Era um homem bom. De trato fácil. Conheci-o nos anos de 1960. Era ponta-‑de-lança. Integrou uma equipa do Desportivo de Beja, 2ª divisão nacional, onde proliferavam craques de eleição. Chamava-se Vitoriano Suarez Monteiro, ficando conhecido nos seus tempos de jogador como Picho, e nasceu em Vigo, Espanha. Pujante, goleador e avançado combativo, Suarez veio para Portugal na época de 1955/56, tendo como rumo o Sporting da Covilhã. No país vizinho representou o Hércules de Alicante e os seus dotes cedo lhe abriram novas janelas que culminaram com uma profícua presença no futebol primodivisionário luso. A sua presença por terras da Serra da Estrela, assinala efusivamente uma final da Taça de Portugal, 2 de junho de 1957, sendo o adversário o Benfica. O seu currículo como jogador do Sporting da Covilhã, diz-nos que Suarez foi, à época, um dos melhores avançados do clube, 66 golos em 97 jogos na 1ª divisão nacional. Na taça, o espanhol, marcou 15 golos, o melhor registo até então apurado, vindo na temporada de 1961/62 a ser igualado por Yauca, Belenenses, e mais tarde ultrapassado por Eusébio, Benfica. A sua imagem em campo era soberba. Divinal. Inteligente na forma como se batia com os defesas. Na época de 1969/70 tive o privilégio de partilhar com o Suarez o balneário no Desportivo de Beja. Nesse tempo assumia a dupla missão de jogador/ /treinador. Do meu velho companheiro, e amigo, guardo dele uma eterna recordação. Eu sempre tinha sido um jogador de meio-campo, quer no Despertar quer no Sporting, mas o Suarez um belo dia, precisamente numa das primeiras sessões de treino com bola, olhou para mim, chamou-me à parte e atirou-me com esta: “Saúde, eu vou fazer de ti um defesa direito. Quero um jogador que faça todo o corredor. Estás preparado?” Eu, gentilmente, aceitei o desafio. E a verdade é que terei sido um dos primeiros defesas laterais, em Beja, que cumpri essa missão. O Suarez vivia no Brasil. Até sempre, mister!
Fonte: http://da.ambaal.pt
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