O presidente do Inatel reuniu-se, em Beja, com os Centros de Cultura e Desporto (CCD) do distrito, apresentando-lhe o Fundo Social de Inovação e o programa de comemorações dos 80 anos da fundação.
Texto e foto Firmino Paixão
Fernando Ribeiro Mendes, presidente do conselho de administração da Fundação Inatel, veio à cidade de Beja, pela segunda vez em dois anos e meio de mandato, para se reunir com os CCD do distrito. Uma presença que indicia um modelo de gestão de proximidade com os seus agentes espalhados pelo País real, que o dirigente nacional explicou assim: “Os CCD filiados na Fundação Inatel são uma parte importantíssima da nossa realidade. A nossa missão é apoiar o melhor aproveitamento dos tempos livres para toda a gente. Fazemos isso procurando valorizar o tempo livre para todos e um dos elementos mais importantes nessa valorização é naturalmente aquilo que o associativismo popular permite e propicia, seja no terreno da cultura, seja no terreno do desporto”. Uma perspetiva em que os cerca de 3000 centros existentes no País serão os grandes interlocutores da fundação e potenciadores das suas atividades.
Em que medida é que o desporto e a cultura cabem no domínio do Fundo de Inovação Social?A inovação social hoje é um conceito importante das políticas sociais e a Fundação Inatel, que está sob a tutela do Ministério da Solidariedade, é um dos instrumentos do Estado para as políticas sociais, especialmente focalizadas no aproveitamento dos tempos livres. Este Fundo de Inovação Social procura ajudar estas associações, que fazem parte do nosso universo de Centros de Cultura e Desporto, a desenvolver projetos que sejam inovadores. A inovação muitas vezes está associada a uma ideia puramente economicista, ao fenómeno do empreendedorismo, mas às vezes esquecemos que existe essa mesma atitude inovadora no terreno social e a fundação quer ajudar os nossos CCD a desenvolverem experiências de inovação social no terreno da sua intervenção social e desportiva ou cultural.
Quer identificar alguns exemplos?É fácil exemplificar o que pode ser um projeto inovador. Por exemplo, tudo o que utiliza o desporto como elemento de inclusão de grupos com dificuldades especiais. Temos parceiros no Parque de Jogos 1.º de Maio, como são a Associação Salvador ou a Associação Jorge Pina, que são duas referências no mundo da inclusão de deficientes motores e invisuais, com experiências interessantíssimas com desporto adaptado e dança para pessoas com mobilidade reduzida. E existem mais experiências por todo o País.
A Fundação Inatel mantém no seu ADN a vocação para o desporto, cultura e tempos livres dos trabalhadores? Seguramente. Claro que a sociedade mudou muito e o Inatel também teve que se adaptar aos novos tempos. As nossas origens são da conhecida FNAT, os mais velhos sabem bem a importância que ela teve, sendo verdade que era um instrumento de enquadramento e controlo social da ditadura mas, no âmbito da sua intervenção cultural e desportiva, foi possível a muita gente aceder a exercícios de liberdade cultural que de outra forma não teria conseguido. Mas depois do 25 de Abril, de facto, foi uma instituição que se tornou um verdadeiro potentado na valorização dos tempos livres, com uma perspetiva não só de enriquecimento cultural de cada pessoa, como também de inclusão social dos mais desfavorecidos. E essa mensagem permanece atual.
Os tempos vindouros vão incidir, ou reincidir, sobre os jovens, a família e os seniores com atividades muito viradas para o turismo e desporto de natureza?O Inatel foi pioneiro em algumas atividades importantes na área do desporto de natureza e no desporto radical, que não eram tão tradicionais, mas que hoje estão muito difundidas. Mantemos essa linha, estamos na vanguarda de outras experiências em várias regiões do País, em associação com os nossos CCD e continuaremos a inovar, estando sempre na linha da frente, tanto no desporto, como na cultura ou no terreno da atividade turística, que é uma das áreas mais importantes da nossa atividade.
É voz corrente que se está a preparar legislação para transferir a organização dos campeonatos de futebol amador para a jurisdição da federação?Não tenho informação que vá nesse sentido. De facto há alguma renovação que é importante que seja feita pelas federações de determinados desportos e o futebol será um deles, simplesmente não podemos ver isso como um empobrecimento do desporto Inatel, mas como um enriquecimento. Isto é, fazermos e propormos em articulação com as instituições do nosso sistema desportivo nacional práticas seguras, obedecendo a boas regras e que permitam um equilíbrio entre os aspetos propriamente competitivos e o desenvolvimento pessoal e até de cidadania dos praticantes. E isso é um apanágio muito importante da nossa atuação, aguardaremos as orientações que o legislador adotará, mas é certo que o desporto Inatel não irá acabar.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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