O Clube Santos Laguna, de Santa Cruz Tlaxcala, treinado pelo bejense Pedro Caixinha, conquistou a Taça do México em Futebol (Copa MX), primeiro grande título na carreira do treinador nascido em Beja.
Texto Firmino Paixão
“Costuma dizer-se que o primeiro título é sempre especial e, para mim, não foi exceção”, comentou o técnico Pedro Caixinha, que amanhã completa 43 anos de idade e dois de permanência nos “laguneros”. Ele que já interiorizou o espírito de “Guerrero”, alcunha dos aficionados do clube mexicano. “Está-me no sangue!”, assumiu, “mas encontra eco na região onde o clube está inserido, Comarca Lagunera, na história e na filosofia do clube, nos nossos jogadores e na nossa afición”. Afinal, nada que seja estranho ao seu percurso de vida desportiva, um guerreiro, um lutador, um triunfador, agora, também, além do Atlântico: “Penso que não poderia ter tido melhor oportunidade, no espaço e no tempo em que ocorreu, foi na perfeição!”.
A final da Taça do México reuniu o Santos Laguna e o Puebla, numa partida em que os comandados de Pedro Caixinha estiveram duas vezes na frente do marcador, empatando a um minuto do final. Nas grandes penalidades triunfou o Santos Laguna. Por este sofrimento, por esta emoção, é que o treinador disse que “não existem conquistas fáceis. Aliás, para todos (mais fora, mas também dentro da instituição) estávamos fora da Copa à 2.ª jornada, pois nesse momento apenas conseguíamos passar a fase de grupos e chegar aos quartos-‑de-final ganhando os quatro jogos que faltavam disputar. Felizmente ganhámo-los e terminámos com o melhor ataque, com os melhores marcadores no 1.º (Renteria) e 2.º lugar (Djaniny)”. Nesta final, frente ao Puebla, Caixinha reafirmou: “Fomos superiores ao longo dos 90 minutos, mas não fomos eficazes ao nível da concretização e tivemos de decidir tudo na lotaria das grandes penalidades, mas já treinávamos esta eventualidade desde os quartos-de-final, pois as eliminatórias são disputadas a um só jogo e, em caso de empate, saímos direto para as grandes penalidades”, e lembrou: “Não sei se estará relacionado, ou não, mas quando chegámos às meias-finais da Taça de Portugal com o Nacional da Madeira, passámos as três eliminatórias anteriores da mesma forma”. O golo decisivo no triunfo foi marcado por Djaniny, jogador que levou de Leiria para o Nacional e daí para o México, referindo contudo que “a adaptação ao futebol mexicano não foi fácil para os jogadores e treinadores estrangeiros, mas o Djaniny teve uma rápida adaptação e já goza de muito boa reputação”. “Desde o início, em Leiria, nunca duvidámos da sua capacidade e potencial, vimos que nos poderia ser muito útil e, sem dúvida, está a desenvolver um grande trabalho”.
Mas esta conquista, “como eles dizem por cá, é só ‘meio boleto’, ou seja, já ganhámos a Copa Mx Apertura 2014, teremos de disputar a Supercopa (com o vencedor da Copa Mx Clausura 2015), e o vencedor qualifica-se para a pré-eliminatória da Copa Libertadores 2016”. Em dois anos à frente do Santos Laguna, Caixinha já esteve em duas finais e três meias-finais, mas refere: “O trabalho aqui é de todos. Temos uma direção e uma presidência que acreditam verdadeiramente em nós e que nos apoiam, temos um plantel fantástico que trabalha sempre com muita intensidade, um corpo técnico super dedicado e com verdadeiro espírito de missão...e um sorriso nos lábios de todas as demais pessoas (que são perto da centena) que partilham diariamente connosco o mesmo espaço de trabalho”.
Surpresa? Talvez não, a mensagem de felicitações que Pedro Caixinha recebeu de Fernando Gomes, líder da Federação Portuguesa de Futebol. “Recebi com alguma estranheza...não o esperava, mas, claro, com uma grande alegria e satisfação, pelo reconhecimento de todo o nosso trabalho pelo responsável máximo futebol português, sendo um sinal claro de que está atento e disponível ao que se passa com os ‘nossos, em casa e fora’”. Mas não foi única, revelou: “Estou igualmente reconhecido pelo contacto pessoal do presidente da nossa edilidade, João Rocha, do presidente da Associação Nacional de Treinadores e do embaixador de Portugal no México”.
Quanto à eventualidade deste bem-sucedido trabalho realizado no México ser uma ponte para outros projetos, Pedro Caixinha lembrou: “Temos um contrato sem duração, renova automaticamente se nenhuma das partes acionar a cláusula de rescisão. Mas já nos reunimos com os dirigentes máximos do clube para apresentarmos o nosso projeto para o futuro. Vamos ver o que se seguirá, existe muito interesse e curiosidade do clube, e nós estamos com muito gosto no Santos Laguna”, concluiu. Já depois desta final o Santos Laguna ganhou ao Pachuca e ficou muito perto do playoff de apuramento de campeão. Vamos torcer...
Fonte: http://da.ambaal.pt
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