sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um clube diferente...


Quatro jornadas e 12 pontos são os valores que separam o Despertar do apito final da primeira fase do Distrital da 2.ª Divisão da AF Beja. A equipa está a seis pontos da zona de qualificação para a etapa final.

Texto e foto Firmino Paixão


A passagem do Despertar à fase de acesso à promoção ao escalão principal ainda está ao alcance. Mas a equipa já não depende de si própria, por isso, o treinador Jorge Martelo assume que dificilmente isso será conseguido. O técnico concordou com a maior competitividade da Série A e enumerou as dificuldades de uma temporada a trabalhar com um invulgar número de atletas, obrigando-se a reestruturar a equipa e secundarizar as metas inicialmente propostas. 

Tem encontrado dificuldades com que não contava, sobretudo na gestão do plantel?
Formámos o plantel pensando em rodar os juniores de segundo ano na 2.ª divisão distrital. Entretanto, com a inexistência do campeonato de juniores, tivemos que receber 24 jogadores. Ora, com os 20 que tínhamos, ficámos com 44 atletas. Tudo isto na semana que antecedeu o primeiro jogo do campeonato. Não é fácil fazer esta gestão. Perdemos muitos pontos logo no início, tínhamos que dar minutos de jogo aos juniores e tivemos que deixar de lado parte dos seniores que tínhamos assegurado. E estamos a falar de juniores de primeiro ano a jogar já num campeonato de seniores. Por muita qualidade que os miúdos tenham encontram sempre dificuldades na adaptação.

O grande objetivo era a qualificação para a 2.ª fase?
Tivemos que reestruturar os nossos objetivos. Quando iniciámos esta época, o objetivo era estarmos na 2.ª fase, mas quando o grupo recebeu os juniores tivemos que alterar tudo. Aceitámos manter os juniores connosco, pensando que, no próximo ano, a nossa associação de futebol será um pouco mais dinâmica e organizará o campeonato desta categoria.

Foi uma opção correta e consensual, fazer esse tipo de gestão em detrimento do provável apuramento para a 2.ª fase?
Somos um clube diferente de todos os outros, todos sabemos que o rosto dos clubes são as equipas seniores e, normalmente, estruturam-se de cima para baixo, dos seniores para a formação. Nós somos ao contrário, estruturamos o clube de baixo para cima. Os jogadores da nossa formação, que tantas cartas dão nos campeonatos nacionais e distritais, são miúdos com muita qualidade, por isso, são eles que têm que ser o rosto do Despertar e o futuro da equipa sénior, porque eles identificam-se connosco e têm a mística do clube. Tudo leva o seu tempo, mas nós queremos manter as equipas estruturadas com jogadores da nossa formação. Naturalmente que os resultados não aparecerão de imediato, mas temos esperança que no futuro as coisas nos corram bem e que os jogadores que formamos consigam ser realmente o rosto do nosso clube.

Faltam quatro jornadas e o Despertar já depende de terceiros para uma eventual presença na 2.ª fase…
Claro que é muito difícil, é verdade que ainda faltam jogos entre as equipas do topo. Por exemplo, ainda temos que receber o Desportivo e podemos encurtar distâncias, podemos sonhar e pegar na calculadora, acreditando ser possível estarmos na 2.ª fase, mas naturalmente que as coisas ficaram muito mais difíceis.

Os empates em Moura, na Amareleja e em casa com o Penedo Gordo comprometeram as aspirações…
E a coincidência é que foram todos na 1.ª volta e nas primeiras cinco jornadas. É um pouco o resultado da necessidade de reestruturamos tudo, de pormos uma equipa nova a trabalhar, fazendo a pré-época em competição, ou seja, só ao fim de um mês é que começaram a aparecer os resultados desta equipa.

Mas ainda não atiraram a toalha ao chão?
Nunca, vamos lutar enquanto matematicamente for possível. A nossa equipa tem vindo a crescer de forma, não é este resultado negativo, embora aceitável, no Penedo Gordo, que nos fará desistir, porque estamos cá para lutar até ao fim.

O Penedo Gordo e o Desportivo de Beja justificam os lugares que ocupam?
Foram as equipas que melhor se souberam colocar, que melhor estruturadas estavam no início do campeonato. Se olharmos para a classificação, verificamos que desde a terceira ou quarta jornada que andam naqueles lugares, portanto souberam aproveitar os deslizes e a falta de pontos dos adversários diretos, nomeadamente do Despertar e do Salvadense, que também podia ter uma palavra a dizer no campeonato. Souberam ganhar alguma vantagem e é por isso que estão no topo e quando se está em primeiro, ou segundo, naturalmente que será por mérito.

Beja merece ter as suas equipas noutro patamar…
Sem dúvida, e quando falamos noutro patamar julgo que é mais além do que a 1.ª divisão distrital. Se os clubes da cidade se conseguissem organizar a cidade poderia ter uma equipa muito competitiva no Nacional de Seniores mas, infelizmente, as pessoas não são capazes de se juntar, de lutarem por um objetivo comum, que é a nossa cidade e o nosso Alentejo.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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