sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Saudade


José Saúde
Vozes desembargadas levavam os arautos da bola bejense a proclamarem, em tempos, que o Desportivo era, inquestionavelmente, a bandeira da região. Confesso que nunca fui afável a esses ditos populares que outros pomposamente defendiam. Ocupado com o prodígio do futebol em toda a sua linha, limito-me a constatar uma realidade ímpar que me transmitia que no velho Flávio dos Santos morava uma excelente equipa que tinha a sua sede mãe na rua dos Sembranos e que a nível nacional levava o nome da velha Pax Julia e do Alentejo ao mais recôndito lugar nesta pátria de Camões. O Desportivo era o emblema, com rosto, que deixava embevecido o povo alentejano. Jornadas de autênticas glórias desportivas que deixavam os amantes do desporto-rei nos píncaros da lua. Foram anos de explosiva difusão. O Desportivo militava com regularidade no escalão secundário nacional no tempo em que existiam, apenas, a primeira e a segunda divisões. Nas suas fileiras militaram jogadores de renome e das suas alas saíram atletas para o consagrado palco primodivisionário nacional. Essa é uma incontestável verdade que cruza a veracidade do presente. O impacto do passado reveste-se somente de uma saudade imensa. Olho para o atual deslumbramento e esvoaço o meu olhar em planetas outrora inimagináveis. Talvez que o pensamento desses longínquos tempos não me dava asas para subir acima das nuvens e vislumbrar pretensos cenários futuros. Mas a verdade de agora traça panoramas deveras antagónicos. É justo explicitar o presente e trazer à rama a evidente realidade constatada com o Moura AC, com o Mineiro Aljustrelense, com o castrense e com o Vasco da Gama da Vidigueira, os nossos legítimos representantes no futebol nacional (III divisão). Na montra da saudade residem resquícios onde o Desportivo de Beja foi no passado rei e senhor. Alimentemos porém a esperança num amanhã risonho!

Fonte: http://da.ambaal.pt

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