sexta-feira, 8 de maio de 2015

Crianças

José Saúde



A ingenuidade das crianças é fascinante. São pequenas criaturas em que o sentimento da maldade parece não penetrar no seu fantasioso mundo desportivo. Sem a malvadez desenfreada, e bárbara, que consome a humanidade, as crianças de tenras idades ousam contradizer pretensas intenções quando o objetivo prioritário dos adultos passa, exclusivamente, pelo caminho do triunfo. Recentemente ouvi uma preleção onde intervieram homens competentes em conduzir adolescentes no cosmo desportivo, o que levou de imediato a fixar--me numa auréola onde essa juventude de que falo interage com a minha maneira de pensar sobre um universo que há muito me é sobejamente conhecido: o futebol. Porém, uma preocupação acrescida existe quando me deparo com a linguagem fútil, descabida, fora do contexto do jogo e acima de tudo grosseira, que alguns dos treinadores e dirigentes implementam no xadrez com o evoluir do desafio. Não é a primeira vez que trago à discussão pública um tema que permanece nos palcos desportivos. Nas competições seniores os palavrões são regabofes comuns, opinando que essa indesmentível verdade assume padrões de uma pobreza gigantesca. Por outro lado, a forma como os adultos interferem na conjetura do jogo entre crianças, o seu comportamento verbal deixa--me atónito e principalmente revoltado. Não! Não pode e muito menos deve acontecer. Nós, homens do desporto, temos o dever cívico em educar crianças na plenitude do seu crescimento, não só como futuros homens de amanhã mas também como desportistas. Deixo, uma vez mais o repto, a quem de direito para que situações desta natureza resvalem para uma inevitável revisão sobre uma temática de inutilidade extrema e que deixa o público estupefacto perante o conteúdo oral auscultado por alguns dos protagonistas no espetáculo. Dirigentes, árbitros e responsáveis, tentem repor a ordem num prodígio com dimensões colossais. As crianças não têm culpa da linguagem oca dos adultos. 

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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