Carolina Silva nasceu em Albernoa em 3 de fevereiro de 1997, com dotes para o futebol. Joga na equipa feminina do castrense e faz parte do lote de atletas que prepara a qualificação para o Europeu Sub/19, em Israel.
Texto Firmino PaixãoFoto cedida por Carolina Silva
Com a nobreza e a humildade que são a sua imagem de marca e a qualidade futebolística que lhe é reconhecida, Carolina Silva tem tudo para chegar longe neste seu percurso desportivo. Venceu os preconceitos, ganhou o apoio incondicional da família e fez-se futebolista. Cumpre um sonho de criança, que partilha com a vida académica, não vá o destino pregar-lhe alguma partida. Estuda na Escola D. Manuel I, em Beja, na área de Turismo, uma segurança, porque no futebol, às vezes, há lances perdidos e bolas que batem na trave. O penso branco colado na cana do nariz era um sinal de atividade recente, uma cotovelada de uma jogadora holandesa durante o estágio que a seleção nacional realizou no início deste mês no Algarve. Uma etapa de preparação que Carolina disse que “correu muito bem, a equipa está a trabalhar bastante, porque a segunda ronda de apuramento vai ser bastante disputada”, sinalizando as dificuldades: “Jogaremos em abril com a Espanha, Finlândia e Turquia, são equipas com muita qualidade, será uma competição muito difícil”. Ao mesmo tempo garantiu que “estamos muito confiantes na qualificação para o Europeu”. Quanto ao seu estatuto de titular no último estágio, Carolina confessou: “Realmente tenho feito parte das escolhas do professor Paisana e da professora Susana, e acho que tenho mostrado trabalho que justifica a confiança que têm em mim. Jogava no meio campo e eles estão a adaptar-me a lateral, estou numa fase de habituação a esse novo lugar, mas tenho respondido bem, não sinto dificuldades, sou uma jogadora que saio com a bola a jogar, consigo construir jogo a partir do setor mais recuado”.
Carolina Silva tem cinco internacionalizações, quatro pela Seleção Sub/17 e uma na equipa nacional de Sub/19 e salienta que “todas as jogadoras têm como objetivo chegar à seleção nacional. Eu fui alvo de algumas observações e consegui lá chegar, não tem sido um percurso fácil, agora é muito gratificante. Muito emotivo, sente-se um orgulho muito grande quando estamos a ouvir o hino, ou quando viajamos no autocarro dos seniores, nem tenho palavras para explicar o sentimento que nos invade, é algo muito apaixonante”.
O culpado deste seu sucesso foi o irmão Tiago, desvendou a jovem internacional, confessando que “as minhas Escolinhas foram feitas no meu quintal, nunca tive outra formação, só comecei a jogar mais a sério quando a Casa do Benfica de castro Verde criou uma equipa de futebol feminino, entrei com 13 anos, em Albernoa jogava com os rapazes, ainda hoje o faço”. Dessa equipa, hoje ancorada no Futebol Clube castrense, lembra que se evidenciaram outras atletas “além de mim e da Ana Capeta, também a Joana Assunção e a Jéssica Pacheco estiveram em estágios da Seleção, mas só eu e a Ana é que conseguimos atingir a internacionalização. Isto acaba por revelar que existe muita qualidade no nosso distrito”. O futebol trouxe algo de novo ao seu quotidiano, assume a jovem: “Mudou o nível de atitude enquanto atleta e a dimensão da responsabilidade dentro do campo, porque sinto que estou permanentemente a ser observada”. Depois, a família tem sido um pilar fundamental. “Sim, a minha família tem muito orgulho nesta minha opção e no percurso que tenho conhecido até aqui”. Carolina comemorou o último aniversário no seio da seleção e, apesar dos tenros 18 anos, diz que tem “ganho muita maturidade, sou melhor pessoa e espero que a minha vida profissional seja o futebol, esse é o meu sonho”. Depois, tem uma larga margem de progressão e aceita pacificamente este processo de aprendizagem contínua: “Tenho muita visão de jogo, tenho garra, tenho atitude, o que é muito importante; se calhar, não são precisas muitas qualidades desde que tenhamos uma boa atitude dentro do campo e nunca desistamos. Acaba por ser o mais importante”. Dentro do campo será assim. Cá fora, sabe que ganhou notoriedade no meio desportivo, mas acha que as redes sociais e a comunicação social devem dar um impulso maior ao futebol feminino. Carolina acredita que vai estar no Europeu 2015 em Israel, e mais, acredita numa carreira como profissional de futebol. Afinal “a vida é feita de sonhos, se não sonharmos não vamos a lado nenhum, e eu gostava de ser futebolista profissional, essa é a dimensão do meu sonho”. Por ora, quer ajudar o castrense a obter uma boa classificação, depois de terem feito história na Taça de Portugal e, naturalmente, conquistar definitivamente a titularidade entre as Sub/19 portuguesas.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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