sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Um gesto nobre


José Saúde

As antigas rixas que pressupunham efémeras rivalidades desportivas têm aberto caminho para a legitimação de um respeito intrínseco entre velhos rivais. Aliás, olho à lupa o universo da bola e a sua imagem transmite­- ‑me múltiplos sinais de esperança. Admito, pois, que as velhas animosidades exequíveis e os seus desusados costumes terão, porventura, os dias contados. Beja, e toda a sua área territorial, gozou outrora de um despesismo clubístico que paulatinamente tende em contrariar antigas quezílias que marcaram eras desportivas. Longe vão os tempos em que os emblemas em confronto sobre o retângulo de jogo eram prenúncios de desgarradas lutas, verbais sobretudo, entre alegados adeptos sectários. Sonhava-se com o velho derby ao longo da semana e levava-se à letra iras acumuladas. Atualmente são os miúdos que dão excelentes exemplos de unidade e sobretudo de um intrínseco espírito que o adversário não deve ser visto como um alvo a abater mas tão­-‑só como um próspero companheiro que naquela ocasião enverga uma outra camisola, sabendo-se, porém, que o querer de ambos passa objetivamente pela almejada vitória. No pretérito domingo assisti ao jogo de juvenis entre o Desportivo de Beja e o Despertar, ficando surpreso pela atitude dos jogadores em campo, quer ao longo da partida quer no seu início. Não se tratou de uma falácia mas de uma pura realidade que eu próprio encaixei como uma veracidade obtida. Após se auscultar o apito do árbitro que indicou a apresentação oficial das equipas e os recíprocos cumprimentos dos atletas sobre o sintético, os jogadores de ambos os conjuntos dirigiram-se aos bancos adversários e houve interagidas saudações. Um gesto nobre dos “putos” que deveria, por inerência de uma prática desportiva salutar, estender-se ao cosmos dos adultos. O repto fica lançado e nobreza do gesto registada!

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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