sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

“Somos o patinho feio...”


O Centro de Cultura e Desporto do Bairro da Conceição, de Beja, procura a afirmação do seu projeto desportivo, em sintomia com que tem sido o sucesso do crescimento e da valorização do seu património.

Texto e foto Firmino Paixão


O treinador da equipa principal do clube, Jorge Costa, reconhece as limitações que a condição de amadorismo impõe ao projeto que lidera, mas acredita na manutenção da equipa na 1.ª Divisão da AF Beja. Os objetivos são modestos, mas o técnico sublinha a união e a amizade que existe no grupo como forma de superação das adversidades.  


Que metas traçaram para esta temporada?Sinceramente, a direção do clube não me pediu rigorosamente mais nada senão para fazermos o melhor possível dentro das limitações que temos. O Bairro ainda não é um clube com estatuto de 1.ª divisão distrital, é a terceira vez que estamos neste patamar, por isso, o que nos podem pedir é que sejamos dignos, rigorosos, disciplinados e tentarmos a manutenção, mas se não for possível, também não será um drama.


O décimo segundo lugar, nesta altura, sabe a pouco?Neste momento sabe, gostava de ter muito mais. Pensei que este ano faríamos uma prova mais sólida e que, nesta altura, estivéssemos um pouquinho melhor na classificação. Mas, face à conjuntura do campeonato e das equipas que estão a competir, e um pouco também pelas nossas limitações financeiras, não de infraestruturas, porque somos o único clube deste campeonato com campo próprio. Mas as despesas que isso também acarreta invalidam qualquer tipo de investimento na equipa. Já nem falo em subsídios aos atletas, mas em proporcionar melhores condições de treino.


Quais são as fragilidades do vosso plantel?Temos algumas fragilidades, temos que ser sinceros, somos a segunda pior equipa em finalização, com seis golos em 12 jornadas, é pouco. Além de que temos cinco golos marcados em dois jogos, ou seja, temos nove jogos em que ficámos em branco. Num campeonato desta natureza isso é muito significativo.


Mas estamos a falar de uma equipa muito combativa, muito aguerrida?É verdade que somos uma equipa combativa, até um pouco agressiva, e este ano temos sido um pouquinho prejudicados nesse sentido. No ano passado ganhámos a Taça Disciplina da 1.ª Divisão e orgulha-nos muito termos conseguido isso. Este ano não estamos diferentes, mas nos 12 jogos acabámos seis em inferioridade numérica. Parece que a equipa é agressiva no mau sentido, mas não é verdade, compensamos as fragilidades técnicas com o nosso querer e a nossa vontade, e isso nem sempre é bem entendido.


Por quem? Pelos árbitros?Não culpamos os árbitros, nenhum nos prejudicará desde que consigamos ser melhores que o nosso adversário. Mas conheço as limitações de qualidade que temos. Conheço as limitações do nosso futebol distrital, em termos de plantéis, de treinadores, mas, em matéria de arbitragem, também estamos um pouco limitados. Têm surgido árbitros novos, os mais conceituados vão apitar os nacionais e nós temos apanhado arbitragens, sobretudo fora de casa, em que notamos bastante a diferença.


A segunda volta do campeonato pode ser mais prometedora?Estou bastante convencido que não desceremos de divisão. Aliás, posso até escrever que será assim como digo. O nosso melhor argumento, não o escondemos, é o fator casa, e nos jogos que temos pela frente receberemos todas as equipas do nosso campeonato, pelo menos aquelas que estão mais próximas de nós na tabela e até já pontuámos em casa de algumas delas.


O Bairro da Conceição é uma equipa puramente amadora?É puramente amadora. Vou revelar aqui uma coisa que os meus jogadores ainda não sabem. Somos absolutamente amadores, não temos dinheiro para nada. Vamos jogar a Odemira no início da segunda volta e não sei como lhes vou dizer que o clube não tem dinheiro para a equipa ir lá almoçar. Não temos capacidade financeira para deslocações tão grandes. Quando se junta algum dinheiro aparece alguém que tem a liberdade de o levar e isso, infelizmente, acontece muitas vezes.


Como se motiva uma equipa com tantas limitações?É difícil. Temos que ser um bom grupo de amigos. Eu não sou o seu treinador, nem eles são os meus jogadores. Somos todos grandes amigos, trabalhamos por uma causa, por uma missão. Também temos poucos dirigentes à nossa volta, vemos equipas chegar com seis e sete diretores, nós, também nisso, estamos muito limitados.


O concelho de Beja tem quatro clubes nas provas seniores da AF Beja. Isso dificulta o recrutamento e dificulta o apoio …Costumo dizer isto para dentro, mas vou dizê-lo para fora, nós somos um pouquinho o “patinho feio”. Num passado recente ninguém contava que o Bairro da Conceição fosse hoje o clube mais representativo da cidade. Mas nós não temos culpa que, através do nosso trabalho e da nossa forma de estar, conseguíssemos lá chegar, mas sofremos um pouco com isso. Dou um exemplo, convido 50 jogadores para jogar no Bairro e custa arranjar 15 ou 16. Olham-nos ainda como um clube de bairro, por isso, temos que nos impor na 1.ª Divisão Distrital para que nos olhem de outra forma.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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