José Saúde
Não sou fã de uma ideia desportiva onde a
futurologia traça dados inacabados. Há quem defenda que o futuro é um
dom astrológico, assente em teorias quiçá doutrinadas, opino, que
encaixa em concisas obstinações que visam transformar o dia seguinte.
Este diapasão conduz, por vezes, o mundo desportivo a enveredar por
caminhos ínvios que leva o adepto a esbarrar no muro das lamentações. E
se é verdade que o contexto desportivo arroga uma série de fatores
físicos e humanos que se adaptam à evolução do fenómeno, creio, ainda,
que a generalidade de modalidades que outrora assumiam cunhos, alguns
pessoais, são agora autênticas surpresas que honram prazeres divinais
para os atletas e para um contingente de admiradores que tendem
orgulhosamente a extravasar para o âmbito público o conteúdo da sua ação
desportiva. Somos de um tempo em que o futebol de salão, concretamente,
era jogado com regras rígidas e os jovens malabaristas, na arte da
bola, impunham determinação nas suas jogadas geniais. Recordo, também, o
saudoso Manuel Ferreira, um homem de Beja, o Pé de Ginja como era
conhecido pelo povo, um árbitro eclético que dirigia, geralmente, as
modalidades amadoras que a rapaziada, à época, praticava. O futebol de
salão, onde Ferreira era rei, deu, mais tarde, lugar ao futsal. Na minha
ideia subsiste a razão que o futsal atingiu parâmetros impensáveis.
Pavilhões com molduras humanas inolvidáveis. O futsal organizou-se de
tal forma que os campeonatos, regionais e nacionais, integrados nas
associações locais de futebol e na federação, são hoje lícitas
aspirações de gentes que se integram num fenómeno desportivo que tem
galgado fronteiras rumo a uma fiel afirmação. Em tempo de pausa
competitiva os torneios de futsal proliferam por tudo o que é sítio,
ficando a certeza que a futurologia do futebol de salão não recolheu
informação sobre a previsão dos astros no que concerne à verdadeira
expansão do jogo em ringue.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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