Bis italiano na casa de Rimet
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Incerteza
e angústia marcaram a terceira edição da prova pela inevitabilidade do
conflito que, no ano seguinte, eclodiria e até 1945 enlutaria o Mundo. A
Espanha, com uma guerra civil, e a anexada Áustria, que passara a fazer
parte do III Reich, não participaram na qualificação, enquanto a
Inglaterra teimava em manter-se à parte - provavelmente amuada pela
iniciativa apresentar o selo francês -, sem esquecer a ausência de
Uruguai e Argentina, que renunciaram justificando "prepotência
europeia", numa alusão à escolha da FIFA ter recaído para a Europa em
vez da América do Sul, faltando assim ao compromisso estabelecido de
rotatividade continental. Ou seja, depois do Itália'34, não devia ser
França'38!
O Brasil é que não foi nessa conversa e surgiu disposto a contrariar o ascendente europeu e que tinha em Léonidas o seu Pelé de então. Leónidas que daria nas vistas logo no primeiro jogo, quando o Brasil venceu a Polónia por 6-5. Autor de 3 golos, o canarinho marcou em todos os jogos, tendo sido o grande obreiro no triunfo sobre a Checoslováquia, em duas partidas que deram brado pela incerteza do resultado e violência em campo. Para as "meias", com a Itália, o técnico brasileiro não contou com Leónidas, lesionado, embora outra versão tenha feito história: a de que Ademar Pimenta o tenha resguardado com vista à final! Até ao dia da sua morte (24 de janeiro de 2004), Leónidas sempre defendeu o seleccionador. A verdade é que a Itália passou à final. Assim, foi à Hungria que coube a honra de estar presente no jogo decisivo, frente a uma Itália à procura da revalidação do título. E, apesar de todo o apoio do público francês, os magiares nada puderam fazer ante o colosso italiano.
Curiosidades
• Yves Rimet, neto de Jules (presidente da FIFA), ficou de pé em cima da mesa e foi quem tirou as bolas no sorteio da fase final, no dia 5 de março.
• O austríaco Mathias Sindelar, um dos melhores jogadores da época, recusou a convocação para defender a Alemanha e morreu em 1939, abalado pela morte de sua mulher e pela anexação da Áustria promovida por Hitler.
• Mesmo a ganhar por 2-0 desde os 22' e jogar contra 10 desde os 41', a nova Alemanha, com cinco austríacos e seis alemães, perdeu no desempate com a Suíça. Tal como nos JO Berlim'36, lá se foi a teoria da raça superior...
• Como Brasil e Polónia entraram em campo de branco vestidos, houve sorteio para definir quem trocava de equipamento. Foi a primeira e única vez que o escrete jogou sem o distintivo ao peito, com um uniforme azul-bebé.
• Como a França jogava de azul, a Itália adoptou o equipamento preto, cor do fascismo, com os seus jogadores a cumprimentarem os adeptos com a saudação da moda (braço estendido), o que lhes valeu assobios cada vez que tocavam na bola.
• Influenciado pelo regime fascista, o jornal italiano "La Gazzetta dello Sport" comemorou a vitória sobre o Brasil nas meias-finais da seguinte forma: "Saudamos o triunfo da inteligência italiana sobre a força bruta dos negros".
• O "verrou" (ferrolho) nasceu no Hungria-Suíça. Karl Rappan, treinador dos helvéticos, sabia de antemão que não podia ganhar aos magiares e optou por privilegiar a defesa em detrimento do ataque. Nesse dia, a tática não deu resultado: 0-2.
• Na véspera da final, os jogadores italianos receberam um telegrama assinado pelo ditador Benito Mussolini. "É vencer ou morrer." Depois dos 4-2, o guarda-redes húngaro desculpou-se: "Salvámos a vida de 11 homens!"
• A seleção italiana foi a única que viajou de uma cidade para a outra de avião, alugado por Mussolini. As outras equipas andavam de comboio e o Brasil, por exemplo, completou 1.764 km e passou quase dois dias dentro de uma locomotiva.
• Curiosamente, os campeões chegaram a Roma de... comboio! No Palácio Veneza, Mussolini ofecereu a cada jogador 8.000 liras pelo título, o equivalente para comprar o carro mais popular do país naquela altura, Fiat Topolino 500A.
