Tem 17
anos, é natural de Sousel e alinha nos juniores da Académica de Coimbra.
Começou por baixo, no modesto Vidense, nos distritais, e depois no Eléctrico de
Ponte de Sôr, já nos nacionais. No ano passado, Tiago Serralheiro deixou o
Alentejo e rumou à cidade dos estudantes em busca de um sonho perseguido por
tantos outros jovens da sua idade: ser jogador de futebol profissional.
Quando o
telefone tocou, ainda hesitou. Tinha apenas 16 anos e sair de casa tão cedo
gerou algumas dúvidas. Hoje, Tiago considera ter seguido o caminho certo. “Sei
que tomei a melhor decisão e nunca me arrependi, mesmo quando as saudades da
família e dos amigos apertam. É um esforço que vale a pena”, justifica.
A adaptação,
diz, “foi fácil, fui muito bem recebido por todos os meus colegas de equipa e
criei desde cedo laços fortes em Coimbra, não só no futebol mas também na
escola, onde também não senti dificuldades em me integrar. Coimbra é uma cidade
encantadora e sinto-me 100 por cento integrado”.
O jovem
jogador refere que a temporada está a correr bem, embora haja algumas
diferenças para o escalão de juvenil: “A época ainda nem vai a meio mas penso
que está a correr bem e estamos a lutar por os nossos objetivos. Nos juniores
não há um jogo fácil, enquanto nos juvenis há sempre um ou dois mais
acessíveis, a intensidade, a agressividade e a velocidade de reação é claro que
têm que ser muito maiores”.
Nascido no
seio de uma família de futebolistas, foi do pai, Augusto Serralheiro, que
herdou o gosto em fazer balançar as redes adversárias. Um avançado trabalhador,
rápido e potente, que foi já brindado como uma chamada aos seniores, num
encontro particular com o Feirense (0-0). Jogou cerca de 15 minutos. “Foi uma
sensação ótima, prova que o nosso trabalho é reconhecido e recompensado. É
sempre incrível estarmos a jogar com aqueles que são exemplos para mim e para
muitos jovens e crianças que um dia esperam ser como eles. Os jogadores e os
treinadores puseram-me há vontade e senti que dei o meu máximo por isso sim
acho que correu bem”, conta.
Não esconde
por isso o seu grande desejo de, mais tarde ou mais cedo, “chegar a uma I Liga,
claro”. “O que eu quero é fazer do futebol a minha profissão. É o meu sonho, e,
no que depender de mim, vou dar sempre o melhor e o máximo, para um dia sentir
que todos os esforços que eu e a minha família têm feito são recompensados”,
sublinha.
Fora das
quatro linhas, o jovem alentejano também tem mostrado afinco. “Não é fácil
conciliar o futebol com a escola, mas tenho tentado ao máximo que a escola
nunca ficasse para trás e até agora está a correr bem”. Não coloca de parte o
ingresso no ensino superior: “Gostava de um dia tirar um curso superior porque
nunca sabemos o que o futuro nos reserva e é sempre bom termos uma segunda
opção. Ainda não sei qual o curso, mas tem que ser para algo que eu realmente
goste”.
A Académica
de Coimbra (juniores), orientada por Miguel Carvalho, disputa o Campeonato
Nacional A – Zona Norte. Ocupa o 9º posto, com 14 pontos. Lidera o FC Porto,
tem 27.

Sem comentários:
Enviar um comentário