sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Vamos espalhar a semente


A XII Gala dos Campeões da Associação Regional do Baixo Alentejo de Pesca Desportiva, que decorre amanhã no Cineteatro Municipal de castro Verde, consagra os campeões distritais da última época desportiva.

Texto e foto Firmino Paixão

Um passeio turístico pela região do Campo Branco antecederá a consagração dos pescadores que melhores resultados conseguiram na última temporada piscatória. Uma receção preparada pela Secção de Pesca Desportiva da Associação de Moradores do Bairro dos Bombeiros de castro Verde, apoiada pelo município local, que culminará com um convívio, largo e fraterno, entre todos. Assim o espera Manuel Vicente Ranhola, presidente da Associação Regional do Baixo Alentejo de Pesca Desportiva (Arbapd).


A associação já conquistou o seu espaço no quadro associativo regional e da modalidade?
A nossa associação é a mais nova a nível nacional. Nascemos em 2003, e temos um espaço muito meritório, a nosso ver, porque já temos 22 clubes em atividade e cerca de 230 atletas em competição. É muito bom, sendo que estamos limitados ao espaço geográfico do nosso distrito e a uma faixa do litoral alentejano onde temos conseguido também alguns clubes. A nossa dimensão geográfica não é tão alargada como desejávamos, queríamos abranger todo o Alentejo mas, mesmo assim, temos dado uma boa contribuição à modalidade a nível nacional e temos tendência a crescer na medida em que a limitação da nossa jurisdição nos permita.

Um bom parceiro da Federação Portuguesa de Pesca Desportiva no incremento da modalidade?
Somos um bom parceiro, não obstante sermos a associação mais recente. Já ultrapassámos outras associações, quer em número de clubes, quer de atletas federados e, sem falsa modéstia, temos dado um excelente contributo à modalidade. Talvez não nos tenhamos ainda evidenciado a nível nacional, porque a maioria das provas decorrem em zonas completamente diferentes da nossa, com modelos de pesca também muito distinta da que se pratica nas nossas águas. Mas a tendência é criarmos condições de excelência para organizarmos provas na nossa região e, por isso, já temos dois campeonatos nacionais marcados para a próxima época na nossa jurisdição.

A associação tem cumprido a sua missão de valorização da pesca desportiva no sul do Alentejo?
Sim, penso que sim. Sem falsa modéstia, temos feito aquilo que muita gente não esperava que pudéssemos conseguir. As pessoas estão contentes com a nossa prestação, os pescadores estimam-nos e, por isso, temos aumentado o número de atletas, mesmo com as dificuldades económicas que nos atormentam a todos e que reduzem a disponibilidade para investir na pesca, sobretudo quando se pretende atingir determinadas performances.

A multiplicação dos planos de água na região tem tido um efeito multiplicador do incremento da modalidade?
Onde estamos a crescer mais é na pesca ao achigã e isso resulta exatamente do crescimento de planos de água. E sendo a nossa região a melhor do País nessa vertente isso mostra-nos que temos por aí muito espaço para crescer, porque temos dois ou três concelhos do distrito ainda muito parados, sobretudo na parte interior sul do distrito, onde existe pouca atividade. Vamos espalhar aí um pouco da nossa semente para que a pesca se dinamize nessas áreas.

Que ideias têm para o futuro, além dessa proposta de crescimento?
Temos que apostar ainda mais nas camadas jovens. Orgulhamo-nos de sermos a associação do País com mais jovens a praticar pesca desportiva. Estamos presentes em todos os campeonatos e os resultados estão a surgir. Já temos campeões nacionais em escalões jovens e esperanças e boas representações em provas internacionais. Sentimos que por aí é que passará o nosso enraizamento e a consolidação do futuro. Estamos a crescer na pesca ao achigã, mas na pesca de rio estamos com algumas dificuldades, porque o apoio dos municípios tem sido insuficiente e muito diminuto. Tenho muita pena, temos excelentes condições para crescer e termos a pesca nacional aqui representada, mas verificamos que essa não é uma aposta que mereça atenção das autarquias da região. Lamento, por exemplo, que o rio Sado não se potencie para a pesca desportiva, com pistas que permitam a valorização da modalidade.

As dificuldades são maiores que os apoios? É isso que quer sublinhar?
As dificuldades continuam a ser grandes e nós temos que trabalhar muito, temos que andar à volta de quem nos ajude a remover obstáculos para podermos crescer. Os apoios aos clubes são cada vez menores, o dinheiro é cada vez menos e a pesca, infelizmente, é uma modalidade que já não está tão barata como desejaríamos. Ainda assim, vamos tentando chegar onde podemos, sempre em prol da pesca desportiva.

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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