Firmino Paixão
Como podem dizer que morreu um homem que tinha sentimentos tão largos, fortalecidos pela esperança e pela nobreza com que passou pela vida, durante estes 85 longos anos.
Um homem que teve uma vida tão intensa, dedicando-se de corpo e alma à família, aos amigos, às causas que abraçou com tanto carinho e dedicação. O João António Mimoso, o nosso querido “João da Cuba”, deixou-nos. Partiu, pronto…, perdemos a sua presença física, que nos últimos tempos, por doença, até andava um tanto distante, mas a sua presença espiritual perpetuar-se-á em todos os que com ele privaram, nos bons e nos maus momentos, mas, sobretudo, naqueles momentos de excelência, em que tudo se trocava pela celebração da amizade e do companheirismo, quando partilhávamos histórias incontáveis.
O João amou o Desportivo de Beja como ninguém. Sofria, gritava, sorria e chorava, tudo ao mesmo tempo. O emblema do clube ficou junto dele para a vida eterna. Teria os seus ídolos, mas a todos admirava de igual modo, mandando-os jogar “para o coração da área”. Também era benfiquista, mas a maior paixão era, foi sempre, pelo clube da sua terra. E nisso foi um exemplo inigualável.
O João amou o cante alentejano. Sabemos com que amor abraçou essa causa e o orgulho que interiorizava quando vestia aquela farda azul, com que, através do cante, se juntava ao grupo dos bombeiros, apagando outros fogos da cultura e da saudade, por terras distantes na diáspora. Cerrava fileiras, de braço dado com os outros camaradas, e saia soletrando a moda “os trabalhadores passam a cantar …”.
Trabalhou no duro toda a sua vida, sabemos que na juventude foi desviado dos bancos de escola para a dureza dos campos. Em Cuba, sua terá natal, refrescava de saudade as suas raízes, brindava à amizade, levantando o copo num abraço fraterno aos seus conterrâneos. Foram muitos anos a madrugar, muitos e largos dias despertando a cidade com o seu sorriso, a sua graçola, o seu abraço amigo, distribuindo as “empadas da Dona Lina”, dadas a saborear por tantos lugares.
A humildade e o respeito com que o “João da Cuba” olhava o próximo eram imensuráveis, e isso levou-o a granjear a admiração de toda a gente, em todo o lugar, independentemente da condição académica ou social de quem escutava as suas palavras amigas, humildes e generosas.
Gostava de tertúlias, nasceu predestinado para a farra. Viveu a vida à sua maneira, e viveu-a bem, sempre no seio de amigos, porque não se lhe conheciam inimigos. Ele cultivava a amizade e tinha uma seara de amigos que lhe dava sempre muitas sementes.
Dizem que morreu o “João da Cuba”. Temos que acreditar que sim, mesmo pensando que homens como ele permanecem sempre no nosso coração.
Descansa em paz amigo. Vemo-nos por lá …
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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