Futebol Sub-19
Em casa, só fala crioulo por imposição da mãe. A família veio para Portugal quando tinha dois anos e a progenitora faz questão de preservar as raizes caboverdianas. "Mas isso não tem nada a ver com a minha maneira de ser. Sou reservado em qualquer língua e não gosto muito de entrevistas", esclareceu.
As origens humildes não o incomodam: "São humildes, e quê? Fazem parte de mim". Tem sete irmãos a viver em Portugal, mais oito em Cabo Verde e "alguns em Moçambique", de onde o pai é natural. Não sabe o número exato porque o pai "não se abre muito".
O futebol sempre foi uma questão de sobrevivência. Foi o meio que arranjou para driblar a infância dura e combater a timidez.
"Comecei a jogar na rua com os meus irmãos e os amigos deles, no Bairro das Fontainhas. Alguns tinham mais dez anos que eu. Diziam 'anda, mo puto' e lá ia eu levar patadas", revelou, recordando exercícios "para ganhar força" e conselhos para se "soltar no campo, porque, se desse jogador, poderia um dia ajudar a família".
"Fiquei com aquilo na cabeça e quero mesmo ajudar, mas não é só por eles que jogo. Eu gosto mesmo da bola", frisou, recordando a alegria que sentia na rua, quando os mais velhos desenhavam as balizas "com giz ou tinta", caso o chão "tivesse lama": "Recordo como se fosse hoje".
Aos nove anos, chamaram-no para o clube das Fontainhas, onde jogou futebol de 7. Em 2007, três anos depois, o 'olheiro' mais famoso do Sporting reparou nele e levou-o para Alcochete: "Foi o senhor Aurélio Pereira que me descobriu. É um orgulho para mim".
Começou como extremo, depois recuaram-no para a defesa. Sempre no flanco direito. Foi chamado à Seleção Sub-19 como lateral, mas garante estar pronto para "treinar até cair e jogar em qualquer sítio".
"O que interessa é o trabalho, não é falar muito ou pouco. Sou mais um para ajudar no Europeu e espero ter essa oportunidade", rematou.
Fonte: FpF.PT
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