sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Tempos de mudança…


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António Ramos, o novo presidente do Sporting Clube de Cuba, revelou ter sentido que o clube necessitava de mudança e de novas ideias e que, de uma forma coerente e muito realismo, quer fazer parte dessa mudança.

Texto e foto Firmino Paixão

Tomou posse há pouco mais de um mês e enumera várias ideias para mudar o paradigma da gestão do clube. Quer estruturar as camadas jovens do clube, para poderem, a longo prazo, fornecer jogadores para os seniores. Quer criar incentivos para fazer regressar os sócios ao campo de futebol nos jogos dos vários escalões e introduzir uma forte componente social, que diz ser tão ou mais importante que a vertente desportiva, ao mesmo tempo que pretende recuperar a velha mística do Sporting de Cuba. António Ramos, promotor comercial, natural de Vila Ruiva, foi antigo atleta do clube e assegurou, desde logo, a manutenção do treinador Hugo Felício para, em conjunto, projetarem objetivos desportivos realistas.


Foi a ameaça de um vazio diretivo no clube que motivou a sua candidatura?A eminência do fecho do clube fez-me refletir, principalmente junto da minha família que é quem me dá o apoio diário, e depois de falar com amigos meus, com quem convivo diariamente, pensámos em formar uma lista para os órgãos sociais do Sporting de Cuba.


O clube está financeiramente saudável?Está financeiramente equilibrado, havia duas ou três situações para resolver que já solucionámos, dois ou três berbicachos ao nível da Segurança Social e Finanças, mas que não eram graves e estão resolvidos.



O clube tem um largo historial no futebol regional, seria cruel suspender a atividade desportiva?Penso que sim, principalmente porque agora também temos a sede bem concessionada. As pessoas que lá estão zelam bem pelo imóvel e fizeram-lhe a manutenção, está apresentável para levarmos lá qualquer convidado. Seria triste ver este complexo desportivo com as portas fechadas. Neste momento temos cerca de 100 atletas nas camadas jovens, mais uns 24 seniores, seria ingrato passarmos aqui e vermos isto encerrado. Tenho aqui o meu filho e ficaria triste de ter que o levar para um concelho vizinho para praticar desporto na modalidade de que gosta. Mas muitos outros pais falaram comigo e deram-me força para avançar com este projeto.


Uma das primeiras decisões foi segurar o treinador Hugo Felício, um técnico que conhece bem a casa?Não tinha um conhecimento muito aprofundado do mister Felício, mas com a relação que temos tido, para estruturar o plantel sénior, vejo que é uma pessoa idónea e competente, acessível, que compreende as dificuldades do clube e que tem colaborado comigo na procura de jogadores, principalmente para mantermos aqueles que eram da confiança dele. Tem-me ajudado bastante. Nem sempre é a parte económica que interessa num atleta, é também a sentimental, sentir-se bem e confiante com o que o rodeia. E eu quero que o Sporting de Cuba não seja só um polo de desporto, mas que abra as suas portas para ajudar na área social. Todos os dias as pessoas enfrentam muitas dificuldades, nós queremos ajudar na área desportiva e social e quero que não vejam em mim um presidente, mas um amigo para todos os dias.





Essa é a mudança no paradigma deste clube, que revelou no início desta conversa?Sim, o dirigismo baseia-se muito em estatutos, mas eles são feitos para o clube e nós, seres humanos, temos que ser colaborantes, amigos, participativos na vida pessoal e social dos atletas. Muitas vezes o atleta tem problemas em casa que não transporta para o clube, mas se for apoiado e acarinhado entra em campo mais motivado e limpo desses problemas. Vamos trabalhar todos juntos, seremos um grupo de amigos sempre presentes quando algum precisar do outro. Esta mística tem que regressar ao Sporting de Cuba porque eu passei por aqui como atleta e senti que no passado ela estava presente.


Quais são os objetivos desportivos?A manutenção na 1.ª Divisão é o primeiro objetivo. Na Taça Distrito gostaríamos de ir um pouco mais além. No ano passado, chegámos aos quartos de final, queríamos ir mais além. Mas vamos com calma, não queremos subir rapidamente porque a queda será maior, temos exemplos no distrito e isso não quero para o clube.


Os escalões de formação manterão uma dinâmica forte?Vamos manter os escalões de petizes, traquinas, benjamins, infantis e iniciados. Tenho pena de não podermos avançar já com juvenis e juniores, no sentido em que seriam uma reserva de atletas para o plantel sénior mas, infelizmente, a estrutura não estava montada nesse sentido e eu cheguei tarde. Mas penso que no próximo ano terei essa possibilidade. Neste momento quero pedir desculpas aos sócios e simpatizantes do clube por não conseguirmos chegar a esse patamar mas, futuramente, trabalharemos no sentido disso se tornar possível.

Fonte: http://da.ambaal.pt

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