sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ruben Rochinha vai tentar qualificar-se para o quadro nacional: “Sou um árbitro dialogante...”


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O jovem Ruben Rochinha é o árbitro a quem o Conselho Regional de Arbitragem abriu uma janela de oportunidade para o sucesso, alicerçada no mérito do seu desempenho ao longo da época desportiva.

Texto e foto Firmino Paixão
Ruben Miguel Revez Rochinha nasceu há 23 anos em Aldeia dos Fernandes, uma terra equidistante das vilas de Almodôvar e Ourique, por sinal berço dos dois clubes que coloriram o passado desportivo desta promessa da arbitragem. “Fiz a minha formação como atleta no Clube Desportivo de Almodôvar, onde fui jogador federado desde dos infantis até aos juniores, período interrompido, apenas, por uma época, em que, não havendo equipa de juvenis em Almodôvar, fui jogar para o Ourique”, refere Ruben que, após a sua adesão à causa da arbitragem, fintou a incompatibilidade passando a jogar no clube da sua terra, nos campeonatos do Inatel.
O futebol sempre fez parte da sua ementa dos fins de semana: “Desde muito novo que sou um apaixonado pelo futebol. Na minha família houve sempre muitos futebolistas e com esses exemplos fiquei com esse bichinho logo bem cedo”, explica, confessando que teve o incentivo do amigo Aurélio Arsénio, também árbitro de futebol. E recorda: “No meu segundo ano de júnior não havia equipa em Almodôvar, nem em Ourique, e foi nesse ano que tirei o curso, apitei uns jogos, comecei a gostar e até achei que tinha um certo jeito, pelo que, jogo após jogo, tinha cada vez mais entusiasmo. A paixão pela arbitragem, essa, foi crescendo com o tempo”.
Quando há seis épocas atrás decidiu aventurar-se na arbitragem distrital certamente que não previa chegar ao topo tão depressa. “Sinceramente não. Não nego que alimentava alguma esperança, porque tive 100 pontos nos dois testes escritos e a época correu-me bem, mas fiquei surpreendido quando me disseram que era o árbitro do ano”. Na avaliação pessoal ao seu desempenho, Ruben Rochinha refere: “Tanto a época passada como esta correram-me bem, mas notei que o facto de ter andado no ano passado como assistente no escalão nacional me deu maior maturidade com árbitro”.
A projeção de carreira na arbitragem, sobretudo neste tempo de reestruturações nos quadros competitivos, aconselha passos seguros e Rochinha, nesta época, tinha definido os seus objetivos: “Perspetivava ficar entre os três primeiros classificados para, eventualmente, poder entrar no lote de acesso aos quadros nacionais, defini esse objetivo no início da época, consegui, estou feliz e muito orgulhoso”, confessa. Reformulado o objetivo, face à classificação obtida, Ruben Rochinha espera agora fixar-se no quadro nacional: “A próxima etapa é o seminário que vai decorrer entre os dias 22 e 30 de junho, em que vão comparecer 66 árbitros de todos os conselhos regionais de arbitragem do País e apenas 60 árbitros se qualificarão para o quadro nacional”. Por isso, promete: “Vou estudar, vou treinar com intensidade, esforçar-me para ficar nesse lote, porque o meu grande objetivo é fixar-me no patamar nacional”. Esse é apenas um desejo, diremos nós, porque o sonho deste fernandense é bem mais largo: “Gostava de chegar à 1.ª liga, mas o meu sonho como árbitro é ouvir o hino da Liga dos Campeões”.
Confissões de um jovem cuja ambição é ilimitada, sabendo os desafios que tornariam esse sonho uma realidade, por isso Ruben, um jovem sorridente, divertido e bom comunicador, aceita deixar o esboço do seu auto-retrato como juiz de futebol: “Sou um árbitro que prefere dialogar com os jogadores em vez de mostrar cartões. É assim que me defino, posso ser muito penalizado por isso, mas é a minha maneira de ser e não consigo mudar isso. Um dos meus pontos mais fortes é a condição física e como árbitro tento passar desapercebido nos jogos”.
Ruben quis ainda sublinhar o facto de nesta temporada a arbitragem do distrito ter atingido um bom plano, sem registo de quaisquer incidentes, numa avaliação em que acentua que “os árbitros de Beja atualmente são melhores, o conselho de arbitragem tem tido um papel fundamental neste aspeto, porque proporciona bastante formação aos seus filiados”, por isso, fez questão de envolver nesta referência pessoas que o terão apoiado e que “foram importantes” no seu percurso como árbitro, entre elas “o presidente do conselho de arbitragem, José Soeiro, Francisco Vedor e Albano Fialho, porque sempre acreditaram no meu valor, e ao David Tomé por me ter proporcionado a experiência como assistente dos nacionais”.
“A arbitragem está presente em todos os momentos da minha vida”, concluiu Ruben Ro­chinha, confessando: “Conheci a minha namorada num jogo em que eu fui o árbitro e ela era jogadora (n.r. CB castro Verde). Assinalei um pénalti num lance em que ela caiu na área”. E terá sido mesmo lance para grande penalidade ou seria já o coração a sobrepor-se à razão? Parece que sim, não é Filipa?

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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