O castrense comemorou 60 anos de existência. Um tempo marcado pelo equilíbrio financeiro e reforço dos seus ativos mas, desportivamente, fragilizado com o regresso aos regionais.
Texto e foto Firmino Paixão
Carlos Alberto Pereira, presidente do castrense, assinala os 60 anos de vida do emblema a que preside lembrando a forte implantação do clube, o seu ecletismo e, sobretudo, a estabilidade financeira que atravessa. Não dramatiza os resultados desportivos, privilegiando passos seguros que não hipotequem o futuro, e anuncia que o seu mandato está a chegar ao fim.
Os 60 anos de existência são um marco importante na vida do clube?
É um marco histórico na vida de um clube com muita importância neste distrito e na região sul, mas, sobretudo, num concelho onde promove a prática desportiva há mais de 60 anos e por onde passaram já mais de 10 000 atletas. É um clube que já ganhou muitos títulos, que navega em águas calmas e tem uma base sustentável para se manter, no mínimo, com a tranquilidade com que está.
Existe algum registo mais marcante neste bocado da história do castrense?
O castrense tem tido muitos momentos de topo ao nível distrital, mas o momento mais marcante para mim, pessoalmente e enquanto presidente, foi uma época em que conseguimos ganhar o Campeonato Distrital, a Taça Distrito de Beja e a Taça Disciplina, tudo no mesmo ano. Mas o mais importante na vida de um clube é ter esta base que, nos últimos 10 anos, tem permitido manter mais de 300 atletas a praticarem desporto de forma continuada e em cinco modalidades. Seremos, por certo, um dos clubes mais ecléticos do distrito.
Um percurso com alguns altos e baixos na vida do clube?
Há sempre momentos de maior dificuldade que são normais e comuns a todos os clubes. Atravessámos uma fase muito difícil, com problemas financeiros, mas, felizmente, recuperámos e até conseguimos inverter as dificuldades financeiras e tornámo-nos um clube com uma base sustentável e até com alguns ativos. Nos últimos quatro anos adquirimos três viaturas, apetrechámos o posto médico como nenhum clube do nosso nível terá e ainda adquirimos um apartamento.
Como consegue reunir os apoios que configuram essa boa gestão?
Eu diria que a nossa direção tem trabalhado de uma forma árdua, procurando arranjar financiamento junto das empresas, dos sócios, dos amigos, depois, temos tido um autocontrolo muito rigoroso no que toca a despesas. Podíamos ter enveredado por uma equipa sénior muito mais forte e, eventualmente, estaríamos prontos para subirmos de divisão. Mas que impacto teria isso no clube no futuro? Então ponderámos, se as coisas acontecerem será de uma forma sustentável, nunca leviana, em que para se promoverem pessoas se perdem os clubes. Aqui fazemos ao contrário, primeiro está o clube e nós só fruímos da alegria de oferecermos vitórias ao clube e prática desportiva às pessoas.
O castrense utiliza infraestruturas de grande qualidade, o município tem sido um bom parceiro para o clube?
Não tenho dúvidas em mostrar o meu reconhecimento pela colaboração e apoio que o município de castro Verde tem dado ao clube. Também relativamente à junta de freguesia local, à empresa Somincor e às outras empresas que nos têm ajudado, bem como aos sócios e amigos do clube. Certamente que a força do castrense tem muito a ver com todos esses apoios que recebemos.
Que prenda desejaria receber pela comemoração dos 60 anos do castrense?
O que pedia, neste momento, é que surgisse um grupo de pessoas que tomasse conta do clube e que tenha capacidade para o manter equilibrado com está, porque esta direção acaba o mandato este ano.
É o anúncio da sua retirada?
Muito provavelmente sairei. Fiz um percurso de quatro anos muito difíceis, não sou a peça mais importante, os meus colegas de direção é que têm feito um trabalho extraordinário e eu sou, simplesmente, o rosto da equipa. O clube não depende de mim, nem pouco mais ou menos, depende de muitas outras pessoas, eu sou apenas mais um.
O castrense sai do quadro nacional e regressa aos regionais. É uma frustração, ou nem por isso?
Encaro o futebol sem dramas, no princípio tínhamos que estabelecer um objetivo, mas num campeonato onde descem 10 equipas não poderíamos assegurar que nos iríamos manter porque isso, este ano, não existia. Tínhamos que dizer que íamos tentar a subida. Atendendo às imitações do plantel, o desempenho da equipa até foi bom, pelo que agradeço muito a estes jogadores e à equipa técnica.
Mário Tomé manter-se-á no castrense na próxima temporada?
Se eu me mantivesse na presidência do clube, e isso só seria possível se não aparecesse mais ninguém, e a minha equipa de trabalho quisesse continuar, o meu treinador seria Mário Tomé.
Fonte: http://da.ambaal.pt
Sem comentários:
Enviar um comentário