sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Treinador do Almodôvar entende que subir de divisão seria suicídio: “Não vamos hipotecar o futuro”





O Clube Desportivo de Almodôvar, atual líder do Campeonato Distrital da 1.ª Divisão da AFBeja, é uma das duas equipas ainda invictas na prova.

Texto e foto Firmino Paixão

Sem assumir o objetivo de subida de divisão, apesar da grande qualidade das infraestruturas de que dispõe e do histórico de épocas bem sucedidas no futebol regional, o Almodôvar consolidou a sua posição no topo da tabela. O treinador David Guerreiro, de 28 anos, que este ano assumiu a liderança da equipa, após quatro temporadas no Rosairense, quer apenas chegar ao final da época e, olhando para trás, concluir que o seu trabalho teve mérito. Com uma carreira de futebolista feita ao serviço do Padernense, já conhece bem a realidade do futebol alentejano, onde na primeira época em que chegou foi campeão distrital da 2.ª Divisão. Na semana em que o Almodôvar se destacou no primeiro lugar do campeonato, o treinador fala da nova realidade que está a viver.

O que espera deste novo desafio como técnico do Almodôvar?
Espero que seja uma boa temporada, que consigamos muitas vitórias, até agora tem corrido bem e espero que, até ao resto da época, estes bons resultados se mantenham. Ainda estamos na sexta jornada, faltam muitos jogos para concluir o campeonato, naturalmente que estar já na frente é sempre melhor do que ir em segundo ou terceiro, mas sabemos que o campeonato está ainda muito precoce e que temos que trabalhar muito para continuarmos nos lugares de cima.

O Almodôvar é um dos can­di­datos?
Não! O Almodôvar é um candidato a fazer o melhor possível, a ganhar o maior número de jogos. No fim faremos as contas e avaliaremos como a época nos correu. Não assumimos nada e penso até que a equipa que subir de divisão pode, eventualmente, cometer um suicídio. Claro que toda a gente quer ficar em primeiro, mas sabemos que o clube que suba agora de divisão pode hipotecar os próximos anos e nós temos que pensar no presente, mas também no futuro.

Já pontuou com os presumíveis candidatos, sinais de uma equipa com grande capacidade?
Foram jogos que nos correram bem. No início da época apanhámos logo as equipas que, teoricamente, são mais difíceis. Fomos bem-sucedidos mas isso não quer dizer nada. Às vezes temos partidas em que julgamos que a vitória está assegurada e são esses que nos criam grandes dificuldades. Sabemos que temos uma boa equipa, que temos feito bons resultados com equipas consideradas candidatas e que as pessoas olham para nós pensando que isto já está ganho.

E não é esse o sentimento atual da equipa?
Não, não é assim! Temos os pés bem assentes no chão, queremos continuar a trabalhar, treino após treino, jogo após jogo, e veremos o que nos trará o futuro, quero pensar que no final da época olharemos para trás e concluiremos que fizemos uma boa época, independentemente do lugar em que ficarmos.

Tem um plantel com algumas individualidades ou prevalece o valor do coletivo?
O futebol é um jogo coletivo e, para mim, as grandes equipas valem sempre pelo seu coletivo. Claro que se conseguirmos pôr as individualidades ao serviço do grupo, será melhor ainda, mas o mérito da nossa equipa está no coletivo. É uma equipa muito jovem, que ainda está em crescimento e a assimilar ideias novas, e temos alguns jogadores mais experientes que nos oferecem alguma tranquilidade.

E que tem excelentes condições e apoios para poder trabalhar?
O Almodôvar tem, de facto, excelentes condições. Ao nível de uma prova distrital é um clube que tem infraestruturas de grande qualidade. Estou satisfeito, penso que os jogadores também estão contentes e temos também uma nova direção que está a trabalhar muito bem. Temos tudo para fazermos uma época engraçada.

Quem são os seus candidatos?
Para mim, os candidatos são o Milfontes e o Aldenovense. Foram equipas que se assumiram como tal e, se o fizeram, é porque sabem o que lá têm e a forma como estão a trabalhar para lá chegar. Agora estão um pouco mais atrás de nós mas, com o decorrer do campeonato, certamente que se aproximarão dos lugares cimeiros. Se assumiram esse estatuto será porque têm condições e convicção para isso, no final é que vamos ver.

Que objetivos tem o Almodôvar na Taça Distrito de Beja, em que joga a primeira eliminatória em Amareleja?
Na taça são jogos a eliminar, quem perder sai logo e continua quem ganhar, por isso, o objetivo do Almodôvar só pode ser ganhar o máximo possível de eliminatórias e ver onde conseguiremos chegar. Não teremos um jogo fácil, o Amarelejense é uma equipa forte em casa, nos jogos de taça as equipas não pensam em pontos e superam-se para ganhar.

O projeto do Almodôvar é mais ambicioso que o do Rosairense, onde esteve durante quatro épocas?
É um projeto diferente, achei que o ciclo no Rosário ficou cumprido e entendo que com o tipo de condições que tínhamos até fizemos um excelente trabalho – jogadores, direção e eu próprio. Este ano surgiu este convite, achei que era uma boa altura para mudar, experimentar outra coisa e ver se conseguimos dar continuidade ao trabalho dos últimos anos.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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