Portugal na qualificação
Grupo 5
Portugal-Suíça, 1-2
RESULTADOS
Oitavos-de-final
Suíça-Alemanha 1-1 (4-2)*
Cuba-Roménia 3-3 (2-1)*
Checoslováquia-Holanda 3-0
Suécia-Áustria **
França-Bélgica 3-1
Hungria-Índias Holandesas 6-0
Itália-Noruega 2-1
Brasil-Polónia 6-5
Quartos-de-final
Itália-França 3-1
Suécia-Cuba 8-0
Hungria-Suíça 2-0
Brasil-Checoslováquia 1-1 (2-1)*
* Desempate
** Cancelado devido à anexação da Áustria pela Alemanha
Meia-finais
Hungria-Suécia 5-1
Itália-Brasil 2-1
3.º lugar
Brasil-Suécia 4-2
Final
Itália-Hungria 4-2
Melhor marcador
Leónidas (Brasil) 7 golos
Fonte: http://www.record.xl.pt/
O Brasil é que não foi nessa conversa e surgiu disposto a contrariar o ascendente europeu e que tinha em Léonidas o seu Pelé de então. Leónidas que daria nas vistas logo no primeiro jogo, quando o Brasil venceu a Polónia por 6-5. Autor de 3 golos, o canarinho marcou em todos os jogos, tendo sido o grande obreiro no triunfo sobre a Checoslováquia, em duas partidas que deram brado pela incerteza do resultado e violência em campo. Para as "meias", com a Itália, o técnico brasileiro não contou com Leónidas, lesionado, embora outra versão tenha feito história: a de que Ademar Pimenta o tenha resguardado com vista à final! Até ao dia da sua morte (24 de janeiro de 2004), Leónidas sempre defendeu o seleccionador. A verdade é que a Itália passou à final. Assim, foi à Hungria que coube a honra de estar presente no jogo decisivo, frente a uma Itália à procura da revalidação do título. E, apesar de todo o apoio do público francês, os magiares nada puderam fazer ante o colosso italiano.
Curiosidades
• Yves Rimet, neto de Jules (presidente da FIFA), ficou de pé em cima da mesa e foi quem tirou as bolas no sorteio da fase final, no dia 5 de março.
• O austríaco Mathias Sindelar, um dos melhores jogadores da época, recusou a convocação para defender a Alemanha e morreu em 1939, abalado pela morte de sua mulher e pela anexação da Áustria promovida por Hitler.
• Mesmo a ganhar por 2-0 desde os 22' e jogar contra 10 desde os 41', a nova Alemanha, com cinco austríacos e seis alemães, perdeu no desempate com a Suíça. Tal como nos JO Berlim'36, lá se foi a teoria da raça superior...
• Como Brasil e Polónia entraram em campo de branco vestidos, houve sorteio para definir quem trocava de equipamento. Foi a primeira e única vez que o escrete jogou sem o distintivo ao peito, com um uniforme azul-bebé.
• Como a França jogava de azul, a Itália adoptou o equipamento preto, cor do fascismo, com os seus jogadores a cumprimentarem os adeptos com a saudação da moda (braço estendido), o que lhes valeu assobios cada vez que tocavam na bola.
• Influenciado pelo regime fascista, o jornal italiano "La Gazzetta dello Sport" comemorou a vitória sobre o Brasil nas meias-finais da seguinte forma: "Saudamos o triunfo da inteligência italiana sobre a força bruta dos negros".
• O "verrou" (ferrolho) nasceu no Hungria-Suíça. Karl Rappan, treinador dos helvéticos, sabia de antemão que não podia ganhar aos magiares e optou por privilegiar a defesa em detrimento do ataque. Nesse dia, a tática não deu resultado: 0-2.
• Na véspera da final, os jogadores italianos receberam um telegrama assinado pelo ditador Benito Mussolini. "É vencer ou morrer." Depois dos 4-2, o guarda-redes húngaro desculpou-se: "Salvámos a vida de 11 homens!"
• A seleção italiana foi a única que viajou de uma cidade para a outra de avião, alugado por Mussolini. As outras equipas andavam de comboio e o Brasil, por exemplo, completou 1.764 km e passou quase dois dias dentro de uma locomotiva.
• Curiosamente, os campeões chegaram a Roma de... comboio! No Palácio Veneza, Mussolini ofecereu a cada jogador 8.000 liras pelo título, o equivalente para comprar o carro mais popular do país naquela altura, Fiat Topolino 500A.
Portugal na qualificação
Grupo 5
Portugal-Suíça, 1-2
| Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas | Golos | |
| Suíça | 1 | 1 | 0 | 0 | 2-1 |
| Portugal | 1 | 0 | 0 | 1 | 1-2 |
Oitavos-de-final
Suíça-Alemanha 1-1 (4-2)*
Cuba-Roménia 3-3 (2-1)*
Checoslováquia-Holanda 3-0
Suécia-Áustria **
França-Bélgica 3-1
Hungria-Índias Holandesas 6-0
Itália-Noruega 2-1
Brasil-Polónia 6-5
Quartos-de-final
Itália-França 3-1
Suécia-Cuba 8-0
Hungria-Suíça 2-0
Brasil-Checoslováquia 1-1 (2-1)*
* Desempate
** Cancelado devido à anexação da Áustria pela Alemanha
Meia-finais
Hungria-Suécia 5-1
Itália-Brasil 2-1
3.º lugar
Brasil-Suécia 4-2
Final
Itália-Hungria 4-2
Melhor marcador
Leónidas (Brasil) 7 golos
Fonte: http://www.record.xl.pt/
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