Mito 1. Correr
lesiona os joelhos
Existem estudos que indicam o contrário. Por exemplo,
a Escola de Medicina John Hopkings escreveu sobre o efeito protetor das
corridas longas contra a degeneração das articulações. Outro estudo concluiu
que existia uma relação direta entre os corredores e a prevenção da
osteoartrite. Por outro lado, os impactos nas mulheres têm benefícios
especiais, referimo-nos à prevenção da osteoporose. Os impactos produzidos pela
passada de corrida estimulam os osteoblastos, as células que regeneram e
constroem os ossos. Isto melhor muito a nossa saúde óssea, atrasa ou evita a
degeneração óssea e por isso prevenimos a osteoporose.
Afirmar que correr lesiona os joelhos é semelhante a
dizer que ir ao ginásio lesiona os músculos ou estudar muito cansa o cérebro…
mas é aconselhável melhorar e reforçar posteriormente.
Mito 2. Menos
drop nas sapatilhas
A ACSM (American College of Sports Medicine), no
anterior encontro anual, não encontrou benefícios significativos na economia de
corrida ao mudar para sapatos minimalistas.
Pelo seu lado, o Times publicou mais estudos que
demonstravam que usar sapatilhas minimalistas não tinha uma relação direta com
o fortalecimento dos músculos do pé. Isto destrói alguns dos argumentos que
defendiam o calçado minimalista como um fator preventivo de lesões.
Paralelamente começa a surgir outra tendência
contrária, o ‘maximalismo’. Tratam-se de sapatilhas com uma grande sola, com um
perfil muito alto e elevadíssimo amortecimento.
Alguns modelos começam a ganhar popularidade entre
alguns corredores de ultrafundo.
Mito 3. As
tuas melhores marcas de sempre antes dos 30 anos
Não há dúvida que em desportos e provas que requerem
velocidade e explosão é na juventude que se obtêm os melhores resultados. Pelo
contrário, cada vez existem mais dados e evidências científicas que demonstram
que em distâncias mais longas o nosso rendimento pode continuar muito bom mesmo
depois de entrar pelos 40 adentro.
Um estudo recentemente publicado analisou os
resultados de corridas de 24 horas (ultradistância) pelo mundo fora de 1977 a
2012. A média de idades das 10 melhores mulheres foi de 40,9 anos e no caso dos
homens de 43 anos. Uma das razões que os investigadores consideram na equação é
o fator motivacional e psicológico já que tem um papel importante em todos
estes desportistas. A motivação intrínseca para correr, a satisfação de fazê-lo
todos os dias e a sensação de melhorias são fatores de maior peso nesta faixa
etária do que a competitividade e o prestígio dos resultados que ganham maior
importância em idades mais jovens.
Mito 4. Correr
sem tomar o pequeno-almoço emagrece mais
Correr em jejum com níveis baixos de glicose no sangue
implica gastar reservas de glicogénio pelo que ficamos cansados muito antes.
Além disso, ao praticar exercício sem comer nada, o nosso corpo reage com
stresse físico ficando em que se acumulam tensões e vontade insaciável de
comer. Mas também não é preciso correr logo a seguir ao pequeno-almoço porque
estamos a fazer a digestão o que pode dificultar a tarefa.
Come alguma coisa leve se te acabaste de levantar e se
decidires correr durante o dia, o ideal será duas horas depois de comer, com o
estomago vazio (o que não significa em jejum).
Mito 5.
Controlar a respiração ajuda-me a evitar o cansaço e aumenta o meu rendimento
Outro mito muito habitual entre muitos corredores,
tanto principiantes como experientes. O nosso corpo tem recetores em diferentes
pontos do nosso sistema circulatório que captam concentrações de diferentes
gases e metabólitos no sangue, determinando o ritmo respiratório em função
deles. Por isso é que se tentarmos adaptar o ritmo respiratório à cadência da
passada ou tentar evitar uma respiração acelerada faz muitas vezes com que acumulemos
determinados gases e metabólitos no sangue, como o ácido lático, o que aumenta
a fadiga. Por isso devemos deixar que o nosso corpo respire ao ritmo que
necessitar e da maneira que se encontre mais confortável. Este ponto não
contraria as técnicas respiratórias como a respiração diafragmática ou o treino
da musculatura acessória respiratória o que poderia ajudar a ter uma respiração
mais eficiente.
*Artigo publicado na revista
Sportlife

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