamos conhecimento quando entrámos sofreram alterações e sempre em sentido ascendente. Sabíamos que poderia haver um desvio para cima, mas tanto não! E socorrer a tantas situações que estavam por resolver, nomeadamente junto das instituições e dos atletas, não foi fácil. Mas com muito trabalho e esforço conseguiu-se dar a volta a esta questão.
  
A anterior direcção justificou de alguma forma a diferença entre o passivo anunciado inicialmente e o passivo real? Absolutamente nenhuma! No dia seguinte a tomarmos posse fizemos uma reunião [com a anterior direcção] e acordámos que seriam entregues documentos fazendo referência aos valores que poderiam justificar, de certa forma, esses números. O que é certo é que isso nunca aconteceu! Ainda fizemos telefonemas e tentativas de contacto, mas as pessoas simplesmente "saltaram do barco" e não quiseram mais prestar o auxílio que era necessário na altura, ainda mais sendo uma situação da sua total responsabilidade. Mas pronto, tivemos de pôr uma pedra sobre o assunto.
  
Qual a estratégia seguida pela comissão administrativa para "arrumar a casa"? Aproveitámos o que se vai passar com os quadros competitivos na próxima época para fazer aí uma redução de custos [com a equipa sénior], recorrendo aos atletas da formação do clube. Depois temos vindo a fazer uma gestão muito rigorosa, no sentido de aplicar o capital onde tinha de ser aplicado. Não foi possível chegar a tudo ao mesmo tempo, mas também falámos com as pessoas e fizemos com que compreendessem o que o clube estava a viver, havendo perdões de dívida…
  
Numa altura em que todos contam os euros até ao último cêntimo, como conseguiram o "perdão" de perto de 8.350 euros do total da dívida? Não foi fácil, mas o Mineiro Aljustrelense é um clube histórico. As pessoas sabem a forma como o clube sempre trabalhou e como honrou os seus compromissos. E isso permitiu que parte dessa dívida fosse reduzida. Conseguimos [o perdão de] um valor ainda avultado junto dos atletas, mas também de fornecedores, porque as pessoas confiaram no nosso trabalho e acreditaram que seríamos capazes de pôr o clube outra vez na rota da estabilidade.
  
E o Mineiro Aljustrelense já voltou a essa "rota de estabilidade"? Já voltou, não posso dizer que não! O Mineiro Aljustrelense encontra-se cada vez mais estável em termos financeiros e apesar das contingências actuais das empresas temos conseguido muitos apoios. Mas foi preciso lá estarmos, expormos os problemas, pedirmos ajuda… Não podemos ter medo ou receio de pedir ajuda e foi o que foi feito! E neste momento continuamos a baixar o passivo, apesar de ainda existirem coisas que têm de ser pagas, o que esperamos conseguir fazer até final da época.
  
Qual é o passivo actual do Mineiro Aljustrelense? Já conseguimos diminuir o passivo em cerca de 60% do valor que encontrámos, ou seja, o passivo actual deve andar na casa dos 20 mil euros.
  
No final de Setembro, em Assembleia Geral, a comissão administrativa apresentou as contas dos primeiros três meses de trabalho e acabou reconduzida até final da época desportiva. Por que razão não apresentaram uma lista para os corpos sociais do clube? Nos primeiros três meses, e apesar da primeira premissa de uma comissão administrativa ser criar condições para eleger novos corpos gerentes, não estivemos um único segundo preocupados com essa questão.
  
Porquê? Porque havia – e continua a haver – problemas tão graves para resolver que, sinceramente, nem pensámos nesse assunto. Depois há a questão da responsabilização das pessoas! A criação de uma direcção "limpa" claramente a responsabilização das pessoas e é o assumir da responsabilidade pelos novos corpos gerentes. Há aqui muita coisa que ainda pode trazer dissabores ao clube e como não temos que ser nós enquanto comissão administrativa a assumir essa responsabilidade, não a vamos assumir… Com a garantia de que tudo faremos para que o clube caminhe pelo caminho certo!
  
O que é que ainda pode vir a prejudicar o clube? Há por exemplo a questão das Finanças, uma vez que não foram apresentadas contas de forma conclusiva… Vamos agora apresentar e entregar o [relatório do] nosso trimestre de trabalho e aquilo vai ser do zero para o 80. E não sabemos em que é que isso vai traduzir-se, sabendo que o clube pode vir a ser fiscalizado. E em termos da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) existem taxas de arbitragem que estão por pagar da época passada. Já entrámos em contacto com a FPF com uma proposta, mas até à data não obtivemos qualquer notícia, sabendo no entanto que o dinheiro da nossa participação na Taça de Portugal já foi cativado. São estas as questões mais pertinentes. Tudo o resto vai-se resolvendo aos poucos.
  
  
  
  
Possível descida encarada "sem dramatismo"
  
  
   Numa época em que 10 das 12 equipas que participam na Série F da 3ª divisão nacional vão descer, António Gonçalves encara a possível despromoção do Mineiro Aljustrelense aos distritais "com naturalidade". "Se descermos não haverá dramatismo", afiança.
Passivo reduzido em mais de 60 por cento

A comissão administrativa do Mineiro Aljustrelense conseguiu reduzir o passivo do clube em cerca de 60% entre os meses de Julho e Outubro. "O passivo actual deve andar na casa dos 20 mil euros", adianta ao "CA" o presidente da comissão administrativa, António Gonçalves. De acordo com os dados divulgados pelo clube, a 3 de Julho, pouco depois da actual comissão administrativa entrar em funções, o valor encontrado em dívida era de 56.625,09 euros – mais de 10 mil euros acima dos 45.064 euros de passivo estimado inicialmente. A maior "fatia" do passivo tinha que ver com os subsídios a pessoal, nomeadamente atletas (26.030 euros), treinadores (3.950 euros), departamento médico (3.698 euros) e formação (1.850 euros), num total de 35.528 euros. Já as dívidas a fornecedores eram de 12.180,54 euros, estando ainda em falta o pagamento de 7.547,09 euros à Associação de Futebol de Beja e à Federação Portuguesa de Futebol, além de 846,14 euros às Finanças e mais 523,32 euros à EDP.
Fonte:  http://www.correioalentejo.com

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