Firmino Paixão
A selecção de Portugal que está a competir
no Mundial do Brasil não fez diferente do que nos últimos anos têm feito
os políticos que governam este país – ajoelhar-se ao pés da toda
poderosa Alemanha, num acto de rendição testemunhado pela sua
chancelarina, a senhora Ângela Merkel. Não vale a pena chorarmos sobre o
leite derramado, lamentarmos presumíveis grandes penalidades mal
assinalados, outras por assinalar, nem as lesões ou expulsões, este é o
nosso destino, a nossa vocação para a mediocridade. Os designados
conquistadores não deixaram, por ora, indícios de que este epíteto possa
ter correspondência na sua efectiva campanha desportiva na pátria do
samba. Veremos mais à frente no calendário que está por cumprir, se
serão capazes de conquistar algo de glorificante para as cores
nacionais. Para já ficou o mau exemplo de um jogador pago
principescamente para, perante milhões de espectadores, e entre eles,
seguramente, milhares de crianças que veem nestes seus ídolos o espelho
para o seu próprio comportamento social e atitude no desporto, agredir
um adversário à cabeçada. O nosso veredito é que esse tal “português”
com sotaque, e com um passado desportivo manchado por inúmeras atitudes
de semelhante violência nos campo de futebol, jamais deveria envergar a
camisola das quinas. O que aconteceu nesta estreia portuguesa no Brasil
2014 foi um desfalecimento conjuntural, uma reacção vagal colectiva, em
tudo semelhante à que acometeu o Chefe de Estado durante as comemorações
do Dia de Portugal, quando, perante o seu silêncio cúmplice, uma vez
mais lhe apelaram à condenação das políticas neoliberais que já
destruíram o Estado social e que condenam milhões de portugueses ao
desemprego, ao desespero e à miséria. Perante agonia tão generalizada, o
povo português, fragilizado e deprimido como anda, esperava um
paliativo da sua equipa de futebol, mas, pelos vistos, nem isso
merecemos.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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