sexta-feira, 11 de julho de 2014

Quando o relógio parou…


É uma história que poderia começar pela convencional expressão de que era uma vez um grupo de amigos que, em comum, tinham o gosto pela motos e que, num belo dia de maio de 2013, criaram uma associação.

Texto e foto Firmino Paixão


“Foi exatamente assim”, revela Joaquim Costa Guerreiro, o líder do grupo, contando que “somos quase como uma família, juntámo‑nos no ano passado e decidimos formar uma associação. Já tínhamos ido a vários convívios e confrontavam-nos sempre com a questão de fazermos, ou não, um evento próprio. Para isso acontecer teríamos que criar um grupo ou uma associação. E assim foi, criámos a nossa associação no dia 17 de maio do ano passado e fizemos um primeiro encontro que foi muito bem sucedido”. E desde logo, naturalmente, projetaram uma segunda edição, ainda com mais qualidade, que aconteceu em Beja no último sábado: “Este ano repetimos a experiência, com a preocupação natural de introduzirmos alguns pormenores que acrescentassem ainda mais qualidade e aqui está um grande convívio, com amigos de vários locais numa grande jornada de espírito motard”. Até aqui tudo é natural, a invulgaridade é a designação de Associação Motard de Beja “¼ Prás 7”, mistério que o seu presidente desvenda. “Toda a gente nos questiona sobre isso. Quando estávamos juntos a discutir a criação do grupo tardou o consenso em redor do nome e o tempo passava. Alguém disse que tínhamos que nos despachar e olhando um relógio de parede que estava perto de nós, exclamou que já eram ¼ para as 7. Passou algum tempo e o nome não surgia, até que outro voltou a ver as horas, e lá estava, ¼ para a 7. Ou seja, o relógio tinha parado naquela hora e o nome do grupo estava encontrado. Nunca mais ninguém lhe mexeu, continua parado nessa hora, é o nosso momento de brinde”, confessa Costa Guerreiro. A eventualidade de terem aderido a um movimento associativo já existente nem foi equacionado porque, diz o empresário bejense, “a nossa intenção era termos um projeto próprio que refletisse a nossa identidade, mas temos excelentes relações com os outros grupos da região”.
A associação reúne um grupo de cerca de 20 elementos, entre os 22 e os 70 anos, maioritariamente de Beja e muito heterogéneo. “Temos empresários, trabalhadores privados, funcionários públicos e da administração local, várias profissões, mas isso, em cima da moto, pouco importa, somos todos amigos”, refere.
Todos, seguramente, unidos no espírito de andar de moto e conviver com motards de outras origens porque “andar de moto é um estilo de vida, é algo de diferente do que fazemos no nosso dia a dia”, sustenta Costa Guerreiro. E acrescenta: “Fazemos vários passeios e o nosso lema é sempre igual, quando regressarmos temos que vir mais bem dispostos do que à partida, por isso, divertimo-nos, convivemos entre nós e com outros amigos, não queremos corridas, a segurança é prioritária, cumprimos sempre todas as normas, os nossos estatutos consignam a defesa dos interesses e da segurança dos nossos associados”. Lembrando também que “houve uma altura em que os motards não eram muito bem vistos, mas hoje, em qualquer lado, chegam 10 ou 15 motos e as pessoas vêm ter connosco e recebem-nos bem”.
Quanto a outras iniciativas, para além do encontro anual, Costa Guerreiro recorda que, “sendo um grupo ainda jovem como somos, para além destes dois encontros que já fizemos, também organizamos passeios e participamos noutros encontros e concentrações”. E sublinha que o objetivo “é proporcionarmos a outros amigos um bom acolhimento na nossa terra e, sobretudo, mostrarmos o nosso património, a nossa cultura e a gastronomia local. Esse é o nosso grande projeto – queremos retribuir com a hospitalidade da nossa terra”. Por outro lado, assegura o motard bejense que procura uma sede social para a associação e que esta já se diponibilizou junto da autarquia “para qualquer eventualidade em que a nossa presença seja útil, em ações de voluntariado ou de solidariedade”. 

Fonte: http://da.ambaal.pt/

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