A dimensão do abraço dado por todos os amigos do Francisco Fernandes foi, seguramente, muito superior ao perímetro do campo de futebol José Agostinho de Matos, palco onde o treinador disse adeus ao futebol.
Texto e foto Firmino Paixão
A expressão de amizade que todos manifestaram refrescou a velha e frondosa azinheira que, ao longo dos anos, tem testemunhado a história daquele palco desportivo, e foi na sua sombra que todos comentaram os lances do jogo de estrelas que assinalou a despedida do futebol do filho daquela terra. A presença de José Manuel e Joaquim Santos “Quinito”, dois fundadores da Zona Azul, clube onde o Chico se fez jogador e se projetou para a internacionalização, tocou fundo ao homem que no dia em que disse adeus ao futebol teve e recebeu uma palavra amiga de todos e para todos. Num tempo, também especial, porque a AFBeja lhe concedeu o Mérito Honorário: “Um fim de semana muito bonito”, disse. “Sem querer falar muito de mim, julgo que também é merecido, como tributo à minha longa carreira”. Francisco Fernandes disse que sai de consciência tranquila, porque conseguiu muitas coisas bonitas, essencialmente “a amizade e o respeito”, e disse-se orgulhoso por ter arranjado tantos amigos e ter deixado uma marca por todos os clubes onde passou. O técnico manifestou profundo reconhecimento a todos os atletas com quem teve oportunidade de trabalhar, por terem compreendido o seu rigor, exigência e profissionalismo. “Sempre lhes disse que nada se consegue sem levarmos as coisas a sério”. Francisco Fernandes não deixou de lamentar que esses valores tenham deixado de existir no futebol. “Isso foi um dos motivos que me levou a sair um bocadinho mais cedo, porque não me identifico com o rumo que as coisas estão a tomar”. Por outro lado, confessou sob forte emoção: “Também perdi a mulher da minha vida há pouco tempo, que está aqui ao meu lado e decidi pensar um pouco mais em mim”, numa alusão à mãe, recentemente falecida e em repouso eterno no cemitério local, não muito distante do relvado onde o filho deixou escapar aquelas duas inevitáveis lágrimas de saudade. Um sentimento que todos vamos ter do exemplo que foi a sua passagem pelo futebol.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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